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Surpresa em Beja: o meio de transporte gratuito que está a fazer furor

Em Tomar, um vaivém gratuito da Nabão Mobilidade tornou-se parte do quotidiano de muitos moradores. Lançado em fevereiro de 2019, o miniautocarro circula pelo centro histórico, é acessível a pessoas com mobilidade reduzida e apresenta-se como alternativa ao automóvel. Em poucos anos, o serviço conquistou adeptos que já não dispensam esta forma simples de se deslocar.

Um transporte público sem paragens fixas

O vaivém, com cerca de 20 lugares (14 sentados), circula de segunda a sábado, das 7h15 às 10h30 e das 15h às 19h30. Faz uma única rota em laço, ligando a Estação de Tomar ao Parque do Mouchão, passando pelas artérias mais movimentadas do centro.

Não há paragens fixas: basta fazer-lhe sinal para subir ou descer. A simplicidade do gesto tem um objetivo claro.

“Queremos habituar as pessoas a um outro modo de se mover e ajudá-las a deixar o carro em casa.”

Catarina Bernardes, vereadora da Mobilidade na Câmara Municipal de Tomar.

Com uma passagem a cada 20 a 25 minutos, o miniautocarro completa cerca de três voltas por hora. O ponto nevrálgico é a Estação, verdadeiro hub onde confluem as linhas A, B, C e o TAD (transporte a pedido) para as freguesias e lugares periféricos.

O miniautocarro oferece cerca de 20 lugares, dos quais 14 sentados. ©Le Républicain 47 / Tomy Rigouleau

Que utilização e quanto custa?

Segundo a Nabão Mobilidade, o vaivém transportou cerca de 27 000 passageiros em 2024, um crescimento de 35% face a 2023. Em média, são próximos de 90 utilizadores por dia, o que dá cerca de três pessoas por volta, por um custo anual a rondar os 170 000 € (TTC), ou 6,30 € por viagem para a autarquia.

Num orçamento global de cerca de 2,3 milhões de euros para toda a rede, a fatia dedicada ao vaivém do centro representa aproximadamente 7%. Para facilitar a adesão, a aplicação Pysae permite seguir o miniautocarro em tempo real, reduzindo esperas e incertezas.

“Uma rede de transportes leva tempo a enraizar-se nos hábitos”, sublinha Emília Recoquilhão, responsável pelo serviço de Transportes. A comunicação contínua e a fiabilidade dos horários são hoje as chaves da confiança.

Um serviço aplaudido, mas ainda discreto

Numa viagem de teste, em 20 minutos subiram três passageiros, incluindo uma mãe com carrinho de bebé. No interior, o ambiente é acolhedor e o motorista cumprimenta os habituais pelo nome.

“Uso-o para ir às compras e aos meus consultas”, diz uma utente. Luísa, de 80 anos, moradora da periferia, é uma convicta defensora: “É prático, é gratuito e os motoristas são simpáticos.”

Francisco, motorista há três anos, confirma a proximidade: “Vemos muitas caras conhecidas. De manhã há mais procura perto das escolas, e às sextas o mercado puxa muita gente.”

Há espaço para melhorar, como reforçar a lotação nas horas de ponta, mas o balanço é positivo. O contrato com o operador está ativo até 2028 e deverá ser renovado, se a procura continuar a crescer.

  • Ligação direta à Estação e aos principais serviços do centro.
  • Acesso simples, sem paragens fixas e com tempo real na app.
  • Autocarro gratuito, que reduz custos e emissões locais.
  • Veículo acessível a utilizadores com mobilidade reduzida.
  • Frequência de 20-25 minutos, adequada às tarefas do dia a dia.

Apesar do boca-a-boca favorável, o serviço ainda é pouco conhecido fora do centro. Para o dar a conhecer, todas as linhas da Nabão Mobilidade (A, B, C, T e TAD) serão gratuitas nos dias 17 e 18 de setembro. Haverá um balcão informativo na manhã de quinta-feira, dia 18, no átrio da Estação de Tomar, entre as 7h30 e as 12h.

Para muitos, este pequeno vaivém tem um grande efeito: aproxima bairros, poupa tempo e devolve o centro a quem prefere andar a ou de transporte público. Se a tendência se mantiver, Tomar poderá ser um exemplo de como soluções simples conseguem mudar hábitos.

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