A chegada de um novo poder ao Senegal suscita muita esperança em vários setores da vida nacional. A área de comunicação e mídia surge hoje como uma das mais urgentes a repensar, pois as dificuldades acumuladas ao longo dos anos fragilizaram um setor essencial para toda democracia moderna.
O Senegal tem sido há muito tempo reconhecido como uma referência na África pela vitalidade de sua imprensa, pela diversidade de seus meios de comunicação e pela qualidade de seus debates públicos. Essa reputação foi construída graças ao profissionalismo e ao engajamento de gerações de jornalistas e atuantes dos meios de comunicação, que contribuíram para transformar o pluralismo da informação em uma marca distintiva do nosso país.
Mas, nos últimos anos, uma fratura progressiva instalou-se entre as autoridades e os profissionais do setor. Muitos atores da imprensa sentiram-se marginalizados nos processos de reflexão e decisão sobre o próprio futuro de sua profissão. O diálogo enfraqueceu-se, as passagens romperam-se e os mal-entendidos multiplicaram-se.
Portanto, chegou o momento de iniciar uma verdadeira reformulação da política pública de comunicação, alicerçada em uma agenda clara, realista e inclusiva.
I. O primeiro eixo deveria ser a retomada imediata do diálogo com a totalidade dos atores da imprensa.
Não há nenhum projeto sério de reforma que possa ter êxito sem uma concertação permanente com jornalistas, editores, técnicos, produtores, difusores e organizações profissionais. Torna-se indispensável restaurar um clima de confiança baseado na escuta, no respeito mútuo e no reconhecimento do papel estratégico da imprensa na estabilidade democrática do país.
II. O segundo eixo diz respeito à questão crucial do Fundo de Apoio e Desenvolvimento da Imprensa (FADP).
Este instrumento, essencial para apoiar as empresas de mídia e acompanhar a profissão, merece hoje uma reforma profunda para assegurar maior transparência, equidade e eficácia em sua gestão e atribuição. O objetivo deve ser permitir que os órgãos de imprensa se modernizem, fortaleçam sua profissionalização, preservem empregos e assegurem a viabilidade econômica num contexto particularmente desafiador para todo o setor.
III. O terceiro eixo deveria tratar da reavaliação do CNRM.
Em um ambiente mediático profundamente transformado pela digitalização, pelas redes sociais e pelos novos usos da informação, parece necessário abrir uma reflexão serena sobre o funcionamento, as missões e os métodos de regulação deste órgão, a fim de melhor adaptá-lo às realidades atuais do panorama midiático senegalês.
IV. O quarto eixo deveria ser a organização de conferências nacionais dedicadas ao modelo econômico da imprensa senegalesa.
Essa questão tornou-se central. Muitas mídias vivem hoje em grande precariedade financeira, ao passo que as exigências profissionais, tecnológicas e concorrenciais tornam-se cada vez mais fortes. Torna-se urgente pensar de forma coletiva em novos mecanismos de financiamento, na transição digital, na publicidade, na fiscalidade do setor e na viabilidade econômica das empresas de imprensa.
V. O quinto eixo diz respeito à situação preocupante da TDT (Televisão Digital Terrestre).
O Senegal, porém, foi um dos primeiros países africanos a realizar a transição para o digital, gerando, na época, muita esperança e orgulho. Hoje, porém, é preciso constatar que o dispositivo enfrenta sérias limitações. Muitas zonas do país ainda não contam com cobertura adequada, enquanto os decodificadores tornaram-se difíceis de encontrar para as populações. Essa situação coloca uma verdadeira questão de acesso equitativo à informação audiovisual em todo o território nacional. Uma avaliação séria da política de TDT torna-se, portanto, indispensável para corrigir as deficiências observadas e relançar uma ambição digital coerente e acessível.
Essas conferências nacionais poderiam representar um momento histórico de reflexão coletiva, abrindo caminho para uma visão nacional ambiciosa para o futuro da comunicação no Senegal.
A imprensa senegalesa ainda possui recursos humanos notáveis, talentos reconhecidos e uma forte tradição intelectual. Mas esses ativos não poderão ser preservados sem vontade política, sem diálogo sincero e sem reformas corajosas.
O tempo da refundação chegou, portanto, para permitir que a imprensa senegalesa recupere plenamente o seu lugar na consolidação da democracia, na formação da opinião pública e no acompanhamento das grandes transformações nacionais.
Porque uma democracia forte precisa sempre de uma imprensa forte.
BABACAR DIAGNE
Jornalista
Antigo diretor-geral da RTS
