Em 1.050 hectares, no departamento de Podor, girafas, zebras e oryx vivem em liberdade, sem que lhes seja fornecida alimentação. Criada em 2016 perto de Thillé Boubacar, a reserva Amboura viu a população de cervicapras passar de cinco para 122 indivíduos. Ela espera tornar‑se, até 2027, um destino turístico, desde que atravesse os três quilômetros que a separam da rodovia nacional.
No norte do Senegal, no departamento de Podor, não se imagina encontrar girafas. É, no entanto, o que oferece a reserva de animais Amboura, um espaço de 1.050 hectares criado em 2016 dentro de uma floresta classificada.
Durante a temporada de chuvas, a reserva fica coberta por altas gramíneas, e acácias e jujubeiros voltam a verde. O resto do ano, ela adota tons mais secos, mais próximos da imagem clássica do Sahel. Essa vegetação é um dos êxitos do projeto: após anos de proteção, várias espécies típicas da região, como acácias e balanites, regeneram-se e contribuem para a resistência dos solos.
Uma fauna livre e diversificada
O princípio de Amboura é simples: os animais não são aprisionados nem alimentados pelo homem. Eles se deslocam à vontade, procuram sombra nas horas mais quentes e vivem a seu ritmo. A reserva acolhe espécies reintroduzidas, nomeadamente o oryx algazelle, que se tornou seu emblema, mas também girafas, zebras, gnus, cobes, cervicapras, elandes e avestruzes. Elas convivem com a fauna local: javalis africanos, chacais, macacos-patas e pequenos mamíferos da região.
As aves também encontram refúgio ali, incluindo algumas espécies ameaçadas, como a grande outarde. Amboura, portanto, representa tanto a conservação da biodiversidade quanto a apresentação de grandes animais.
Amboura não é um zoológico, e nada garante a observação de um animal específico. O melhor momento para a visita continua a ser a manhã, quando o calor ainda não levou a fauna à sombra. É preciso aceitar que a natureza decida o espetáculo, e isso é, em parte, o que confere o charme do local.
A reserva não vive em guase fechado. Ela emprega guardas vindos das aldeias vizinhas e disponibiliza o seu poço para abastecer o gado local. Ela também fornece feno, uma provisão que favorece a regeneração da cobertura vegetal.
Projetos para o futuro
O principal entrave continua a ser o acesso: apenas alguns quilômetros de pista separam a reserva da estrada nacional, e o afluxo de visitantes permanece muito baixo. A melhoria deste acesso está anunciada, assim como o estudo de uma hospedagem em madeira, discreta e integrada à paisagem, no modelo dos campos de safari da África Oriental e da África Austral. A ambição é transformar Amboura num destino de ecoturismo que também gere empregos, nomeadamente de guias, para os jovens da área.
Resta saber se a reserva cumprirá suas promessas a longo prazo. Os responsáveis falam de um primeiro balanço real em dez a quinze anos.
Oumar Boubacar NDONGO (Vídeo e texto) e Assane SOW (Foto)
