Em Thieudém Peul, aldeia da comuna de Gnith (distrito de Dagana), uma jovem senhora, H. Sow, escaldou o marido, A. Sow, e a sua coesposa por motivos não esclarecidos. Os acontecimentos que ocorreram na noite de domingo para segunda-feira, 17 para 18 de maio, resultaram na prisão da jovem senhora e na hospitalização do seu cônjuge.
DAGANA – Na noite de domingo para segunda-feira, 17 para 18 de maio, a pequena aldeia de Thieudém Peul, situada na comuna de Gnith, cerca de quinze quilômetros de Ross Béthio (distrito de Dagana), foi mergulhada numa atmosfera particular. Habitualmente pacata, marcada pelo retorno das manadas, pelas conversas ao redor do chá e pelos preparativos da ceia, como explica Mamadou Aliou Sow, morador da vila, este vilarejo peul acordou sob choque. O incidente ficou gravado no espírito coletivo. Uma jovem esposa derramou água fervente sobre o marido e a coesposa dele, convertendo uma noite comum num pesadelo. O ar continua carregado pela tensão daquela noite. Os vizinhos que acudiram aos gritos ficaram marcados. Segundo o Sr. Sow, alguns evitam falar dos detalhes, outros balançam a cabeça com tristeza. Neste vilarejo onde famílias alargadas vivem em estreita proximidade, tal ato de violência intrafamiliar perturba o equilíbrio cotidiano e levanta questões sobre as relações conjugais em lares poligâmicos. Mamadou Aliou Sow, pai de Abou Sow, a vítima principal, concordou em retornar aos fatos. Segundo ele, nada fazia prever tal gesto. Naquela noite, a família vivia em paz. Como de costume, os membros tomavam chá ao ar livre antes de cada um retornar ao seu quarto. Nenhuma discussão, nenhuma ofensa havia sido proferida. Abou Sow, agricultor e criador de cerca de quarenta anos, pai de apenas um filho, encontrava-se no quarto com a primeira esposa quando a segunda mulher, H. Sow, na casa dos vinte anos, agiu. “A jovem havia pegado a botija de gás para aquecer água destinada a preparar o cuscuz. Após ferver, ela entrou discretamente no quarto e derramou a água quente sobre o casal”, relata o ancião. O marido foi o mais gravemente atingido, sofrendo queimaduras severas. Os gritos alertaram a vizinhança, que imediatamente se mobilizou. Em seguida, os habitantes transportaram as vítimas ao posto de saúde de Ross Béthio. Informado de que se encontrava no hospital de Saint-Louis, no leito de seu irmão recentemente operado, Mamadou Aliou Sow regressou à família com urgência. Ele destaca que o casamento da jovem mulher havia sido celebrado por volta do final do Ramadã, ou seja, menos de dois meses antes dos acontecimentos. Este drama não é, infelizmente, isolado. Fatou Niang, presidente das “Bajenu Gox” (madrinhas de bairros) do departamento de Dagana, reconheceu isso com pesar. “Ouve-se vários casos do gênero de incidentes entre marido e mulher”, reconhece ela. Esses atos, muitas vezes impulsivos, ocorrem num contexto de tensões conjugais recorrentes, especialmente nas zonas rurais do interior. A responsável associativa aponta dois fatores principais: o ciúme entre coesposas e os casamentos forçados ou mal preparados. Numa relação alicerçada no amor e no respeito mútuo, explica ela, tais gestos são difícilmente imagináveis.
Casos em cascata
A Sra. Niang insiste na responsabilidade dos pais, que devem acompanhar melhor seus filhos na escolha do parceiro, para evitar uniões que gerem frustrações futuras. Fatou Niang também convoca as jovens recém-casadas a avaliarem as consequências duradouras de seus atos, tanto para o próprio futuro quanto para o de seus filhos. Essas histórias permanecem gravadas na memória coletiva e podem desfazer famílias inteiras.
Confrontadas com a escalada dessas violências, as “Bajenu Gox” não ficam indiferentes. A associação, que reúne mulheres engajadas na sensibilização comunitária, multiplica as iniciativas. Ela organiza rodas de conversa e sessões de diálogo com as jovens noivas e seus pais para favorecer uma melhor comunicação nos casamentos e prevenir conflitos. Fatou Niang anuncia o lançamento, em breve, de uma campanha de sensibilização reforçada nas localidades do interior do Walo, onde os casamentos sem consentimento real e as tensões poligâmicas são mais frequentes. O objetivo é reduzir os riscos de agir dessa forma, promovendo o diálogo, a paciência e a responsabilidade coletiva. Em um vilarejo como Thieudém Peul, onde a vida depende da solidariedade e do respeito pelas tradições, este incidente relembra cruelmente a fragilidade dos equilíbrios familiares. Além do atendimento médico às vítimas, toda a comunidade se questiona hoje sobre como preservar a paz nos lares. As “Bajenu Gox”, pela sua presença ativa e pelas mensagens repetidas, tentam oferecer respostas concretas a esses males silenciosos que minam a sociedade rural. No caso de Thieudém Peul, a investigação continua e a justiça deverá decidir sobre o destino da jovem esposa que foi detida pela gendarmaria de Ross Béthio no dia seguinte ao incidente. Ao mesmo tempo, o marido encontra-se hospitalizado no hospital de Saint-Louis, deixando toda a família em choque. Para os habitantes deste vilarejo, a cicatriz já é profunda. Ela recorda que por trás das aparências de uma noite calma podem esconder lágrimas e raivas contidas por muito tempo.
