Uma patrulha de fim de tarde terminou com dois militares da GNR feridos por disparos de fogo-de-artifício num bairro do concelho de Loures, na Área Metropolitana de Lisboa. Segundo fonte do Comando Territorial, os agentes foram surpreendidos por uma emboscada enquanto circulavam numa viatura identificada. Os estilhaços atravessaram uma janela aberta e atingiram o interior do habitáculo, provocando ferimentos e um forte trauma acústico.
O incidente
O ataque ocorreu na sexta-feira, 19 de setembro, por volta das 20h30, numa zona residencial de Frielas, onde equipas da GNR realizavam patrulhamento de proximidade. De acordo com relatos recolhidos no local, um indivíduo terá aguardado a passagem da viatura e disparado engenhos de pirotecnia direcionados. Testemunhas referem uma sequência de três a quatro estoiros, seguida de gritos e manobras de evasão. A viatura sofreu danos no vidro lateral e na carroçaria, enquanto os militares foram assistidos no terreno por colegas e meios de emergência.
Estado clínico e assistência
Os dois militares sofreram lesões consideradas ligeiras, mas apresentam sintomas de surdez momentânea e dores de cabeça persistentes. O impacto acústico dos engenhos de pirotecnia em espaço confinado pode causar zumbidos e tonturas, exigindo observação médica. Após avaliação no hospital, foi determinada uma baixa de sete dias, medida que visa prevenir complicações de audição e permitir recuperação integral. As equipas de intervenção da GNR reforçaram o patrulhamento no perímetro para garantir a segurança da população.
Investigação em curso
A investigação está a cargo da GNR, que recolhe provas, analisa imagens de videovigilância e procura testemunhas no bairro. O autor do ataque terá agido de forma planeada, escolhendo um ponto de passagem com pouca iluminação e fácil fuga. As autoridades pedem a colaboração de quem tenha visto movimentos suspeitos ou adquirido material de pirotecnia nos últimos dias. A coordenação com a Polícia Judiciária não está excluída, caso surjam indícios de criminalidade organizada.
“Foi uma emboscada dirigida contra agentes em serviço, com recurso a artefactos que podem causar lesões graves e colocar moradores em risco”, afirmou uma fonte oficial da GNR, sublinhando que “qualquer uso de pirotecnia para intimidar ou atacar é um ato criminoso e terá resposta firme”.
Enquadramento legal e riscos
O uso indevido de fogo-de-artifício é proibido sem licença e enquadra-se em várias tipificações penais, desde dano qualificado a ofensa à integridade física. Além do ruído intenso, os projéteis libertam estilhaços e chamas, aumentando o risco de queimaduras e incêndio em áreas urbanas. Em contexto operacional, estes engenhos podem desorientar condutores, provocar perdas de controlo e expor terceiros a impactos acidentais. As forças de segurança recordam que a venda e utilização de artefactos pirotécnicos estão sujeitas a regras estritas.
Como agir se testemunhar situações semelhantes
- Ligar de imediato para o 112, indicando localização precisa e descrição do ocorrido.
- Evitar aproximar-se do local, reduzindo o risco de lesões por novos disparos.
- Registar, a partir de um ponto seguro, características de suspeitos e eventuais rotas de fuga.
- Não manusear engenhos não deflagrados, informando as autoridades competentes.
- Colaborar com depoimento formal, garantindo que a investigação seja mais célere.
Reações locais e medidas preventivas
Moradores expressaram preocupação com a escalada de incivilidades, pedindo mais presença de patrulhas e melhoria da iluminação pública. A autarquia de Loures manifestou total solidariedade com os militares e anunciou a avaliação de câmaras adicionais em pontos de risco. Associações de vizinhos sublinham a necessidade de programas de mediação comunitária e ações de sensibilização nas escolas, especialmente em períodos de maior uso de pirotecnia. Especialistas lembram que a prevenção passa por atuação rápida, mapeamento de ocorrências e articulação entre forças de segurança, proteção civil e serviços de saúde.
A GNR reforçou a aposta em patrulhamento direcionado, operações de fiscalização a fornecedores ilegais e ações de proximidade com moradores. A comunidade é chamada a desempenhar um papel ativo, denunciando práticas perigosas e apoiando quem zela pela ordem pública. Apesar do choque inicial, as autoridades garantem que a segurança da zona está a ser assegurada, empenhadas em identificar o autor e impedir novos atos de violência com recurso a pirotecnia.
