Contribuir para que surja, na África Ocidental, uma comunidade de criadores de conteúdo mais bem equipada para enfrentar os desafios do ambiente informacional digital é o que a UNESCO e a Polaris Asso visam ao reunir cerca de vinte criadores de conteúdo senegaleses e da África Ocidental, por ocasião de uma oficina prevista para o dia 14 de setembro próximo em Dakar.
A UNESCO e a Polaris Asso organizam, no dia 14 de setembro de 2026, em Dakar, uma oficina dedicada à apropriação do Plano de Ação de Praia para a integridade da informação na África Ocidental e no Sahel. Este primeiro encontro reunirá cerca de vinte criadores de conteúdo senegaleses e da África Ocidental em torno das questões de desinformação, de liberdade de expressão e de responsabilidade no espaço digital.
« O workshop ocorre num contexto em que os criadores de conteúdo ocupam um espaço crescente na produção e circulação de informações. Segundo o Digital News Report 2025 do Reuters Institute, 44 % dos 18-24 anos entrevistados em 48 mercados consideram agora as redes sociais como sua principal fonte de informação. Na África, 73 % das pessoas entrevistadas dizem estar preocupadas com a desinformação », indica um comunicado conjunto dessas duas organizações que nos chegou.
Na prática, ressalta o texto, a pesquisa mundial da UNESCO «Derrière les écrans» (Por trás das telas), realizada com 500 influenciadores em 45 países, também destaca os desafios aos quais essa nova categoria de atores está confrontada: dois terços dos criadores entrevistados afirmam não verificar sistematicamente suas fontes antes de publicar e 59 % indicam não conhecer, ou apenas de forma limitada, as normas internacionais e marcos regulatórios ligados às comunicações digitais. Ao mesmo tempo, 73 % expressam uma demanda de formação.
Criar um espaço para entender o Plano de Praia
Assim, para a UNESCO e a Polaris Asso, esses dados ressaltam a necessidade de não mais considerar os criadores de conteúdo como simples transmissores de mensagens institucionais, mas como atores em pleno direito da integridade da informação. O objetivo da oficina é, assim, criar um espaço onde eles possam entender o Plano de Praia, confrontar suas experiências e identificar as contribuições que podem trazer para sua implementação.
Os trabalhos irão, nomeadamente, versar sobre a governança das plataformas, a educação para a mídia e a informação, o acesso à informação de interesse público e as parcerias. Os participantes também serão convidados a refletir sobre as condições necessárias para permitir que os criadores desempenhem de forma sustentável o seu papel na promoção de um espaço informacional mais confiável e inclusivo.
A oficina deve resultar em uma folha de rota participativa para os doze meses seguintes, definindo ações prioritárias, seus responsáveis e seus prazos. Deverá também estabelecer as bases de um mecanismo de diálogo periódico entre a UNESCO, a Polaris Asso e os criadores de conteúdo.
Este encontro inaugurará assim um ciclo de diálogos trimestrais dedicado à integridade da informação, com a possibilidade de organizar sessões temáticas antes de períodos sensíveis, nomeadamente eleições ou situações de crise informacional.
Sr. Dieme
