Depois de 26 anos (1974-2000) de oposição ao regime socialista dos presidentes Léopold Sédar Senghor e Abdou Diouf, o fundador do Partido Democrático Senegalês (PDS), Me Abdoulaye Wade, tornou-se presidente da República do Senegal de 2000 a 2012. Um retorno à trajetória política conturbada do «Pape do Sopi». Um grande servidor do Estado e da República que levou uma vida de combates multifacetados a serviço das conquistas democráticas para a consolidação do Estado de direito e a emancipação do povo senegalês.
Foi uma promessa que era celebrada pelo «Pape do Sopi». «Eu nunca vou pisar em cadáveres para entrar no Palácio», havia afirmado o opositor aos regimes socialistas, Me Abdoulaye Wade. Ele manteve a promessa e contribuiu assim para a consolidação da democracia senegalesa. A recomposição do espaço político que se iniciou desde o Bloc démocratique sénégalais (BDS) de Léopold Sédar Senghor, a seção francesa da Internacional Socialista (SFIO) de Lamine Coura Guèye Bakr Waly e do Parti du regroupement africain – Sénégal (Pra-Sénégal), único partido legal da oposição no Sénégal pós-independência após a crise de dezembro de 1962, foi seguida pela fusão-dissolução dos partidos da esquerda plurielle marxista-leninista da época (PIT) recomposta. Nesta conjuntura de um partido único de fato sob o regime socialista encarnado pela União Progressiste Sénégalaise (UPS) dirigida pelo presidente-poeta, nasceu o Partido Democrático Senegalês (PDS), em 18 de julho de 1974, anunciado desde Mogadíscio por Me Abdoulaye Wade.
«Era o período do barracuda com os peixinhos», dizia à época o fundador e secretário-geral nacional da nova formação política que, nos seus primeiros passos, reclamava-se como «Partido da contribuição» para melhor fisgar o presidente Léopold Sédar Senghor. No contexto da abertura democrática promovida pelo presidente Senghor, marcada pela instituição, em 1976, de um multipartidarismo limitado a quatro correntes ideológicas, a UPS transformou-se em Partido Socialista (PS) para facilitar a sua adesão à Internacional Socialista.
Foi nessa nova configuração política que o PDS realizou seu primeiro congresso em Kaolack, em janeiro de 1976, marcando assim uma etapa importante na sua implantação no cenário político nacional. Depois desse primeiro ato do partido liberal, Me Abdoulaye empreendeu a malhação territorial do partido. Em pouco tempo e contra todas as probabilidades, o partido e a «ideologia wadiste», uma doutrina de ação, de audácia e de infraestruturas de grande envergadura, moldaram seguidores. Me Abdoulaye Wade tornou-se rapidamente líder carismático da oposição radical ao regime socialista daquela época do presidente Senghor, que encurtou seu mandato quinquenal (1978-1983). Em 1976, as eleições no Senegal ainda eram regidas por leis coloniais, incluindo um decreto do Conselho Legislativo de Napoleão III de 1852.
O PDS, que havia realizado seu primeiro congresso em Kaolack em março de 1976, entrou na batalha por um Código Eleitoral senegalês. Assim, graças à compreensão do presidente Senghor, cujo partido, a UPS, renomeada PS, havia integrado a Internacional Socialista, o Senegal foi contemplado com uma lei eleitoral em 26 de agosto de 1976, cuja tríade de disposições era essencial na época. Em primeiro lugar, a instituição do escrutínio proporcional para permitir que a oposição assediasse assentos na Assembleia Nacional, enquanto o sistema ainda era majoritário de lista única, em um turno. Em seguida, houve pela primeira vez a presença de um监察r da oposição na mesa de votação, ao lado do poder socialista.
Por fim, outro ganho importante foi a possibilidade de a oposição estar presente nas comissões de recenseamento de votos, ter acesso aos cadernos de ata das mesas de votação para controlar seu conteúdo e os cálculos-base para a proclamação dos resultados. Porém, com a demissão do presidente-poeta em 31 de dezembro de 1980, seu sucessor designado, o ex-primeiro-ministro Abdou Diouf, iniciou em março de 1981 a elaboração de um novo Código Eleitoral “sob medida”.
Aprovada pela Assembleia Nacional em setembro do mesmo ano, a nova legislação eleitoral, em total antipodal a qualquer moralidade política, reacendeu a fraude eleitoral que já havia sido institucionalizada com um artifício de duplicidade. Tais práticas levaram à supressão das três vantagens acima mencionadas, restringindo o acesso da oposição à televisão nacional e à rádio. As eleições presidenciais de 1983 e 1988 constituem momentos determinantes na história política do Senegal e no ascendente de Abdoulaye Wade como principal líder da oposição. Diante do presidente Abdou Diouf, Wade impôs-se progressivamente como a alternativa credível ao poder socialista, congregando em torno dele uma oposição cada vez mais estruturada. A contagem de 1988, marcada por intensas contestações e tensões políticas, evidenciou a necessidade de um quadro eleitoral mais consensual. Essa exigência resultou na adoção do Código consensual elaborado sob a égide do magistrado Kéba Mbaye, considerado um avanço crucial para a transparência e credibilidade das eleições.
Ao longo dos anos, Wade conseguiu reunir grande parte das forças da oposição em torno de um objetivo comum: a alternância democrática. Essa dinâmica unitária, aliada ao desgaste do poder socialista, após quatro décadas de governo, conduziu ao histórico triunfo do PDS nas eleições presidenciais de março de 2000, consagrando a primeira alternância democrática no topo do Estado senegalês e a recompensa de 26 anos de oposição democrática ao regime socialista no poder.
Mamadou Lamine DIÈYE
