O Ministério do Emprego e da Formação Profissional e Técnica lançou, na quarta-feira, o sistema de Validação dos Conhecimentos Adquiridos pela Experiência (VAE) de nível BTS aplicado às indústrias culturais e criativas (ICC). Esta fase piloto permitirá que 100 profissionais tenham as competências adquiridas no terreno reconhecidas.
O Senegal avança para mais uma etapa no reconhecimento das competências profissionais. Ao lançar a Validação dos Conhecimentos Adquiridos pela Experiência (VAE) nas indústrias culturais e criativas (ICC), o Ministério do Emprego e da Formação Profissional e Técnica pretende conferir valor acadêmico e institucional a saberes que, durante muito tempo, foram adquiridos apenas na prática. Nesta primeira experiência, 100 profissionais beneficiarão de um percurso de certificação que, em caso de validação total, conduzirá à obtenção de um diploma de Estado.
A cerimônia de lançamento reuniu representantes dos ministérios envolvidos, parceiros técnicos e financeiros, organizações profissionais, bem como atores das filieras culturais. Todos saudaram uma reforma que marca uma virada na política nacional de formação profissional.
Representando o ministro do Emprego e da Formação Profissional e Técnica, Diamé Sakho enfatizou o alcance desta iniciativa, que ele considera muito mais do que um simples procedimento administrativo. Segundo ele, o Estado opta por reconhecer que “a experiência vivida, a prática diligente e o savoir-faire forjado ao longo dos anos constituem um capital imaterial de valor inestimável que merece ser reconhecido, validado e certificado”.
Para as autoridades, a VAE é uma ferramenta de justiça social e de competitividade econômica, permitindo que milhares de trabalhadores valorizem oficialmente as suas competências sem precisarem retomar um percurso clássico de formação.
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Esta fase piloto incide sobre quatro certificações prioritárias: administrador cultural, regente de som, operador de captação de imagens e regente de iluminação. Os 100 primeiros beneficiários constituem, segundo Diamé Sakho, “uma primeira etapa destinada a expandir-se gradualmente para outras profissões das indústrias culturais e criativas, e depois para outros setores da economia onde a experiência costuma prevalecer sobre o diploma”.
A reforma está implementada no âmbito do projeto dedicado às indústrias culturais e criativas, financiado pela União Europeia e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) através da iniciativa Fit Senegal.
Responsável pela missão de formação profissional na AFD, Délia Bâ saudou “um avanço significativo” para os profissionais da cultura. Ela destacou que, pela primeira vez, as competências adquiridas ao longo dos anos nas profissões de audiovisual e de criação poderão ser reconhecidas oficialmente.
Segundo ela, por trás de cada técnico, regente ou administrador cultural existem “anos de saber-fazer, de criatividade e de empenho que merecem plenamente ser valorizados”.
Representando o Ministério da Cultura, do Artesanato e do Turismo, Louis Dione avaliou que esta reforma vem complementar a implementação da lei sobre o estatuto do artista e dos profissionais da cultura. “Há anos, milhares de artistas e técnicos possuem competências notáveis sem certificação oficial”, lembrou, estimando que a VAE consagra um princípio fundamental. “A experiência produz a competência e a competência merece ser reconhecida”, sustentou.
Para ele, o reconhecimento das capacidades representa um motor essencial da profissionalização das profissões da cultura e do desenvolvimento da economia criativa. Defendeu a extensão gradual da VAE a todas as áreas culturais, nomeadamente o teatro, a dança, a música, o cinema, o patrimônio, o livro, o design, a moda e as criações digitais.
Daouda DIOUF
