Em 19 de março de 2000, o Senegal entrou numa nova era política com a eleição do Sr. Abdoulaye Wade à presidência da República. Após 26 anos em oposição e várias candidaturas malogradas, o líder do Partido Democrático Senegalês (PDS) consegue derrotar o presidente em exercício, Abdou Diouf, no segundo turno das eleições presidenciais.
A eleição presidencial de 2000 consagra a primeira alternância democrática no Senegal. Pela primeira vez desde a independência, em 1960, o Partido Socialista (PS), que esteve no poder por 40 anos, primeiro sob Léopold Sédar Senghor, depois Abdou Diouf, foi derrotado nas urnas. A chegada ao poder de Sr. Abdoulaye Wade e de sua formação política, o Partido Democrático Senegalês (PDS), após 26 anos de oposição democrática, representa uma virada significativa na história política do Senegal. Antes do pleito de 2000, Wade já havia sido candidato às eleições presidenciais de 1978, 1983, 1988 e 1993. Após quase 20 anos no poder, Abdou Diouf enfrenta uma oposição fortalecida pelas dificuldades econômicas, o desemprego entre os jovens e o desgaste do poder.
Desde 1974, Abdoulaye Wade, fundador do PDS, consolidou-se como o principal opositor ao regime socialista. Após várias candidaturas infrutíferas, ele entra na eleição de 2000 com a ambição de realizar o slogan do « Sopi » (mudança). O primeiro turno das eleições presidenciais ocorre em 27 de fevereiro de 2000. Oito candidatos disputam. De 2.725.987 eleitores registrados, 1.696.384 votaram, o que representa uma participação de 62,23%. Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta, o segundo turno tornou-se necessário.
O presidente em exercício, Abdou Diouf, ficou na frente com 690.917 votos, ou 41,30% dos votos válidos. Abdoulaye Wade segue com 518.740 votos (31,01%). Logo atrás aparecem, entre outros, Moustapha Niasse, com 16,77%, e o falecido Djibo Leyti Kâ, com 7,08%. Entre as duas voltas, o equilíbrio de forças inverte-se. Praticamente todos os candidatos derrotados unem-se a Wade dentro de uma ampla frente de oposição favorável à alternância. O apoio decisivo de Moustapha Niasse permite ao líder do PDS ampliar consideravelmente sua base eleitoral.
Além disso, o Sr. Niasse será nomeado primeiro-ministro para dirigir o primeiro governo da alternância. O segundo turno ocorreu em 19 de março de 2000. Em 2.745.239 eleitores registrados, a participação atingiu 60,75%. Os resultados oficiais consagram a vitória de Abdoulaye Wade com 969.332 votos, correspondendo a 58,49% dos votos válidos, contra 687.969 votos e 41,51% para Abdou Diouf. Essa vitória põe fim a quatro décadas de dominação socialista e abre uma nova página da vida política do Senegal.
As reações dos dois protagonistas contribuem para fazer desta alternância um modelo democrático na África. Abdou Diouf reconhece a derrota, felicita o seu adversário e facilita a transição do poder. Sua atitude é saudada como um gesto de grande elegância republicana. Por sua vez, o Sr. Wade celebra a sua vitória com grande pompa no estádio Léopold Sédar Senghor. Em seguida, prometeu incorporar a mudança que os eleitores esperam.
Por Aly DIOUF
