Ele chega com um roteiro claro e um método assumido: ouvir antes de agir. Aos 42 anos, Ousmane Diallo em breve assumirá as rédeas do Centro Regional das obras universitárias e sociais de Ziguinchor (CROUS-Z) da Universidade Assane Seck, com a ambição de apaziguar o espaço universitário e recolocar o estudante no centro da ação. Para este professor que se tornou diretor, a proximidade não será apenas um slogan, mas uma maneira de governar.
ZIGUINCHOR- Nomeado nesta quinta-feira, 10 de setembro, pelo presidente da República, ao término do Conselho de Ministros, Ousmane Diallo encara uma nova responsabilidade, mas não um mundo desconhecido. Professor do ensino secundário, formado em História e Geografia, é titular de um Mestrado em Urbanismo pela Universidade Gaston Berger de Saint-Louis e de um CAES obtido na Escola Normal Superior (FASTEF). A sua trajetória carrega também a marca do movimento associativo. Antigo presidente da ASC Néma Sapeurs, ali aprendeu o contato com as populações, a gestão de pessoas e sobretudo a arte de lidar com expectativas por vezes contraditórias.
Uma experiência que ele quer hoje transpor para um campus onde as reivindicações estudantis podem rapidamente transformar-se em tensões. “Eu percebo plenamente o peso da missão que o Chefe de Estado me confiou. Sou um homem de desafios e conheço bem o meio universitário, com toda a sua complexidade. Nesse ambiente por vezes tenso, a escuta deve ser o nosso primeiro reflexo. É recolhendo as queixas e buscando aparar as arestas que poderemos prevenir tensões e trazer a serenidade”, afirma ele, em entrevista ao “Le Soleil”.
O estudante no coração do dispositivo
Ousmane Diallo não quer instalar-se num gabinete e esperar que os problemas lhe venham. Ele promete ir ao encontro dos estudantes, ver as suas realidades e medir por si mesmo as suas dificuldades. Restauração e alojamento constituem as suas primeiras preocupações. “Os estudantes querem apenas viver e estudar em condições melhores. A aspiração principal deles é o bem-estar. Devemos, portanto, melhorar a restauração e o alojamento. A má qualidade das refeições não pode ser uma fatalidade, sobretudo quando estas refeições são subsidiadas pelo Estado. Assim que assumir o cargo, irei encontrá-los para ouvir as suas necessidades. Não resolveremos tudo num dia, mas devemos garantir as melhores condições possíveis”, sustenta Ousmane Diallo.
A sua concepção de autoridade resume-se em algumas palavras: proximidade, diálogo e confiança. Ele quer levar essa proximidade até ao ponto de partilhar o quotidiano dos estudantes. “Acredito profundamente no diálogo e no compromisso. Os estudantes são meus irmãos e irmãs. Quero ser um diretor próximo deles, capaz até de partilhar uma refeição com eles. É essa proximidade que permite compreender as suas preocupações e responder melhor às suas expectativas. Vou lutar pelo seu bem-estar”, assegura o novo diretor do CROUS-Z.
Um toque pessoal
Consolidar as conquistas, corrigir as insuficiências e imprimir a sua marca: eis a equação que o novo diretor pretende resolver. “Quero estabelecer uma verdadeira relação de confiança com os estudantes. Ninguém deve sentir-se inferior ou desconsiderado. Vamos preservar o que já existe, ao mesmo tempo em que damos o nosso toque pessoal, com a ambição de construir um ambiente universitário onde se viva e estude de facto bem”, insiste Ousmane Diallo.
Colocado à frente do CROUS-Z, o novo diretor pretende assim transformar a sua experiência de docente e de ator associativo numa força de proximidade. O seu primeiro desafio será convencer. A sua primeira arma, já a escolheu: o diálogo.
