Primeira mulher a chefiar o governo do Senegal, Mame Madior Boye, nascida em 7 de dezembro de 1940 em Saint-Louis e hoje com 85 anos, encarna um marco decisivo da alternância política de 2000, impulsionada pelo presidente Abdoulaye Wade. Sua nomeação em março de 2001 consagra não apenas a entrada de uma magistrada no topo do Executivo, mas também a entrada de uma mulher em uma função até então exclusivamente masculina na história do Senegal.
Ela cresce em Saint-Louis, numa família profundamente marcada pelo direito e pelo serviço público. Seu pai, escrivão que se tornou oficial de justiça, atua no universo judicial, enquanto seus parentes ocupam funções importantes no aparato do Estado: um irmão, Procurador-Geral junto ao Supremo Tribunal, outro, Kader Boye, professor de direito internacional privado e futuro reitor da Universidade de Dakar. Nesse ambiente, o direito não é uma escolha, mas uma continuidade natural.
Após o Liceu Faidherbe de Saint-Louis, ela ingressou em 1963 na Faculdade de Ciências Jurídicas e Econômicas da Universidade de Dakar. Prosseguiu então sua formação no Centro Nacional de Estudos Judiciários de Paris, até 1969, onde se especializou na magistratura.
De volta ao Senegal, ela ingressa na Justiça e constrói uma carreira marcada pela rigidez e pela progressão metódica. Juíza substituta, vice-presidente do Tribunal Regional de Dakar, presidente de jurisdição, e depois presidente de câmara no Tribunal de Apelação, ela se impõe em um universo exigente, com reputação de seriedade e domínio do direito.
Ela prossegue então a carreira como conselheira na Corte de Cassação, antes de ser destacada por dez anos à Companhia Bancária da África Ocidental, de 1990 a 2000. Essa experiência no setor financeiro completa seu perfil de alta técnica do Estado.
Paralelamente ao seu percurso profissional, ela se dedica à causa feminina e torna-se a primeira presidente da Associação de Juristas do Senegal, que dirigiu de 1975 a 1990. Lá, trabalha pela promoção dos direitos das mulheres e pelo fortalecimento de seu lugar nas instituições e na sociedade.
A alternância política de 2000 abre uma nova sequência. Ela é nomeada Ministra da Justiça no primeiro governo do presidente Wade, antes de ser chamada alguns meses depois para dirigir o governo do Senegal. Sua nomeação em março de 2001 faz dela a primeira mulher Primeira-Ministra do país.
Sua passagem pelo gabinete do Primeiro-Ministro foi marcada por uma provação nacional de grande envergadura: o naufrágio do navio Le Joola em 2002. Esse drama abala profundamente o país e constitui uma virada política e humana que conduz ao fim de seu mandato.
Depois de deixar o governo, ela continua seu compromisso a nível continental, colaborando com a União Africana em questões de proteção de civis em zonas de conflito, intervindo em várias regiões atingidas por crises.
Seu percurso permanece o de uma mulher do direito, moldada pelo rigor das instituições e por um senso constante de serviço público, cuja posição na história política do Senegal permanece profundamente marcante.
Papa Abdoulaye Sy
