O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirma que Portugal está a entrar num padrão climático volátil, com calor extremo e ventos fortes a regressar a todo o país. Após um período de temperaturas elevadas, prevê-se que uma forte onda de calor se intensifique durante o fim de semana de sábado, 20 de setembro de 2026, com os termómetros a subir para 38ºC nas regiões do interior.
Principais vantagens:
• Aviso de onda de calor: É altamente provável uma onda de calor de seis dias a partir de sábado, 20 de setembro de 2026, com temperaturas máximas superiores a 38ºC no Alentejo e Vale do Tejo — zonas como Évora e Santarém que já registaram 38°C na segunda-feira, 17 de setembro.
• Riscos do vento: Rajadas de até 75 km/h são esperados ao longo da faixa costeira ocidental e nas terras altas até sexta-feira, 19 de setembro, representando riscos para os transportes, a agricultura e a infraestrutura externa.
• Noites Tropicais: As temperaturas mínimas permanecerão acima 20ºC no Alto Alentejo, na Beira Baixa e no sotavento Algarve, evitando o arrefecimento durante a noite e aumentando os riscos para a saúde.
Uma montanha-russa meteorológica
Os residentes de Portugal continental viveram uma semana de calor intenso e fora de época. Ao contrário das deturpações anteriores, terça-feira, 16 de Setembro, não trouxe um arrefecimento – em vez disso, os máximos permaneceram acima dos 30°C em todo o país, com Évora a atingir os 38°C, Faro a 32°C, e outras regiões do sul e centro a seguirem de perto. A tendência de arrefecimento descrita em relatórios anteriores era imprecisa; o calor persistiu, não diminuiu.
Hoje, quinta-feira, 18 de setembro, o IPMA confirma a continuação de ventos fortes — sobretudo entre o Algarve e a costa noroeste — com rajadas a atingir os 70 km/h nos picos da tarde. Lisboa regista temperaturas entre 21°C e 35°Ccom o calor da tarde se intensificando rapidamente.
The Azores High flexiona seus músculos
A partir de sexta-feira, 19 de setembro, a narrativa meteorológica fica mais nítida. Um anticiclone posicionado a norte dos Açores estendeu uma crista em direcção à Península Ibérica, canalizando efectivamente uma massa de ar continental quente e seco sobre Portugal. Este sistema não é uma flutuação temporária – é uma característica definidora do evento de calor contínuo.
Até sábado, 20 de setembro, as temperaturas máximas ultrapassarão 30ºC por quase todo o território continental, com Lisboa a atingir 36ºC. Domingo, 21 de Setembro, assiste-se a uma nova escalada: a capital pode aproximar-se 37ºCenquanto o Alentejo e o Vale do Tejo deverão atingir 38–39°C — níveis consistentes com as condições de pico do verão e muito acima das médias históricas do final de setembro.
Definindo a onda de calor
A autoridade meteorológica de Portugal define uma onda de calor como um período em que as temperaturas máximas excedem a média de 30 anos (1991-2020) em 5°C ou mais durante pelo menos seis dias consecutivos. As projeções atuais confirmam que este limite já foi ultrapassado, a partir de segunda-feira, 17 de setembro — marcando um dos eventos de calor de final de temporada mais prolongados e intensos da história recente.
Setembro de 2026 já é tendência 2,9°C mais quente que o normaldando continuidade a um padrão alarmante observado desde o início de 2026. No dia 17 de setembro — um dia antes deste relatório — Portugal registou o seu quarto dia de setembro mais quente desde 1941com média nacional de 28,1°C. Isto reflete não uma anomalia, mas uma nova norma climática.
O que isso significa para os residentes
A combinação de calor persistente e ventos fortes cria riscos urgentes e sobrepostos:
Moradores urbanos em Lisboa, Porto e Coimbra devem preparar-se para um desconforto contínuo. Temperaturas noturnas mantendo-se acima 20ºC não deixam alívio – especialmente perigoso para populações idosas e clinicamente vulneráveis. Mantenha as persianas fechadas durante o dia; ventile somente após o pôr do sol.
Visitantes costeiros e pescadores devem evitar atividades marítimas até sexta-feira. A costa ocidental, do Cabo Raso à costa alentejana, experimentará ventos de 30–75 km/hcriando condições de ondas perigosas. Mesmo as baías normalmente protegidas perto do Algarve podem sofrer rajadas inesperadas de sul.
Trabalhadores agrícolas e proprietários de terras estão sob pressão aguda. Os ventos fortes ameaçam as infra-estruturas de irrigação, as estufas e as linhas eléctricas. A baixa humidade e o solo ressequido do Alentejo – já em seca – enfrentam agora um risco crítico de incêndio. As autoridades pedem aos agricultores que protejam os equipamentos e revejam os protocolos de emergência.
Operadores de transporte deve ter extrema cautela. Rajadas superiores 70 km/h têm historicamente desestabilizado camiões de alta cilindrada em autoestradas como a A2, A6 e pontes perto do Douro. As rotas marítimas ao longo do Atlântico também poderão enfrentar atrasos.
Olhando para o futuro
O IPMA indica sem precipitação é esperado para o restante de setembro. Isto reflecte uma mudança mais ampla e de longo prazo: o anticiclone dos Açores expandiu-se para níveis sem precedentes ao longo dos últimos 1.200 anos, particularmente no Verão e no Outono, provocando longos períodos de seca em toda a Península Ibérica.
Embora setembro de 2025 tenha sido um dos inícios de século mais legais em Portugal, esse foi um caso atípico. Em 2026, a consistência é o novo normal. O verão, na verdade, recusa-se a acabar. Os residentes são aconselhados a manterem-se hidratados, a verificarem os vizinhos vulneráveis e a monitorizarem diariamente os alertas do IPMA. A onda de calor não está acabando – está se aprofundando e a preparação é essencial.
