O escaneamento tornou-se um gesto banal. Não é mais necessário fazer fila nos guichês de multiserviços nem esperar o troco: as carteiras eletrônicas transformam as trocas comerciais no dia a dia e simplificam as transações.
Um grande edifício ainda ostenta a inscrição « Stade municipal de Ouakam », mas o recinto já não abriga a menor atividade desportiva. Logo atrás desta construção, a dois passos da Brioche Dorée, espreita um mercado bastante vivo. Nesta praça, os vendedores montam-se sobre grandes mesas de cimento.
Carnes, peixe fresco, legumes e condimentos: encontra-se ali tudo o que compõe a cesta da dona de casa, ao ritmo das trocas diárias dos moradores. Aqui, o cheiro de terra úmida entrelaça-se com os odores de peixes frescos e de carne. Nesta época de inverno, este espaço, que não é dos mais higiénicos, atrai, no entanto, uma multidão de fiéis. O objetivo único: encher a cesta para o almoço da família. Para tirar proveito de suas vendas, os comerciantes adaptam-se aos novos modos de pagamento dos clientes.
As novas tecnologias, com seu conjunto de inovações, surgiram no quotidiano de muitos Senegalenses. Com os modos de pagamento eletrônico, já não é necessário ter liquidez para fazer as compras. Basta uma simples combinação: uma ligação à internet e dinheiro na carteira eletrónica, e o negócio está feito. O escaneamento tornou-se o gesto mais simples para fazer as compras sem complicações.
Adaptar-se diante das mutações tecnológicas
Comerciantes e clientes, cada um encontra o seu ganho: uma poupança de tempo preciosa e menos preocupações com o troco. Aqui, no mercado de Ouakam, é impossível dar um passo sem que os olhos se cruzem com um código comercial afixado numa parede ou pousado num balcão. Se cada cliente sabe exatamente o que vem buscar, cada comerciante detém o seu segredo para fidelizar a clientela.
Por detrás de uma das várias mesas dispostas em fila, encontra-se Abibatou Ba, vendedora de produtos pesqueiros e de peixe seco. Vestida com um conjunto cuja avental não foi suficiente para protegê-la dos resíduos de escamas, segura uma faca volumosa na mão. Abibatou atua com precisão naquilo que faz de melhor: atender as poucas clientes que formam um semicírculo diante da sua mesa onde se encontram espalhados diversos produtos. Sobre os produtos, destaca-se um emblema azul que chama os olhos: o código do comerciante.
Apesar da afluência, ela aceita interromper o gesto para responder às nossas perguntas. « Hoje em dia, todo mundo utiliza carteiras eletrônicas, limitamo-nos apenas a acompanhar estas inovações », responde ela. Com um movimento hábil, ela corta uma fatia de peixe defumado que coloca no carrinho de uma cliente.
Unindo o gesto à palavra, Abibatou não deixa de arremessar uma alfineta amigável às awo (premières femmes): « Quando os maridos lhes enviam o dinheiro para as despesas diárias, as awo têm preguiça de passar nos pontos de multiserviços para sacar. Por isso, elas vêm diretamente aqui, e isso nos agrada bastante! ».
O essencial é vender, não importa o canal de pagamento. Generosa nas suas explicações, ela acrescenta: « A maioria das minhas clientes paga pelo telemóvel. » Em seguida, interrompe-se para dirigir-se a uma cliente à espera: « O que eu lhe sirvo? »
Basta esperar alguns minutos para ver chegar outra cliente, smartphone na mão e sacos cheios de legumes e peixe fresco ao ombro. Fatou Dione, com um gorro de cetim na cabeça e vestida com um top, dá a sensação de ter saído de meio sono. Como boa sérère, o peso dos sacos não a impede de segurar uma baguete de pão entre os dedos.
Quando a digitalização facilita as transações
« O pagamento eletrônico é mais prático. Às vezes, fico com preguiça de ir sacar ao multiserviços, então venho diretamente aqui. Hoje em dia, quase todos os vendedores têm um código comercial », afirma.
Mas a praticidade não é a única motivação dela: « É sobretudo por causa dos problemas de troco. Às vezes, nos multiserviços, eles não têm troco. Aqui, não tenho esse problema. Acabei de escanear 100 francos », explica, mostrando a tela do seu aplicativo.
A poucos metros do mercado erige-se uma mesa onde repousam dois enormes tonéis isotérmicos contendo o famoso « café touba », uma bebida muito apreciada pelos Senegaleses. Khalifa Ababacar Diémé, o proprietário do local, confidencia: « Aceito pagamentos eletrónicos porque é um bom meio de poupar dinheiro sem ter de voltar ao banco. »
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Ele ajusta os óculos e acrescenta: « Quando se perde a carteira, corre-se o risco de perder tudo, enquanto com o dinheiro armazenado no telefone evita-se esse tipo de percalço. » Khalifa também explica que é a forte demanda dos seus clientes que o levou a dar este passo: « A chávena de café custa 100 francos, e três clientes em cinco pagam escaneando. Foi preciso que eu me adaptasse. »
São 10 horas, hora do pequeno-almoço para muita gente. Se alguns preferem o pão, Cheikh Sarr aposta em thiakry e leitecoalhado. Apoiado no balcão, faz o pedido enquanto explica: « Eu pago por transferência eletrónica porque saio quase sempre sem dinheiro. Evito ao máximo os assaltos, e hoje, com um simples clique, podemos realizar todas as nossas transações. »
Com os novos serviços que oferecem os avanços digitais, a sociedade senegalesa está a reinventar os seus hábitos de consumo no quotidiano. Comerciantes e clientes, cada um tira proveito da situação.
Fatou NGOM (Estagiária)
