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Fascismo na Universidade de Coimbra?

A Universidade de Coimbra, fundada em 1290, é uma das instituições de ensino superior mais antigas e veneradas da Europa. Durante séculos, simbolizou a liberdade intelectual, a investigação crítica e a contribuição de Portugal para o Iluminismo. Hoje, porém, encontra-se no centro de um escândalo perturbador que revela uma realidade mais sombria: uma academia outrora honrada tornou-se um reduto da conformidade ideológica, do assédio anti-semita e da supressão institucional da dissidência. Longe de ser o refúgio progressista que os seus administradores e activistas estudantis afirmam ser, a Universidade de Coimbra exibe as mesmas características do fascismo que tão veementemente condena.

A perseguição de Bar Harel

O exemplo mais flagrante envolve Bar Harel, um estudante israelita de doutoramento em engenharia de software que chegou a Coimbra com a expectativa de prosseguir académico, apenas para encontrar um campus saturado de anti-semitismo manifesto na sequência do massacre do Hamas, em 7 de Outubro de 2023. Harel documentou suásticas nas escadas, autocolantes proclamando “O sionismo é um culto maligno”, “O povo escolhido gosta de matar bebés”, “Yahya Sinwar foi um herói”, e cartazes declarando “Sionistas não são bem-vindos” e “Não se querem judeus”.

Seu relatório autoetnográfico, Adesivos de ódiocatalogou meticulosamente esse ódio. Em resposta, em vez de investigar ou condenar os incidentes, as autoridades universitárias e figuras afiliadas escolheram um caminho diferente: difamação e rotulagem psicológica.

Falsos rumores foram deliberadamente espalhados retratando Harel como mentalmente instável – um “caso psicológico” que necessitava de tratamento médico e representava um risco para outras pessoas. A Provedora do Estudante, Cristina Vieira, sugeriu explicitamente que ele precisava de terapia. Depois que Harel falou publicamente sobre o anti-semitismo, o ombudsman estadual (Provedor de Justiça) fez eco destas afirmações na imprensa, afirmando falsamente que estava a ser submetido a tratamento psicológico.

Seguiu-se violência física: Harel foi agredido perto da Faculdade de Direito enquanto um agressor gritava que a sua família “deveria queimar num segundo Holocausto”. A liderança universitária rejeitou as queixas, citando a “liberdade de expressão” e alegando que grande parte do ódio ocorreu em “propriedade pública”. Isto não foi mera negligência burocrática; foi um esforço coordenado para silenciar as queixas legítimas de um estudante judeu sobre a perseguição e a violência por parte de células anti-Israel no campus.

Fracasso Institucional e Condenação Internacional

A mais alta autoridade de direitos civis de Portugal, o Provedor de Justiça, proferiu uma decisão histórica no início de 2026 condenando a universidade. Foi constatado que a instituição violou a lei administrativa, demonstrada “passividade fundamental”, ignorou provas de discurso de ódio e cometeu Abusos “graves” dos direitos fundamentais de Harel. O estado exigiu reparações formais e a adoção da definição de anti-semitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). No entanto, a reacção contra Harel apenas se intensificou, sublinhando a profundidade do fracasso institucional.

Este episódio recebeu atenção internacional, incluindo um poderoso artigo de opinião do próprio Harel em O Washington Times em 19 de abril de 2026, intitulado “Como a Universidade de Coimbra encobriu o antissemitismo”. O artigo expôs como a universidade mais antiga de Portugal não só não conseguiu proteger um estudante, mas também trabalhou ativamente para desacreditá-lo como doente mental para proteger sua imagem e a ideologia predominante no campus.

Monocultura Política e a Rejeição da Democracia

Para agravar esta situação está a rejeição explícita do corpo discente da universidade ao Chega (Basta!), o partido populista de direita de Portugal. Nas eleições legislativas de maio de 2025, o Chega obteve aproximadamente 22,8% dos votos nacionais – quase um quarto dos eleitores portugueses com direito de escolha – garantindo 60 assentos e tornando-se o segundo maior partido no parlamento.

Isto reflecte o apoio democrático genuíno de centenas de milhares de cidadãos preocupados com a imigração, a identidade nacional e as questões económicas. Ainda segmentos da comunidade estudantil de Coimbra declararam que “não aceitam” o Chega, tratando uma grande força democrática como estando fora dos limites do discurso legítimo. O próprio Chega repudiou publicamente tais posições estudantis, destacando a intolerância unilateral em jogo.

A verdadeira face do fascismo

Aqui está a verdadeira face do fascismo em exibição – não a retórica caricatural “tudo o que não gosto é fascismo”, tão comum na esquerda, mas a essência clássica: unidade de opinião forçada sem espaço para diversidade, a marcação clara dos inimigos (“quem está connosco e quem está contra nós”) e a supressão de qualquer voz que desafie a narrativa dominante. O fascismo não é simplesmente oposição ao socialismo; é a exigência de uma monocultura ideológica. Estudantes judeus dissidentes são considerados doentes mentais. Um partido que representa quase um em cada quatro eleitores portugueses é excomungado da legitimidade universitária. O activismo anti-Israel é tolerado ou desculpado, enquanto as queixas de anti-semitismo são patologizadas. Isto não é liberalismo; é uma conformidade autoritária vestida com vestes acadêmicas.

A administração e os estudantes activistas parecem cegos ao seu próprio papel como fascistas aos quais afirmam se opor. Permitiram que uma instituição respeitada – outrora um farol da vida intelectual portuguesa – fosse arrastada para se tornar um de fato enclave do anti-semitismo. As suásticas e a retórica eliminacionista contra judeus e sionistas são toleradas sob a bandeira da “liberdade de expressão” ou da “solidariedade palestina”, enquanto um estudante judeu que documenta o ódio é considerado instável. O pluralismo político, pedra angular de qualquer democracia saudável, é rejeitado quando vem da direita.

Um conto de advertência para Portugal

Como cidadão português que valoriza as contribuições históricas da Universidade de Coimbra para a nossa nação e para a Europa, considero este desenvolvimento profundamente vergonhoso. Uma universidade que outrora educou gerações no espírito de investigação e tolerância corre agora o risco de se tornar sinónimo da própria intolerância que professa combater.

Se a liderança e os estudantes de Coimbra realmente acreditam na diversidade, na equidade e na inclusão, devem começar por aplicar esses princípios de forma consistente: proteger os estudantes judeus do assédio, investigar o anti-semitismo sem preconceitos e reconhecer que a legitimidade democrática se estende além da própria bolha ideológica—mesmo para partidos como o Chega, que representam um segmento substancial da sociedade portuguesa.

Até lá, a Universidade de Coimbra continuará a ser um conto de advertência: uma outrora grande instituição que se esqueceu que o verdadeiro fascismo prospera não na oposição à esquerda, mas no silenciamento da dissidência, na criação de inimigos e na recusa de tolerar qualquer opinião que não seja a própria. Portugal – e o mundo – merece mais da sua universidade mais antiga.

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