O Mundial de 2026, disputado pela primeira vez com 48 seleções, não apenas abalou as hierarquias em campo. Tornou-se, jogo após jogo, um verdadeiro cemitério de treinadores. Um formato ampliado, uma pressão midiática multiplicada, federações à beira da paciência: jamais um torneio tinha visto tantos bancos trocarem de treinador em tão pouco tempo.
As saídas já definidas
Sabri Lamouchi (Tunísia) abre o leque. Nomeado cinco meses antes da competição, o técnico franco-tunisiano foi demitido na noite seguinte à derrota por 5-1 para a Suécia, logo após o primeiro jogo da Copa do Mundo das Águias de Cartago. A Federação tunisiana o substitui na sequência por Hervé Renard, na esperança de provocar um choque de energia, sem sucesso: a Tunísia acabou cedendo diante do Japão e dos Países Baixos e terminou o torneio sem nenhum ponto, precipitando a saída de Renard em seguida.
Hong Myung-bo (Coreia do Sul) apresenta demissão após eliminação já na fase de grupos, a seleção sul-coreana tendo conquistado apenas uma vitória, frente à República Tcheca, antes de cair contra o México e a África do Sul.
Steve Clarke (Escócia) também deixa o cargo após um tropeço já na fase de grupos.
Miroslav Koubek (República Tcheca) sai no dia seguinte a Lamouchi: a República Tcheca encerra o torneio com apenas um ponto, sem nenhuma vitória.
Ronald Koeman (Países Baixos) não renova o contrato após a eliminação dos Oranje nas oitavas frente ao Marrocos (3-2 nas cobranças de pênalti, após um 1-1 em Monterrey). Ele passa a ser, nesse momento, o quarto treinador a perder o cargo durante esta competição.
Marcelo Bielsa (Uruguai) demite-se após a eliminação já nas oitavas, assumindo total responsabilidade pelo fracasso, um gesto típico do argentino, que já havia vivido uma saída semelhante com a Argentina em 2002.
Sebastián Beccacece (Equador) parte após a eliminação diante do México, mas em circunstância diferente: seu contrato com a Federação Equatoriana terminaria com a Copa do Mundo, uma saída programada há muito tempo, em vez de demissão.
Julian Nagelsmann (Alemanha) é o caso mais estrondoso. Eliminada já nas oitavas de final pelo modesto Paraguai, a Mannschaft mergulha na crise. Com contrato até 2028, Nagelsmann acabou por renunciar, decisão aprovada por unanimidade pelo conselho de supervisão da DFB, seus dois adjuntos também deixando seus cargos. A Federação Alemã já iniciou conversas com Jürgen Klopp, hoje diretor mundial do futebol no Red Bull, para substituí-lo.
Casos ainda em aberto
Pape Thiaw (Senegal). A situação é confusa: segundo algumas fontes, ele teria apresentado demissão após a eliminação nas oitavas diante da Bélgica (3-2), em meio a um clima muito tenso (petição com mais de 30.000 assinaturas, afastamento do meio-campista Pape Guèye). Outros veículos de comunicação senegaleses afirmam, ao contrário, que ele reafirma a vontade de permanecer à frente dos Lions, apesar das críticas. Nada está oficialmente definido neste estágio.
Vladimir Petkovic (Argélia) parece, por sua vez, estar sob aviso adiantado. Contudo, prorrogou até 2028 há menos de um mês do Mundial, o técnico bosnínio-suíço vê seu destino selado após a eliminação nas oitavas diante da Suíça (2-0): várias fontes já mencionam sua saída, com uma cláusula negociada permitindo à Federação Argelina despedir-se dele em caso de falha no Mundial, mediante uma indenização. O nome de Éric Chelle circula como possível substituto.
Emerse Faé (Costa do Marfim). Seu destino ainda não foi definido publicamente no momento em que estas linhas são escritas; seu futuro provavelmente dependerá da trajetória final dos Elefantes e das discussões que virão com a federação ivoiriense.
Oumar Boubacar Ndongo
