Transportadora de baixo custo com sede na Irlanda Ryanair decidiu abandonar o aeroporto de Clermont-Ferrand a partir de 27 de março de 2026, uma medida que cortará a única ponte aérea direta entre a região francesa de Auvergne e Portoaumentando o tempo de viagem e as despesas de cerca de 15 000 migrantes portugueses no centro de França.
Por que isso é importante
• Fim dos voos diretos: Após 27 de março de 2026, os viajantes deverão passar por Paris ou Lyon, acrescentando pelo menos 3 a 4 horas de porta em porta.
• Provavelmente ingressos mais altos: Itinerários de escala única em companhias aéreas tradicionais podem custar 70€–120€ mais do que as tarifas promocionais da Ryanair.
• Impacto da diáspora: Clermont-Ferrand acolhe um dos enclaves portugueses mais colonizados de França; o corte complica as visitas familiares, a gestão de propriedades e as missões comerciais das PME.
• Sinal de política: A ascensão da França “imposto de solidariedade” na aviação, agora de 7,40 euros por passageiro económico, poderá prenunciar taxas semelhantes relacionadas com o clima noutras partes da Europa.
A compressão fiscal por trás da saída
Os legisladores franceses suspenderam o chamado sobretaxa de solidariedade nas passagens aéreas no orçamento de 2025, mais do que duplicando o que as transportadoras pagam por passageiro. A Ryanair argumenta que a taxa elimina a sua margem média de cerca de 6€ em assentos de curta distância. O chefe comercial da empresa, Jason McGuinness, alertou que a França corre o risco de “perder capacidade para mercados mais competitivos”. As taxas aeroportuárias e os encargos mais elevados de controlo de tráfego aéreo aumentaram a pressão, levando a Ryanair a desmantelar não só o Porto, mas também Londres-Stansted e Fez de Clermont-Ferrand.
Ondas de choque através da comunidade portuguesa de Auvergne
A rotação Clermont-Ferrand-Porto teve um Fator de carga de 98%essencialmente lotado em todas as partidas, graças aos trabalhadores da construção civil, reformados, estudantes Erasmus e microexportadores que se deslocam entre as duas regiões. Isidoro Fartariao cônsul honorário de Portugal no local, classificou o cancelamento como “difícil de digerir”, observando que mesmo o seu próprio negócio de importação enfrentará agora cadeias de abastecimento mais longas. Grupo de base Luso França reuniu mais de 4 000 assinaturas numa semana exigindo conversações de emergência com os Aeroportos Vinci e os autarcas locais.
Rotas alternativas (nenhuma tão conveniente)
Air France via Paris-Orly ou CDG: 1 hora de salto até a capital, 2h40 em diante até Lisboa ou Porto; tarifa típica de retorno 220€-300€ na primavera.
Dirija ou trem para Lyon-Saint-Exupéry (180 km): TAP, Transavia, easyJet e Vueling oferecem ligações diretas para Lisboa ou Porto; adicione custos de combustível, pedágios ou TGV.
Treinadores sazonais: Os operadores de autocarros interurbanos já oferecem serviços adicionais com destino ao Porto durante o verão, mas o tempo de viagem excede 15 horas.Aeroporto de Clermont-Ferrand diz que está cortejando TAP Expresso e easyJet para uma substituição, mas os analistas da indústria duvidam que qualquer transportadora assuma a rota enquanto o imposto francês permanecer em vigor.
O que isto significa para os residentes em Portugal
• Menos visitantes recebidos: Espera-se que parentes de Auvergne cheguem via Lyon ou Paris, possivelmente escolhendo estadias mais longas para amortizar os custos – uma boa notícia para os proprietários de casas de férias, mas ruim para reuniões espontâneas de fim de semana.
• Pacotes de carga e cuidados: as PME e as famílias frequentemente despachavam peças sobressalentes ou alimentos especiais na bagagem de porão. Esses itens agora viajarão através de hubs, tornando irrealistas as entregas no mesmo dia.
• Efeito cascata no preço dos ingressos: Se as sobretaxas climáticas se espalharem, os assentos de baixo custo entre Portugal e cidades secundárias francesas, como Nantes ou Bordéus, também poderão diminuir; monitore as tendências tarifárias e reserve com antecedência.
• Conclusão sobre política: Os legisladores de Lisboa que avaliam os seus próprios impostos verdes podem estudar o caso francês – um aumento demasiado acentuado pode levar as transportadoras a consolidarem-se em aeroportos maiores, privando as ligações regionais.
Perspectiva da indústria: um canário na mina de carbono?
Especialista em aviação Michel Polaco acredita que a Ryanair está a “enviar uma mensagem política” tanto quanto a poupar euros, observando que a companhia aérea continua a voar a partir de outros postos avançados franceses onde os subsídios locais compensam os impostos. Delegado sindical Arnaud Boucheix chama o argumento fiscal de “uma fachada”, acrescentando que a Ryanair negocia duramente onde quer que aterre. O que está claro é que 40% do tráfego de passageiros de Clermont-Ferrand desaparece de um dia para o outro, ameaçando os empregos de assistência em escala e a viabilidade do próprio aeroporto. Para Portugal, o episódio sublinha como as políticas externas orientadas para o clima podem perturbar materialmente o tecido conjuntivo da diáspora.
Resumindo: se você depende de amigos, familiares ou frete de Auvergne, comece a revisar calendários e orçamentos de viagem agora – porque o barato voo de 2 horas até o Porto está prestes a se tornar uma viagem mais cara e com vários trechos.
