A canção « Teranga », escolhida entre centenas de candidaturas, tornou-se o hino oficial dos Jogos Olímpicos da Juventude (JOJ) « Dakar 2026 », que acontecerão pela primeira vez na África. Filha do falecido guitarrista Jimmy Mbaye, Mamy sempre foi influenciada pelo legado musical da família. Hoje, ela se prepara para representar não apenas um país, mas um continente.
Ela poderia ter se limitado a cantar um simples hino, mas nela ela imprimiu o espírito de uma nação. É uma história, uma identidade, uma memória e um convite para conhecer o Senegal. Com « Teranga », hino dos Jogos Olímpicos da Juventude (JOJ) « Dakar 2026 », Mamy Mbaye encarna muito mais do que uma simples melodia.
Ela transmite uma visão do Senegal: uma terra acolhedora, calorosa, orgulhosa de sua cultura e de sua hospitalidade que transforma todo estrangeiro em convidado, para, depois, tornar-se membro da família. Por trás dessa voz que ressoará nos estádios esconde-se a trajetória de uma artista cuja paixão, o legado familiar, os desafios enfrentados e uma determinação inabalável moldaram o caminho.
No começo, havia alegria. Depois veio o orgulho. E, com o tempo, a conscientização. Quando Mamy Mbaye soube que havia sido escolhida para cantar a música oficial dos JOJ « Dakar 2026 », ela não percebeu imediatamente a magnitude desse evento. Em sua mente, tudo parecia bastante simples: ela foi escolhida, escreveu uma canção e a interpretaria.
Como ela diz tão bem: « Basta ». Entretanto, os preparativos vão rapidamente transformar sua percepção. Ao longo das reuniões, ela toma consciência da envergadura da organização, do comprometimento das equipes e, sobretudo, do significado simbólico do evento. O que ela pensava ser apenas uma apresentação simples vai se tornando, aos poucos, uma responsabilidade.
« Não é de forma alguma algo leve », admite. De fato, « Teranga », que ela escreveu, compôs e interpretou, foi selecionada após uma seleção que contou com centenas de candidaturas. Ela acompanhará as cerimônias, as competições, a tocha e diversos momentos de celebração dos JOJ. Para uma artista senegalesa, o desafio vai muito além da música.
A escolha do título « Teranga » carrega um significado profundo. Para Mamy Mbaye, essa palavra vai além de um simples termo. É uma maneira de evocar o Senegal sem precisar explicar tudo. Um país que recebe, que abre suas portas e que transforma o estrangeiro em alguém próximo.
Ela deseja que os jovens atletas que virão a Dakar compreendam essa filosofia desde as primeiras notas, que se sintam menos como visitantes e mais como convidados. « Quando um senegalês te recebe, ele te diz: bem-vindo. E quando ele te diz bem-vindo, você passa a fazer parte da sua família », resume.
Através de « Teranga », Mamy quer retratar um Senegal cultural, pacífico, carinhoso e acolhedor. « A música é, acima de tudo, uma troca », esclarece. Assim, a canção torna-se um terreno de entendimento, uma linguagem capaz de atravessar fronteiras, mesmo antes de as palavras serem traduzidas.
Representar um país, assumir uma responsabilidade
Hoje, « Teranga » já escapa um pouco do seu controle. Mensagens chegam de diferentes países. « Uma jornalista chegou a me escrever para dizer: « Quero conhecer as letras. Você pode me enviar as letras? Porque estarei lá, no Senegal, e quero cantar essa música com você » », conta.
Para a artista, é uma das mais belas surpresas, pois uma canção só ganha vida de verdade quando se afasta de sua criadora. Quando se torna obra de outras pessoas. « Ao ouvir isso, vou chorar, com certeza », diz, sorrindo. Por trás dessa emoção está, sem dúvida, uma das maiores recompensas para um artista: ver sua criação virar um meio de encontro.
Os JOJ « Dakar 2026 » carregam um significado especial: são os primeiros Jogos Olímpicos que ocorrem no continente africano. Mamy Mbaye compreende a importância histórica disso. Ela não fala apenas de orgulho, mas também de responsabilidade, pois cantar « Teranga » não é apenas apoiar um evento esportivo.
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É participar da narrativa de um país para aqueles que o descubrem. Seu papel vai além do âmbito artístico. Ele é também cultural e, de certa forma, pessoal. Ao cantar a hospitalidade senegalesa, ela também evoca aquilo que a moldou. Uma artista moldada pelo tempo, Mamy não é mais a jovem artista que começava.
Os anos lhe ensinaram paciência, persistência e observação. Eles a ajudaram a suportar golpes, a recomeçar e a não confundir obstáculos com o fim do percurso. « É uma escola », diz ela. Uma escola de vida tanto quanto de arte. O palco continua sendo seu espaço de liberdade, aquele onde tudo parece encontrar seu equilíbrio.
O que a emociona hoje são também esses desconhecidos que se aproximam dela com os olhos molhados para expressar orgulho. Esses momentos valem mais do que todos os aplausos. Eles testemunham uma conexão profunda. O caminho às vezes foi coberto de tropeços. Ser mulher, ser mãe, lutar sozinha, seguir em frente sem produtor, continuar mesmo quando as certezas se dissipam.
Ela já cogitou desistir várias vezes. Depois, perguntou a si mesma: « Quem sou eu para decidir que não vou conseguir? » Ela persistiu. Sua resposta resume-se a duas palavras: fé e trabalho. Cair, aprender, recomeçar. Não porque a dúvida desaparece, mas porque não pode triunfar.
Em sua trajetória, a experiência com Alif ocupa um lugar singular. Ao lado de Myriam e Oumy, Mamy aprende o trabalho em grupo. Esse grupo torna-se uma verdadeira família para ela. Ela aprende a colocar as necessidades do grupo acima das suas, ouvir os outros, lidar com as diferenças deles e evoluir ao lado delas.
Ela também descobre uma outra forma de força: aquela que emana da sororidade. É uma força discreta, mas que perdura no tempo. Mamy Mbaye também é atriz. No entanto, se lhe pedirem para escolher, a resposta é imediata: « Porque sou música. » Esta expressão resume perfeitamente sua essência.
A música representa seu idioma, seu legado, seu refúgio e seu espaço de liberdade. Ela também constitui esse laço invisível que a liga ao seu pai e a essa linhagem de músicos da qual ela é herdeira. Contudo, Mamy não se limita a receber esse legado: ela o faz ganhar vida por meio de sua própria voz, de sua sensibilidade e de seu caminho.
Após o sucesso de « Teranga », a aventura continua. Mamy Mbaye está preparando um álbum que dedica àqueles que a apoiaram desde o começo: sua família, sua equipe, seus admiradores. Mas sobretudo a Gélongal, que ela considera « uma verdadeira família ». Este álbum representa uma maneira de agradecer àqueles que lhe deram tanto.
É também uma forma de continuar essa história de transmissão que sempre marcou sua vida. Seu pai, Jimmy Mbaye, já não está para escutá-la, mas no dia 31 de outubro, quando ela subir ao palco, ela não carregará apenas um nome. Ela encarnará todo um país. Todo um continente.
Por Samba Oumar FALL
