No começo dos anos 2000, Podor mudou de rosto. O cais, que vivia ao ritmo das chegadas e partidas de barcos, perdeu seu papel central. O tráfego fluvial tornou-se mais raro, e com ele, os comércios que dele dependiam. As memórias também desaparecem tão rápido quanto as atividades que as sustentavam. A ideia de um local dedicado a essa memória surgiu já em 2007, promovida pela Associação da Margem Esquerda e pelo Sindicato de Iniciativa de Saint-Louis. Mas entre a ideia e a sua concretização, foi preciso mais de uma década e uma história familiar bem definida para lhe dar corpo. Mawdo Diop foi uma das grandes figuras do comércio de Podor. Depois de ter trabalhado nas Galeries Peyrissac, ele retomou os espaços quando a loja deixou a cidade. Durante décadas, a sua loja manteve o cais ativo: as mercadorias chegavam pelo rio, os comerciantes abasteciam-se nele, todo um bairro girava em torno dessas trocas. O seu filho, Ousmane Diop, cresceu nesse cenário e aprendeu o ofício no local. « Estudei até o 3º ano e obtive o meu Dfem. Depois disso, parei de estudar para me dedicar ao comércio. Foi o meu pai quem me formou », explica. Ele tentou a sorte em Richard-Toll, depois retornou. Mas o Podor que ele reencontra já não é mais o da sua infância. Os barcos tornaram-se raros, o cais ficou sem fôlego. Em 2006, a loja da família fecha. Os espaços ficam vazios por vários anos, mas carregados de décadas de comércio e da memória de um bairro inteiro. Ousmane Diop então tem uma ideia simples, quase óbvia. « Tive a ideia de criar esse ecômuseu, em vez de deixar as lojas fechadas », afirma. A ambição nascida em 2007 encontra finalmente onde se materializar. Em 2018, o Écomuseu do Rio abriu as portas.
A coleção não busca grandeza nem efeito espetacular, mas a exatidão. Aqui podemos ver a goma arábica, outrora orgulho das exportações, ao lado de lâmpadas, balanças, ferros de passar, chaleiras, tijolos, telhas, discos velhos. A isso somam-se vestígios de barcos, testemunhos silenciosos do que o rio transportou por muito tempo. Nada aqui é espetacular, e é justamente isso que faz a força do lugar. Tomado isoladamente, cada objeto parece banal. Colocados um ao lado do outro, eles reconstituem uma economia inteira. Segundo Ousmane Diop, uma balança não fala apenas de pesagem; ela fala de transações, de barganha, de confiança entre comerciantes. Uma lâmpada antiga devolve a atmosfera de uma loja de outro tempo. Um fragmento de casco evoca todo um tráfego desaparecido: porões cheios, cais lotados, idas e vindas para Saint-Louis e o Mali. A goma arábica, por si só, conta rotas comerciais que ligavam Podor muito além de suas próprias margens. É essa acumulação de detalhes que oferece ao visitante uma ideia precisa do que foi Podor: um entreposto estratégico da época colonial, onde se cruzavam mercadorias europeias, produtos locais e fluxos de população. Para Mamadou Diop, não se visita o écomuseu para admirar peças de coleção; vem-se para entender por que esta cidade, hoje tranquila, esteve entre os pontos fortes do comércio colonial no rio Senegal. Cada objeto é um fragmento; juntos, eles remontam um Podor onde o rio era uma artéria, e o cais, seu coração pulsante. A história do Écomuseum sustenta-se em dois fios que se encontram. O primeiro é coletivo: a antiga vontade de salvar um patrimônio ameaçado pelo declínio do comércio fluvial. O segundo é familiar: um filho que transforma a loja do pai em um local de transmissão, em vez de deixá-la abandonada. O que era um espaço de comércio torna-se assim um espaço de memória. Mawdo Diop movia as mercadorias; hoje, Ousmane Diop faz circular a lembrança. O comércio desapareceu, o tráfego fluvial reduziu-se a quase nada. Mas para Mamadou Diop, enquanto esses objetos encontrarem alguém para os observar, e alguém para contar, o cais de Podor continuará, à sua maneira, a viver.
S. O. FALL (Texto), Assane SOW (Foto), Oumar B NDONGO (Vídeo)
