Um estudo realizado por iniciativa do Comitê de Organização do Grand Magal de Touba recomenda estruturar melhor a economia local, apoiando-se nos valores do Mouridismo, no empreendedorismo e nas redes comunitárias, a fim de transformar o potencial econômico da cidade religiosa em empregos duráveis para os jovens.
Apresentado a poucos dias da celebração do Grand Magal 2026, prevista para o domingo 2 de agosto, este estudo de diagnóstico estratégico evidencia o paradoxo de uma cidade que é um dos principais polos econômicos do Senegal, mas onde os jovens continuam a enfrentar acesso limitado ao emprego, ao financiamento e à formação.
Conduzido por um grupo de especialistas chefiado, entre outros, pelo Prof. Djiby Diakhaté, com o apoio do Instituto Africano de Gestão (IAM), o estudo baseia-se numa pesquisa com jovens ativos e empreendedores, em entrevistas qualitativas, bem como nos dados da ANSD.
Os autores ressaltam que quase 48,2% dos jovens ativos de Touba criaram a sua própria atividade, ilustrando uma forte cultura empreendedora. No entanto, mais de 90% atuam no setor informal e quase 95% trabalham sem contrato nem proteção social.
O financiamento continua a ser o principal obstáculo ao desenvolvimento das atividades econômicas, de acordo com 92,2% dos jovens empreendedores entrevistados, enquanto os mecanismos públicos permanecem muito pouco mobilizados.
O estudo também destaca um descompasso entre as formações disponíveis e as reais necessidades da economia local. Mais da metade dos jovens nunca frequentou a escola formal e apenas 14,6% beneficiaram de uma formação profissional.
Os pesquisadores identificam vários setores com potencial para criar mais empregos, nomeadamente o comércio, a agroindústria, a construção, a logística, o digital, o turismo religioso e os serviços associados.
A pesquisa também evidencia o papel determinante dos dahiras, das redes confrarias, da diáspora e dos mecanismos tradicionais de solidariedade no financiamento, na formação, no aprendizado e no acesso aos mercados, considerando que esses recursos constituem uma vantagem competitiva própria de Touba.
Além disso, o estudo revela que 77,4% dos jovens entrevistados pretendem deixar o território, sinal de dificuldades persistentes de inserção profissional, apesar do dinamismo econômico da cidade.
Para inverter essa tendência, os autores propõem oito eixos prioritários, entre os quais a adaptação das formações às áreas com maior potencial, a melhoria do acesso ao financiamento, a transformação digital, o fortalecimento do empreendedorismo feminino, a implementação de uma governança territorial do emprego e uma melhor articulação das políticas públicas com instituições endógenas, como os dahiras e as tontines.
Por fim, os pesquisadores defendem um retorno aos princípios da doutrina de Cheikh Ahmadou Bamba, alicerçados no culto ao trabalho, à partilha, à solidariedade e à retidão, que consideram como uma base pertinente para promover um crescimento inclusivo e sustentável em benefício da juventude de Touba.
Salla GUEYE, enviado especial
