A Casa da Cultura Douta Seck de Dakar recebeu, no sábado, 6 de junho, a primeira edição da « Grande Noite Balante ». Evento de promoção culinária, é também um momento de celebração musical e de intercâmbio cultural.
Um homem de cabelos grisalhos aproxima a boca de um adolescente um instrumento de música tradicional: uma flauta. O jovem aprendiz executa-se timidamente. A cena decorre diante de uma mesa onde estão expostos vários instrumentos. Sobre a mesa do velho Édouard Sadio, instrumentos tradicionais balantes são dispostos com cuidado.
Um Mbongong, um Dangira e muito entusiasmo acompanham as demonstrações do artista originário de Diattacounda, que toca ao mesmo tempo em que explica. O senhor Sadio está movido por uma obsessão: transmitir. Seu maior temor é ver desaparecer o saber recebido dos mais velhos. Seu desejo é ver os jovens, especialmente estudantes, afluírem ao território balante para, por sua vez, receberem esse legado cultural.
Provavelmente será necessário mais do que apenas um dia, este sábado 6 de junho, e mais do que o único Centro Douta Seck para atingir esse objetivo. Mas organizar ali a primeira edição da Grande Noite Balante já representa, segundo Édouard Sadio, um passo importante nessa direção.
Diolas, Mandingues, Mandjacks… Os Balantes costumam ser confundidos com outros grupos étnicos da Casamance, observa Binetou Mané (nascida Sadio).
« Pensamos em tudo, menos nos Balantes, na Casamance », declara no palco a membro da associação Balantacounda.
« Queremos mostrar aos outros que nós também existimos no Senegal. Não somos estrangeiros, ao contrário do que alguns pensam. O Balante é bastante reservado, e isso veiculou a ideia de que ele é estrangeiro », acrescenta ela.
« Eu sou Balante, portanto existo »
A Grande Noite Balante, que está em sua primeira edição, pretende ser um evento de promoção culinária, mas sobretudo musical. Através desta iniciativa, Binetou Mané convida os produtores a virem descobrir as músicas e os artistas balantes.
E se o público não vier até eles?
« Se as pessoas não vierem até nós, é nossa responsabilidade ir até os outros », responde ela.
Foi nessa lógica que o evento foi organizado em Dakar, no Centro Douta Seck. Uma abordagem que também favoreceu um intercâmbio entre as comunidades balante e léboue.
As 121 aldeias lébous de Dakar estavam representadas na acolhida da comunidade balante por dignitários designados pelo chefe superior da coletividade léboue, El Hadj Abdoulaye Makhtar Diop.
A delegação era conduzida pelo Jaraaf Makhtar Diop de Keur Massar.
O intercâmbio entre as duas comunidades parece ter sido um sucesso, segundo os organizadores. O porta-voz da comunidade léboue afirma considerar os Balantes como os Lébous da Casamance, enquanto estes veem nos Lébous os Balantes de Dakar.
Ele lembra ainda que dignitários lébous já haviam visitado a terra balante no âmbito desta dinâmica de aproximação cultural. Uma viagem dos dakarois a Sédhiou foi organizada há dois anos.
Culturas minoritárias ?
A expressão é objeto de debate e Abdoul Aziz Gueye parece contestar a pertinência dela.
Para ele, « todas as culturas são iguais ». A diferença reside mais na sua visibilidade do que na sua importância.
Através de sua Plataforma das Artes, do Espetáculo e da Cena (PASS) e da associação Balantacounda em palco, que reúne músicos, historiadores, dançarinos, escritores e outros atores culturais, Abdoul Aziz Gueye pretende contribuir para a valorização do patrimônio balante.
Essa vontade de promover e divulgar a cultura balante está também no cerne do compromisso de Binetou Mané.
Assim, onde os admiradores de René Descartes repetem a fórmula « Penso, logo existo », ela escolhe afirmar sua identidade por meio de outra declaração :
« Eu sou Balante, portanto existo. »
Uma mensagem carregada por Abdoul Aziz Gueye, Édouard Sadio, toda a comunidade balante e seus anfitriões lébous, reunidos em torno de um mesmo objetivo: preservar, transmitir e dar a conhecer uma cultura que reivindica plenamente seu lugar no patrimônio do Senegal.
Por Moussa SECK
