As deputadas lançaram oficialmente nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, a Rede das Mulheres Parlamentares da Assembleia Nacional. A quarta vice-presidente da instituição parlamentar, Mbène Faye, dirige esta estrutura que é um espaço de concertação, de solidariedade, de advocacy e de ação coletiva em favor da igualdade de gênero e da autonomia das mulheres.
As parlamentares desejam que a presença feminina na Assembleia Nacional não seja apenas quantitativa, mas que se traduza em qualidade, influência e transformação estrutural. Por isso, com o apoio da ONU Mulheres, foi criada a Rede das Mulheres Parlamentares da Assembleia Nacional. A inauguração oficial ocorreu nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em Dakar, na presença de El Malick Ndiaye, representante de Ousmane Sonko, presidente da Assembleia Nacional, e de Pierre Lucas, Representante do sistema das Nações Unidas.
Segundo a presidente da rede, Mbène Faye, essa estrutura «consagra a vontade das mulheres deputadas de se unirem para transformar a vida de nossas concidadãs». Ela afirmou que a organização se apresenta de forma inclusiva, pois, segundo ela, «a Rede não pertence a nenhum partido político. Ela transcende nossas afiliações e divisões para formar um bloco unido e solidário».
Quanto aos objetivos, a presidente explicou que o plano traçado define prioridades claras e urgentes, distribuídas em três pilares fundamentais. Tratam-se de saúde, educação, bem como empreendedorismo e autonomia econômica. «Vigilaremos para que os orçamentos destinados reforcem massivamente a saúde materna e infantil. Nosso objetivo é garantir acesso universal a cuidados de qualidade, reduzir a mortalidade materna e proteger nossas irmãs nas zonas mais remotas do país», comprometeu-se a deputada.
No que diz respeito à educação, a rede prometeu lutar pela permanência das meninas na escola, especialmente no ensino secundário. «Apoiamos medidas legislativas firmes para combater os casamentos precoces, as gravidezes em ambiente escolar e para favorecer o acesso das jovens às áreas científico-tecnológicas».
Por fim, a presidente e suas colegas deputadas assumem o compromisso de defender mecanismos de financiamento adaptados e inclusivos. «Acompanharemos de perto a aplicação das leis que facilitam o acesso das mulheres à propriedade fundiária e aos mercados públicos, para que as mulheres rurais e as jovens empresárias sejam verdadeiros agentes do crescimento nacional», sustentaram, acrescentando que usarão seus mandatos legislativo, orçamentário e de controle para exigir uma consideração sistemática do tema de gênero.
«Votar uma lei ou orçar um programa deverá, doravante, responder a uma pergunta simples: qual é o impacto real sobre as mulheres e as meninas do Senegal?», advertiu a presidente, afirmando que elas representarão a voz das que não têm voz. «Seremos o elo das aspirações das mulheres rurais, das empresárias, das jovens em busca de educação e de todas aquelas que sofrem discriminação», concluiu.
O representante do sistema das Nações, Pierre Lucas, saudou a iniciativa das deputadas. Aos seus olhos, trata-se de uma visão de uma Assembleia Nacional «sempre mais forte, mais inclusiva e cada vez mais capaz de atender às expectativas das senegalesas e dos senegaleses». Ele enalteceu o caráter inclusivo da abordagem, sustentando que a rede tem a chance de se tornar «um espaço de diálogo transpartidário, de capacitação e de inovação parlamentar».
Quanto ao sucesso, o responsável da ONU indicou que reside, por um lado, «em sua capacidade de enriquecer os trabalhos parlamentares, de promover uma governança mais inclusiva e de produzir resultados concretos em benefício das cidadãs e dos cidadãos». Mas também depende da sua capacidade de reunir as mulheres parlamentares além das sensibilidades políticas, fortalecendo as alianças com seus colegas homens. Pois, sublinhou, «a promoção da igualdade entre mulheres e homens é uma responsabilidade institucional e coletiva».
O representante do presidente da Assembleia Nacional, El Malick Ndiaye, também celebrou a iniciativa de suas colegas e elogiou sua contribuição para a 14ª legislatura. «Pelas suas entregas, competências e qualidade de contribuição, as deputadas desempenham um papel decisivo na dinamização do debate democrático», reconheceu. Prosseguindo com os elogios, declarou: «elas enriquecem o trabalho legislativo, fortalecem o controle da atuação do governo e participam plenamente da consolidação de nossa democracia, bem como da melhoria da qualidade da governança pública».
Por fim, Ndiaye assegurou o apoio pleno e total da Assembleia Nacional. Pois, conforme ele assevera, a instituição está convencida de que «o desenvolvimento do nosso país passa necessariamente pela plena participação das mulheres em todas as esferas de decisão».
Fatou SY
