É pouco mais de 9 horas quando as portas do Centro Nacional de Transfusão Sanguínea (Cnts) se abrem para um fluxo contínuo de visitantes. No pátio, veículos entram e saem. No interior do edifício, a atmosfera é calma, porém a atividade é intensa. Por ocasião do Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado ontem, 14 de junho, muitos voluntários deslocaram-se para cumprir um gesto simples, porém vital: doar sangue.
Na sala de espera, os perfis misturam-se. Sentado numa fileira de cadeiras, um homem na casa dos cinquenta anos, vestindo um grande boubou azul-céu, troca algumas palavras com um agente de acolhimento. Ao lado dele, uma jovem estudante de jeans e camisa branca segura nervosamente a ficha de inscrição entre as mãos. Um pouco mais longe, dois colegas de escritório, ainda trajando seus ternos profissionais, discutem a experiência da doação. Nos rostos lê-se por vezes apreensão, mas muitas vezes determinação. Antes de entrar nas salas de coleta, todos devem passar pelas consultas médicas.
As portas abrem-se e fecham-se sem interrupção. No interior, os agentes de saúde procedem às verificações habituais. Peso, tensão arterial, níveis de hemoglobina, antecedentes médicos: cada detalhe conta. Num corredor, uma jovem sai da consulta com um sorriso tranquilizador. «É a minha primeira doação. Tinha muitas preocupações antes de vir. Mas tudo me foi explicado. Sinto-me confiante», confia ela. Alguns minutos depois, ela junta-se à sala de coleta. A sala está banhada por uma luz branca. Uma dezena de cadeiras ali está alinhada. Em cada uma delas, um dador estende o braço enquanto os enfermeiros se ocupam dos dispositivos de coleta. Os sacos transparentes vão enchendo-se progressivamente de um líquido vermelho-escuro que poderá, nos próximos dias, salvar várias vidas. Deitado numa cadeira, Moussa Diop, na casa dos trinta, observa tranquilamente o teto.
Alto, de corpulência atlética, vestindo uma camiseta preta e uma calça de desporto, ele está no seu oitavo don. «A primeira vez foi para um familiar hospitalizado. Depois dessa experiência, compreendi que as necessidades são permanentes. Desde então, eu ofereço doação regularmente. Às vezes gastamos dinheiro para ajudar os outros. Doar sangue não custa nada e pode salvar uma vida», explica‑lhe.
À distância de alguns metros dele, Awa Fall observa com curiosidade o saco pendurado ao lado de sua cadeira. Aos 23 anos, esta estudante realiza a sua primeira doação. Os dedos apertam levemente o apoio de braço, mas o sorriso retorna rapidamente. «Tinha medo de agulhas. Honestamente, cheguei a pensar em desistir hoje de manhã. Mas quando se ouve falar de mulheres que perdem muito sangue durante o parto ou de acidentados que precisam de uma transfusão, percebe-se que é preciso agir», explica‑lhe.
Na sala, os enfermeiros passam de um doador ao outro. Uma palavra tranquilizadora por aqui, uma verificação por ali. Uma presença discreta, mas essencial. Assim que a doação termina, os voluntários são encaminhados para um espaço de descanso. Ao redor das mesas, garrafas de água, sucos de frutas e biscoitos são postos à sua disposição. As conversas vão-se tornando mais animadas. Mamadou Ba, taxista de 42 anos, saboreia um sumo após a sua doação. O casaco fluorescente dele repousa sobre o encosto da sua cadeira. «Muita gente pensa na doação de sangue apenas quando um familiar está hospitalizado. No entanto, todos os dias há pessoas que precisam de sangue sem que saibamos. Se cada um doar pelo menos uma vez por ano, não haveria mais pénurie», afirma ele.
Por Amadou KÉBÉ
