A imprensa econômica da África Ocidental está chamada a desempenhar um papel central na transformação econômica da região, com a abertura na quarta-feira, em Dakar, da primeira edição do Fórum Internacional da Imprensa Econômica da África Ocidental (Fipe-Uemoa).
Colocado sob o alto patrocínio da Comissão da Uemoa, este encontro de três dias reúne jornalistas, decisores públicos e atores institucionais em torno da questão da soberania informacional e do acompanhamento das ambições da Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLECAF).
Na abertura dos trabalhos, o representante do ministro da Indústria, Paul Faye, destacou os desafios persistentes da integração econômica, marcados especialmente por barreiras tarifárias e não tarifárias, disparidades regulatórias e entraves logísticos. No entanto, ele lembrou o potencial do mercado africano, que deverá ultrapassar o bilhão de habitantes e gerar significativos ganhos econômicos até 2035.
Segundo ele, o êxito dessa integração dependerá da capacidade dos Estados de harmonizar seus marcos regulatórios e de fortalecer as infraestruturas comerciais, bem como de envolver as populações por meio de uma melhor divulgação das políticas econômicas.
Nessa dinâmica, os profissionais da mídia são convidados a tornar-se agentes pedagógicos. Para o coordenador da Plataforma de Mídias da Uemoa, Léonard Dossou, a soberania econômica passa pelo domínio da informação e pela produção de uma narrativa econômica endógena, capaz de fortalecer a compreensão das reformas e atrair investimentos.
As discussões também abordaram a governança econômica e o combate à criminalidade financeira, com ênfase na necessidade de uma melhor coordenação das políticas fiscais e orçamentárias dentro do espaço comunitário.
Os participantes apontaram lacunas na implementação dos textos comunitários entre Estados-membros, suscetíveis de fragilizar o planejamento econômico e a vigilância multilateral.
O fórum continua até sexta-feira com vários painéis dedicados à integração regional, à transformação dos meios de comunicação econômicos e aos desafios ligados às transformações tecnológicas.
