Com zero pontos em dois jogos e um saldo de gols negativo (-3), o Senegal não tem mais margem de erro. Para esperar carimbar seu passaporte para as oitavas de final pela via dos melhores terceiros, os homens de Pape Thiaw precisam não apenas vencer o Iraque, mas fazê-lo com autoridade, e, sobretudo, contar com ventos favoráveis nos demais jogos para aspirar figurar entre os melhores terceiros.
O balanço dos dois primeiros jogos do Senegal não deixa dúvidas. Derrotados por 3-1 pela França, após um primeiro tempo sólido, os Leões acabaram caindo 3-2 diante da Noruega de Erling Haaland, que anotou mais um doblete decisivo. Em ambos os casos, o roteiro se repetiu: uma equipe senegalesa capaz de competir em sequência, mas incapaz de manter o ritmo ao longo do tempo contra adversários mais afiados nas transições.
Resultado: seis gols sofridos em dois jogos, e a posição de lanterna do grupo I, empatado em pontos (0) com o próprio Iraque.
A solidez defensiva, o desafio número 1
Este é o ponto que todo mundo espera ver corrigido. Na derrota para a Noruega, a defesa senegalesa voltou a mostrar sinais preocupantes. Uma saída de bola mal executada pelo capitão Kalidou Koulibaly não abriu caminho para o primeiro gol adversário. O mesmo Koulibaly acabou sendo colocado em dificuldade no gol do empate, símbolo de uma dupla de zaga que falha nos momentos-chave.
Vários problemas aparecem na análise dos dois jogos: perdas de bola evitáveis na fase de transição, transformadas em oportunidades imediatas para o oponente; um desequilíbrio nas transições defensivas, a equipe tendo dificuldade para se recompor após suas próprias perdas de bola — uma vigilância que cai após os momentos de pressão, o que custou caro no final do primeiro tempo contra a Noruega
Para esta partida decisiva, Pape Thiaw terá de agir sem o seu goleiro titular Édouard Mendy, que saiu lesionado no joelho contra a Noruega e está indisponível para este jogo. É Mory Diaw (Le Havre) quem deve substituí-lo entre as traves. No restante, o treinador deve privilegiar a continuidade, mantendo Koulibaly no eixo apesar dos erros recentes, em vez de optar pelo jovem Mamadou Sarr ou pelo experiente Abdoulaye Seck.
As coisas a mudar para esta 3ª jornada
Além do setor defensivo, várias ajustagens são esperadas:
- Recuperar o rigor nos primeiros vinte minutos. Contra a França, assim como contra a Noruega, o Senegal vacilou após um bom começo; agora é preciso transformar esses momentos de domínio em gols, em vez de oportunidades desperdiçadas.
- Gerir melhor as transições após perda de bola. As lacunas na recomposição defensiva custaram gols; um pressing mais coordenado após as perdas de bola é indispensável.
- Converter a posse de bola em diferença de gols. Uma vitória apertada provavelmente não será suficiente: com um saldo de -3 gols, o Senegal precisa buscar uma vitória expressiva para aspirar figurar entre os melhores terceiros.
- Apoiar-se em suas individualidades ofensivas. Ismaïla Sarr, autor de um doblete contra a Noruega, e Sadio Mané, que disputa seu último Mundial, precisam impor pressão no jogo desde o apito inicial, em vez de se revelar apenas no término.
- Uma equação favorável no papel
Boa notícia para os Leões: o Iraque chega a este jogo muito desfalcado. Privados de Aymen Hussein, o único artilheiro do torneio, machucado contra a França, os iraquianos marcaram apenas um gol em dois jogos e sofreram sete. No papel, é o adversário mais acessível que o Senegal poderia esperar para este encontro decisivo.
Mas as duas primeiras jornadas mostraram que o perigo, para esta equipe senegalesa, costuma vir de si mesma. A qualificação dependerá tanto da cabeça quanto dos pés: manter a disciplina coletiva por 90 minutos, não afrouxar a pressão após abrir o placar, e buscar uma vitória ampla para reverter um saldo de gols comprometido. O encontro está marcado para as 19h GMT para saber se os Leões retornarão à sua identidade defensiva a tempo de salvar o seu Mundial.
Oumar Boubacar NDONGO
