A região de Kaffrine continua na zona vermelha no que diz respeito ao registro de nascimentos, com apenas 42% dos nascimentos registrados. Essa situação ligada ao estado civil, bem como a problemática das violências baseadas no gênero (VBG), está no centro de uma sessão de fortalecimento de capacidades de 35 jornalistas da célula da zona centro da Convenção dos Jovens Repórteres do Senegal (CJRS). O encontro, organizado em parceria com a ENABEL, realiza-se de 11 a 13 de agosto de 2026 em Kaffrine e reúne profissionais de mídia de Fatick, Kaolack, Diourbel e Kaffrine.
O objetivo desta sessão é permitir que os jornalistas compreendam melhor as questões relacionadas ao estado civil e à VBG, bem como melhorar o tratamento dado a essas temáticas pela mídia. O diretor da Seção de Comunicação da Agência Nacional do Estado Civil (ANEC), Ibrahima Etia, enfatizou a situação preocupante de Kaffrine. Segundo ele, a baixa taxa de declaração de nascimentos coloca a região em uma posição particularmente grave. Ele sustenta que a mídia tem um papel fundamental na sensibilização das populações sobre a importância do registro de nascimentos e dos procedimentos ligados ao estado civil.
Presidindo a cerimônia de abertura, o adjunto ao prefecto do departamento de Kaffrine, Boubacar Bâ, saudou a iniciativa da CJRS. Ele ressaltou a importância da declaração de nascimentos, do registro de óbitos e da disponibilidade dos documentos de estado civil. Para ele, os jornalistas podem contribuir, por meio de reportagens de qualidade, para informar os cidadãos sobre os procedimentos, tornar públicas as dificuldades enfrentadas e aproximar a população dos serviços competentes.
No que diz respeito às violências baseadas no gênero, o representante da administração pediu aos profissionais da imprensa que demonstrem responsabilidade. O tratamento dessas questões deve, segundo ele, basear-se na rigorosidade, na verificação dos fatos, no respeito pela dignidade das vítimas, na proteção de sua privacidade e no combate a qualquer forma de estigmatização.
Para o secretário-geral da zona centro da CJRS, Mor Kâ, a escolha desses temas atende às realidades com as quais os jornalistas lidam com regularidade. Ele mencionou especialmente as situações que envolvem mulheres, crianças e pessoas vulneráveis. Na região de Kaffrine, como em outras partes do Senegal, há casamentos que ainda não são declarados e crianças que crescem sem certidão de nascimento. Segundo ele, essas situações costumam ser explicadas por dificuldades sociais e econômicas ou pela falta de informação.
Assim, os participantes são convidados a aproveitarem os conhecimentos adquiridos para produzir conteúdos mais pertinentes e contribuir para uma maior sensibilização das populações sobre as questões ligadas ao estado civil e às violências baseadas no gênero.
