Há uma eletricidade no ar, uma rivalidade histórica a sustentar e, sobretudo, um lugar na final da Copa do Mundo de 2026 a conquistar, nesta quarta-feira (19h00 GMT) em Atlanta, entre a Inglaterra de Harry Kane e a Argentina de Lionel Messi, dois gigantes com trajetos conturbados. As meias-finais disputam o mesmo sonho; na cidade natal de Martin Luther King, partilham uma história comum que corre sobressaltada na Copa do Mundo e seguiram o mesmo caminho, estreito, nas jornadas decisivas. A Argentina passou por apertos contra Cabo Verde (3-2, prolongamento), contra o Egipto (3-2) e contra a Suíça (3-1, prolongamento), apesar de uma superioridade numérica por longos períodos. O seu próximo adversário teve dificuldades para virar frente aos Congoleses (2-1), suportou o apetite pela altitude frente ao México (3-2) e terminou exausto, na prorrogação, frente à Noruega (2-1) no calor de Miami. A batalha promete ser empolgante, especialmente no meio-campo, muito denso e sólido do lado argentino (Paredes, De Paul, Mac Allister e Enzo Fernández). Mas todos os olhos irão obrigatoriamente voltar-se para Messi, o génio dos campeões do mundo. Com 39 anos, oito vezes Ballon d’Or iluminou a Copa do Mundo com o seu talento intacto e os seus golos marcantes (oito), com uma capacidade de ir de “modo de poupança de energia”, caminhando e vasculhando os espaços disponíveis, a inspirações devastadoras.
«Todo mundo vai falar de Messi porque ele é um dos goats (melhor jogador de todos os tempos, nota do editor) do nosso desporto. Mas não podemos ignorar as qualidades e o talento que temos no nosso plantel; ofensiva, defensiva, a solidariedade. Temos tudo o que é necessário e é isso que teremos de mostrar na quarta-feira», sublinhou, contudo, o guarda-redes inglês Jordan Pickford.
A Inglaterra conta com o avançado mais prolífico da presente época, Harry Kane, uma parceria sólida Rice-Anderson no meio-campo, alas rápidos e habilidosos, e Jude Bellingham impressionante pela combatividade e pelo talento na posição 10.
As duas seleções já protagonizaram batalhas épicas neste torneio. Houve expulsões célebres, como as de Antonio Rattín em 1966 e David Beckham em 1998, e golos sensacionais: a cavalgada fantástica de Michael Owen em França-1998. E claro, doze anos antes, a “mão de Deus” entrelaçada quatro minutos depois pelo “gol do século” do lendário Diego Maradona. Este mítico par de tentos nas quartas de final, no estádio Azteca, ofereceu aos argentinos uma revanche simbólica face ao diferendo territorial sobre as Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, que deflagrou uma guerra em 1982 e que Buenos Aires ainda reivindica.
A história escreve-se na quarta-feira em campo. Em caso de vitória, os ingleses irão disputar a segunda final de Copa do Mundo da sua história, depois daquela conquistada em 1966 (o seu último título). Os campeões do mundo argentinos lutam, eles próprios, para disputarem uma segunda final consecutiva.
AFP
