O presidente da Assembleia Nacional e líder do PASTEF — Os Patriotas, Ousmane Sonko, pronunciou-se sobre o cartaz da Copa do Mundo que colocará França e Senegal frente a frente, nesta terça-feira às 19h, em New Jersey, em uma entrevista concedida conjuntamente à RFI e à France 24. Além de um simples prognóstico esportivo, Sonko ofereceu uma leitura política assumida e contundente deste encontro especial.
Quanto ao desfecho da partida, sua posição é clara e direta. « Penso que o Senegal vai vencer. Quero isso, de qualquer maneira, como todos os senegaleses », afirmou de imediato. Mas para ele, o resultado final não esgota a profundidade do que representa esse confronto. « Em qualquer caso, não passa de um jogo de futebol. Mas para ter uma leitura política deste jogo, seja quem for o vencedor, é a África que terá vencido a África », declarou, em referência à forte presença de jogadores de origem africana na equipe da França.
É precisamente essa configuração da seleção nacional francesa que chamou a atenção dele e alimentou seu raciocínio. « Só de ver a configuração da seleção nacional francesa, isso nos leva a compreender onde está a necessidade na realidade », destacou, abrindo assim uma janela para um debate que ultrapassa amplamente as fronteiras do retângulo verde.
A partir daí, Sonko apresentou um conjunto de argumentos mais amplo sobre o papel da África no mundo e sobre a necessidade, segundo ele, de o continente tomar plenamente consciência de seu próprio valor. « A mensagem que eu sempre envio aos africanos é que, se soubermos reconhecer nosso valor e aceitá-lo, temos recursos naturais, dispomos de recursos humanos com uma demografia em rápido crescimento e uma população essencialmente jovem, e temos a posição geográfica; bem, eu penso que a escala das necessidades não se situa onde pensamos », desenvolveu.
Para o presidente da Assembleia Nacional, essa partida da Copa do Mundo é assim um revelador involuntário de desequilíbrios bem mais profundos. Ele sustenta que esse confronto futebolístico « vai trazer de volta o debate sobre imigração » e reacenderá « uma série de problemáticas que podem existir entre o Ocidente de forma geral e a África ». Um prisma político que Sonko assume plenamente, fiel à sua linha de pensamento panafricanista, e que transforma este França-Senegal em algo que transborda, de longe, o âmbito de um simples jogo de futebol.
C.G. DIOP
