O secretário-geral do Ministério das Pescas e da Economia Marítima, Abibou Diagne, alerta que a estabilização do preço do peixe não poderá ocorrer sem uma gestão sustentável do recurso. Ele apela para controlar os custos de produção, assegurar os pescadores e melhorar os circuitos de comercialização para conciliar a acessibilidade para as famílias, remunerações justas e segurança alimentar.
A estabilização do preço do peixe não poderá ocorrer sem uma gestão sustentável do recurso. Este é o aviso lançado por Abibou Diagne, secretário-geral do ministério das Pescas e da Economia Marítima, durante o encontro dedicado à regulação dos preços. Enquanto a preservação do poder de compra das famílias constitui, para ele, «uma prioridade absoluta do governo», ele lembrou o papel central do peixe na alimentação nacional, afirmando que ele «contribui fortemente para a segurança alimentar e nutricional do nosso país».
Para Diagne, a evolução do preço do peixe deve ser analisada levando em conta a disponibilidade do recurso, mas também as condições em que os produtos são capturados, conservados, transformados e comercializados. «É necessário lembrar que o peixe é um produto altamente perecível», explicou, lembrando que, uma vez capturado, ele requer «uma cadeia de frio e condições sanitárias estritas» para preservar sua qualidade e garantir a segurança alimentar dos consumidores.
No entanto, essas exigências convivem com muitos fatores. O custo do combustível, as condições meteorológicas, o preço do gelo, o transporte e os acidentes no mar pesam sobre a atividade dos pescadores. «Dia após dia, nossos serviços medem a gravidade dos acidentes no mar que atingem a filiera da pesca, um drama humano e econômico quotidiano», observou, destacando que cada saída expõe os profissionais a riscos. A segurança dos atores, insiste ele, deve ser levada em conta ao lado da disponibilidade da oferta.
Assim, para estabilizar de forma duradoura o preço do peixe, o ministério defende o controle dos fatores de produção e uma gestão sustentável do recurso. «A busca de soluções imediatas não deve ser feita em detrimento da durabilidade do recurso», advertiu. O departamento pretende promover a restauração e o ordenamento sustentáveis dos recursos, a melhoria dos circuitos de comercialização e a redução das perdas pós-captura.
O objetivo, segundo o secretário-geral, é «garantir rendimentos justos aos pescadores ao mesmo tempo em que se mantém a acessibilidade regular para os consumidores». Uma equação social, econômica e ambiental.
Para Diagne, essa equação não diz respeito apenas aos pescadores. «O conjunto de atores, desde a universidade aos pesquisadores, dos trabalhadores às infraestruturas, passando pelos fabricantes e pelos transportadores», participa, segundo ele, da cadeia de valor da pesca.
O secretário-geral convida, assim, a não opor os diferentes interesses. «A disponibilidade da oferta é uma realidade, assim como a demanda, mas é preciso também interrogar a origem dessa oferta», observou. Em outras palavras, a questão do preço não pode ser tratada sem se interessar pelo upstream da filiera.
O Ministério das Pescas e da Economia Marítima pretende agir em várias alavancas. «Para o setor da pesca, identificamos uma alavanca fundamental, que é a restauração e o ordenamento sustentáveis dos recursos», indicou Diagne. A isso somam-se a melhoria dos circuitos de comercialização e a redução das perdas após a captura.
Para ele, a busca pela qualidade permanece indissociável desta estratégia. «Além da oferta, é preciso buscar o melhor nível de qualidade a fim de garantir uma remuneração justa aos pescadores», sustentou.
Pathé NIANG
