O Benfica soube que o extremo argentino Gianluca Prestianni vai falhar mais dois jogos depois de a UEFA ter decidido que ele usou insultos homofóbicos durante um confronto da Liga dos Campeões com o Real Madrid em Fevereiro de 2026 – uma decisão que o isenta de acusações de racismo, mas complica as suas perspectivas para o Campeonato do Mundo de 2026 e deixa o clube lisboeta com uma multa de 40.000 euros e o encerramento parcial do estádio pairando sobre a sua cabeça.
Por que isso é importante
• Nenhuma constatação de racismo: O Comité de Ética e Disciplina da UEFA rejeitou as alegações iniciais de Vinícius Júnior de que Prestianni o chamou de “mono” (macaco), condenando o jovem de 20 anos por linguagem homofóbica.
• Suspensão de seis jogos, três suspensos: Prestianni já cumpriu uma partida e enfrenta mais duas; os três jogos restantes estão suspensos por 2 anos.
• Risco da Copa do Mundo: A UEFA pediu à FIFA que estenda a suspensão globalmente, o que significa que Prestianni pode perder os jogos de abertura da Argentina contra a Argélia (17 de junho) e a Áustria (22 de junho) se o técnico Lionel Scaloni o escolher.
• Consequências do clube: O Benfica deve pagar 40 mil euros e tem uma ordem de encerramento de 500 lugares (suspenso por 1 ano) decorrente de conduta dos adeptos durante o mesmo jogo.
O que aconteceu no Estádio da Luz
A 17 de fevereiro de 2026, o Real Madrid derrotou o Benfica por 1-0 na fase de playoff da Liga dos Campeões, no Estádio da Luz. Pouco depois de marcar o único gol da partida, o atacante brasileiro Vinícius Júnior abordou o árbitro francês François Letexier e acusou Prestianni de dirigir-lhe epítetos racistas. O jogo foi interrompido durante quase 10 minutos quando os dirigentes activaram o protocolo anti-racismo da UEFA – um mecanismo de três passos concebido para suspender ou abandonar jogos quando ocorre abuso discriminatório.
Prestianni negou imediatamente o uso do termo “macaco”, mas, de acordo com reportagem da ESPN citada por meios de comunicação portugueses, reconheceu o uso da calúnia espanhola “maricón” – um termo depreciativo para homens gays. Os jogadores do Real Madrid corroboraram o relato de Vinícius Júnior sobre abuso verbal, embora o texto específico tenha se tornado o cerne da defesa. O inspector disciplinar da UEFA passou dois meses a recolher testemunhos, provas de vídeo e análises de leitura labial antes de concluir que a prova de injúria racial era insuficiente, mas que tinha ocorrido conduta homofóbica.
O veredicto e a análise da sentença
O Órgão de Controlo, Ética e Disciplina da UEFA (CEDB) proferiu uma suspensão de 6 jogos por “conduta discriminatória (nomeadamente homofóbica)”. Um jogo – já servido quando Prestianni foi substituído para a segunda mão dos playoffs em 25 de fevereiro – conta para o total. A estrutura se divide da seguinte forma:
• 3 partidas com efeito imediato (1 já servido, 2 restantes)
• 3 partidas suspensas por um período probatório de 2 anos
• Aplicação mundial solicitada: A UEFA pediu formalmente à FIFA que honrasse a proibição em todas as competições oficiais, incluindo jogos internacionais
A decisão retira dos autos qualquer referência ao racismo, detalhe que o professor de direito desportivo Lúcio Miguel Correia, da Universidade Lusíada de Lisboa, considerou “muito importante” tanto para o jogador como para o clube. “O cenário inicial apontava para uma suspensão mínima de 10 jogos ao abrigo do artigo 14.º dos regulamentos disciplinares da UEFA”, disse Correia à agência de notícias Lusa. “Este resultado é um mal menor, dada a gravidade da alegação original.”
Impacto na campanha europeia do Benfica
O Benfica confirmou a recepção da decisão e indicou que não irá recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS). O clube já tinha sido multado em 40 mil euros e obrigado a fechar 500 lugares no próximo jogo em casa da UEFA – uma penalidade suspensa por um ano – devido a cânticos discriminatórios dos adeptos durante o mesmo jogo em Madrid. Se ocorrerem mais incidentes dentro dessa janela, o fechamento parcial entrará em vigor.
Para a próxima temporada 2025-26, Prestianni deve ficar de fora de dois jogos europeus se permanecer no Benfica ou se transferir para outro clube que compete em torneios da UEFA. Caso o internacional argentino não seja convocado para o Mundial, essas suspensões aplicar-se-ão aos jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões ou da Liga Europa a partir de Setembro.
Cálculo da Copa do Mundo de 2026 para a Argentina
Prestianni somou apenas uma internacionalização pela Argentina e é considerado opção secundária pelo técnico Scaloni. Se a FIFA honrar o pedido da UEFA e prolongar a suspensão a nível global, o extremo não será elegível para o jogo de estreia da Argentina no Grupo J, frente à Argélia, a 17 de Junho, e para o jogo seguinte, frente à Áustria, a 22 de Junho. É improvável que Scaloni sacrifique uma vaga no elenco por um jogador indisponível.
Meios de comunicação internacionais, incluindo diário argentino Oléclassificou a decisão como uma “sanção histórica” e expressou preocupação com as implicações da Copa do Mundo. Especialistas jurídicos acreditam que Scaloni ignorará Prestianni totalmente, permitindo que o jogador cumpra as partidas restantes em nível de clube. “Só quem tem acesso ao processo conhece as provas decisivas”, observou Correia, “mas algum elemento concreto levou o investigador a retirar a questão do racismo e substituí-la por uma conduta homofóbica”.
