Com « Xel mooy dawal », apresentado no Museu Théodore Monod de Arte Africana, Cheikh Diallo transforma o « Njaxas » popular em uma cartografia nervosa do Senegal contemporâneo, onde os tecidos costuram menos formas do que revelam fissuras morais. Em composições atravessadas por colisões cromáticas e silêncios pesados, o artista faz do têxtil uma matéria psicológica capaz de contar o congestionamento das consciências e o cansaço de uma sociedade que fala sem mais se ouvir. A exposição está aberta até 15 de setembro de 2026.
Há ainda artistas capazes de transformar o tecido em abalo interior. Homens que tomam uma matéria quotidiana: um pagne gasto, um retalho de Bazin, uma costura popular, para fazerem de si uma radiografia moral de sua época. E eis que Cheikh Diallo confirma sua pertença a essa categoria. Sua exposição « Xel mooy dawal », apresentada atualmente no Museu Théodore Monod de Arte Africana até 15 de setembro, não busca seduzir de imediato nem agradar o olhar. Ela incomoda primeiro. Lentamente. Como uma verdade que se tenta evitar, antes de se instalar na mente com uma obstinação notável. Pois em seu trabalho, o têxtil sussurra o que a sociedade senegalesa às vezes recusa reconhecer.
O alfaiate dos vertígios senegaleses
Cheikh Diallo trabalha o têxtil como um escritor trabalha a frase: por rupturas, retomadas, síncopes e respirações. Suas obras avançam por rupturas cromáticas. Um vermelho incandescente vem bater brutalmente numa superfície terrosa; um preto profundo fractura o espaço; curvas brancas serpenteiam entre as figuras como uma escrita criptografada. Nada é deixado ao acaso. Mesmo o vazio parece costurado. O mais fascinante continua sendo essa capacidade de fazer do tecido uma matéria psicológica. Seus quadros não representam simplesmente cenas; colocam em cena estados mentais. « É o entupimento das consciências. O barulho digital. A fadiga coletiva. A brutalidade verbal que se tornou a norma de comunicação nacional », diz ele. O próprio título da exposição atua como uma pancada filosófica: « Xel mooy dawal » (nota do editor: é a razão que orienta). « Todo o paradoxo contemporâneo do Senegal está nesta fórmula. Jamais a palavra circulou tanto; jamais o pensamento pareceu tão ameaçado pelo ruído », explica o artista. E isso ele encara com uma lucidez quase dolorosa. Seus personagens parecem presos em uma circulação sem destino. O artista atinge aqui algo profundamente senegaleses sem jamais cair no folclore sociológico. Essa é a sua grande elegância.
Ele não caricatura o país; ele traduz as vibrações interiores dele. E é aí que os tecidos se transformam em camadas de memória coletiva: Bazin das cerimônias, wax urbano, tecidos populares, extratos de nascimento, faturas de eletricidade, materiais recuperados, fragmentos do cotidiano. Cada peça carrega em si a marca de uma vida anterior. Sente-se também, em suas composições, a influência do teatro e da cenografia que ele praticou com o grupo « Doomou Africa ». Muitos quadros parecem cenas suspensas pouco antes de uma catástrofe ou de uma revelação. Há silêncio neste tumulto visual. Um silêncio denso. Aquele das sociedades que avançam mais rápido do que sua própria reflexão.
Mas reduzi-lo a um artista « engajado » seria um erro crítico. A obra dele vai muito além do comentário social. Ela aborda uma questão mais ampla: como continuar a fazer humanidade num mundo saturado de velocidade, de violência simbólica e de confusão?
Na paisagem das artes visuais do Senegal, poucos artistas hoje conseguem alcançar esse ponto de equilíbrio entre domínio técnico, profundidade filosófica e singularidade estética. Muitos produzem imagens; Cheikh Diallo produz uma atmosfera mental. E é precisamente isso que torna esta exposição mais que original. Além de sua beleza, ela pensa o Senegal. Pensa a nossa época.
Em um mundo cultural muitas vezes dominado pela imediatidade e pelas obras de consumo, Cheikh Diallo impõe uma temporalidade diferente: a dos artistas que pedem ao observador que desacelere, observe, conecte os sinais.
Ou, em outras palavras: retornar à razão. « Xel mooy dawal ». Tudo já estava ali, no título.
Adama NDIAYE
