Arquitetando várias reformas mineiras na África Ocidental, negociador experiente de convenções extractivas e reconhecido especialista em fiscalidade mineira, Cheikhou Oumar Seck assume as rédeas do Ministério das Minas e da Geologia com uma ambição declarada: permitir que o Senegal aproveite mais plenamente seus recursos naturais. Retrato de um homem das sombras que se tornou um dos rostos da soberania econômica.
Uma nomeação que não é obra do acaso. Por trás desse profissional reconhecido na assessoria jurídica, fiscal e financeira, desenha-se o perfil de um homem que conhece os mecanismos de criação de valor nas indústrias extrativas e os motores que permitem aos Estados defenderem melhor seus interesses.
Cheikhou Oumar Seck dispõe de uma dupla competência rara: é contador certificado pelo Estado francês e detém um DESS em Direito Empresarial e Fiscalidade. Essa combinação lhe confere um domínio tanto técnico quanto jurídico dos desafios ligados às indústrias extractivas e à fiscalidade internacional.
Os 600 bilhões que consolidaram sua reputação em Bamako
Nos círculos mineiros da África Ocidental, Cheikhou Oumar Seck construiu uma sólida reputação através das grandes negociações entre Estados e empresas extrativas.
Especialista em fiscalidade mineira e petrolífera, acompanhou vários governos em missões de alto valor econômico.
Essa experiência inscreve-se em um percurso construído ao longo de mais de duas décadas na Mazars Senegal, onde dirigiu a linha de serviço jurídico e fiscal. Nesse cargo, aconselhou empresas de primeira linha no Senegal e na África Ocidental, ao mesmo tempo em que pilotava missões de auditoria e de estruturação em vários países, nomeadamente o Senegal, o Mali, a Guiné e a República Democrática do Congo.
Ele é hoje Diretor-Geral do escritório Leverage Conseil et Expertise, onde continua suas atividades de consultoria em fiscalidade, direito das empresas e acompanhamento estratégico de negócios. Sua expertise abrange sobretudo a otimização fiscal, a conformidade fiscal (tax compliance) bem como o auxílio em contenciosos fiscais.
Paralelamente às suas atividades profissionais, ele atua também no campo acadêmico lecionando fiscalidade na Universidade Cheikh Anta Diop de Dakar (UCAD) bem como na Universidade Gaston Berger (UGB) de Saint-Louis.
No Senegal, Cheikhou Oumar Seck desempenhou um papel central nos trabalhos da comissão encarregada da renegociação de convenções e contratos estratégicos. Responsável pela parte de auditoria das convenções mineiras, petrolíferas e gasíferas, atuou sob a direção do ex-primeiro-ministro Ousmane Sonko, e sua expertise foi publicamente reconhecida durante a apresentação das conclusões da comissão.
Ele também acompanhou o Ministério de Minas em vários projetos estruturantes ligados aos dados mineiros, aos postos de comércio de ouro, à valorização dos fosfatos bem como à preparação de dossiers estratégicos relativos às Indústrias Químicas do Senegal.
Um roteiro voltado para a soberania mineira
Sua primeira prioridade é concluir a reforma do Código Minero para adequá-lo às exigências de transparência, rentabilidade e equidade na partilha das receitas provenientes da exploração dos recursos naturais.
O novo ministro pretende também dar continuidade às negociações em curso com as empresas mineiras, num clima de serenidade, ao mesmo tempo em que reforça a capacidade do Estado de exercer um controle efetivo sobre as operações extrativas.
Outro grande projeto: a digitalização completa do setor, com a modernização da gestão dos títulos mineiros, a coleta e exploração de dados, bem como o acompanhamento das produções para uma melhor rastreabilidade.
A ambição declarada é também favorecer a transformação local dos minérios para criar mais valor agregado no território nacional e fortalecer os retornos industriais.
O Sr. Seck pretende, enfim, sanejar o setor, fortalecer as capacidades técnicas da administração mineira e ampliar a presença do Estado nos projetos estratégicos por meio da Sociedade das Minas do Senegal (Somisen), destinada a desempenhar um papel maior nas participações públicas e nas joint-ventures com os operadores privados.
Numa conjuntura de redefinição das relações entre Estados africanos e indústrias extractivas, Cheikhou Oumar Seck incorpora assim o perfil de um técnico que se tornou ator central na governança dos recursos naturais.
Por Salla GUÈYE