A proposta da “Lei Prestianni”
Correia também destacou uma discussão regulatória emergente apelidada de “Lei Prestianni” (Lei Prestianni), que proibiria os atletas de cobrirem a boca ao se dirigirem a dirigentes, adversários ou companheiros de equipe diante das câmeras. O gesto – comum entre jogadores que desejam ocultar o que estão dizendo – atraiu o escrutínio de defensores da antidiscriminação, que argumentam que ele obstrui as evidências em vídeo e encoraja o abuso verbal. Ainda não se sabe se as autoridades do futebol português ou a UEFA adoptarão tal regra, mas o incidente acelerou o debate.
Resposta Sindical e de Advocacia
O Sindicato dos Jogadores de Futebol de Portugal saudou a rápida resolução, ao mesmo tempo que enfatizou que os insultos homofóbicos são tão graves como os racistas. Um porta-voz do sindicato disse à Lusa que o caso deve servir de alerta a todo o sector: “O racismo, a homofobia, a xenofobia, a violência, o assédio ou o doping merecem o nosso total repúdio.
O sindicato sublinhou que defendeu a presunção de inocência de Prestianni durante toda a investigação e elogiou a UEFA por conduzir um processo “rápido e rigoroso”. Também prometeu apoio jurídico e psicológico contínuo em coordenação com a FIFPRO e os homólogos argentinos. “Devemos usar estes casos para enviar a mensagem de que tais comportamentos têm consequências e são inaceitáveis”, disse o responsável, acrescentando que o futebol reflecte tensões sociais mais amplas e os seus protagonistas devem liderar pelo exemplo.
Perguntas legais e probatórias
Porque é que a UEFA reclassificou o ataque? Especialistas em direito desportivo apontam para a ausência de certeza inequívoca de que Prestianni usou o termo “mono”. Depoimentos de ambas as bancadas, relatórios de árbitros e análises de áudio provavelmente revelaram inconsistências na afirmação de Vinícius Júnior, ao mesmo tempo que corroboraram evidências de um insulto diferente. Nos termos do artigo 14.º dos regulamentos da UEFA, qualquer insulto à dignidade humana com base na raça, religião, etnia, género ou orientação sexual acarreta uma suspensão mínima de 10 jogos. A decisão do CEDB de reduzir a pena para 6 jogos – metade suspensa – sugere factores atenuantes, possivelmente incluindo a idade de Prestianni, falta de infracções anteriores e cooperação imediata.
Correia observou que as vias de recurso permanecem abertas, mas duvida que o Benfica as vá prosseguir, uma vez que a reclassificação do racismo para a homofobia representa um resultado significativamente mais leve do que o inicialmente ameaçado.
Implicações mais amplas para o futebol português
A decisão chega num momento em que Portugal enfrenta incidentes recorrentes de discriminação na concorrência nacional e europeia. Na época passada, o estádio do Porto foi parcialmente encerrado depois de os adeptos terem dirigido cânticos racistas a um jogador visitante, e o Sporting CP recebeu uma advertência formal por causa de faixas homofóbicas. A repressão da UEFA – apoiada pelo protocolo de três passos e pela formação obrigatória de sensibilidade para os clubes – reflecte uma postura de tolerância zero que se estende tanto a jogadores, treinadores e adeptos.
Para o Benfica, os custos financeiros e reputacionais são tangíveis. A multa de 40.000 euros representa uma penalidade significativa, enquanto a ordem de encerramento suspensa mantém o clube em liberdade condicional até abril de 2027. Qualquer reincidência desencadeará a redução de 500 lugares, afetando as receitas da jornada e a experiência dos adeptos.
O que residentes e torcedores devem saber
Os adeptos que acompanham o futebol europeu verão Prestianni afastado dos jogos de abertura da fase de grupos da Liga dos Campeões ou da Liga Europa da próxima época, desde que continue no Benfica. O clube não anunciou planos de transferência, mas a suspensão acompanha o jogador para qualquer novo empregador. Se a Argentina o convocar apesar da incerteza da proibição, ele perderá jogos importantes da Copa do Mundo durante um torneio co-organizado pelos Estados Unidos, Canadá e México.
O caso também sublinha a carga probatória nos processos de discriminação: o vídeo, o áudio e os depoimentos de testemunhas devem convergir para cumprir o padrão de prova da UEFA. Embora a alegação inicial de racismo tenha ganhado as manchetes e ativado protocolos de emergência, o julgamento final dependia do que os investigadores pudessem verificar sem qualquer dúvida razoável. Os observadores jurídicos observam que a reclassificação de racismo para homofobia pode estabelecer um precedente processual para futuros casos em que insultos sejam alegados mas contestados.
Olhando para o futuro
A suspensão de Prestianni expirará após mais dois jogos oficiais, desde que não ocorram mais incidentes durante o seu período probatório. Os três jogos suspensos pairam sobre ele até abril de 2028; qualquer violação disciplinar adicional por discriminação acionará automaticamente o total total de 6 partidas. Para o Benfica, o episódio encerra um capítulo que começou com uma interrupção de 10 minutos no campo e protestos internacionais, deixando o clube a navegar nas competições europeias à sombra de uma sanção suspensa do estádio e do escrutínio intensificado dos observadores da UEFA.
