Especialistas governamentais e jurídicos levam lições anticorrupção às salas de aula portuguesas
Mais do que 200 especialistas – incluindo o Primeiro-Ministro, magistrados e juristas – estão a visitar escolas em Portugal esta semana para ensinar aos alunos sobre ética, integridade e prevenção da corrupção. A iniciativa, denominada Dias da Integridade e Anticorrupçãovai até sexta-feira e atinge aproximadamente 40.000 alunos em escolas públicas e privadas de todo o país.
Um esforço nacional para construir a integridade desde o início
O Ministério da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, o Ministério da Justiça de Portugal e o Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC) organizou conjuntamente o que as autoridades descrevem como a maior campanha de sensibilização alguma vez realizada nas escolas portuguesas sobre esses tópicos. Mais do que 250 escolas participam, do continente ao Regiões Autónomas do Açores e Madeira.
Alexandre Homem Cristo, secretário de Estado da Educação, e José Mouraz Lopes, presidente do MENAC, disseram ao podcast da agência Lusa que o combate à corrupção começa pela prevenção e pelo comportamento individual. Homem Cristo disse que ouvir figuras como o Primeiro-Ministro ou o director do Polícia Judiciária tem um peso diferente para os alunos, mesmo que a mensagem central permaneça consistente.
A escola como espaço onde a cidadania se enraíza
Ambos os responsáveis sublinharam que as escolas são onde as crianças aprendem o valor do comportamento ético e do cumprimento das regras. “A escola é o espaço onde se aprende a cidadania”, afirmou Homem Cristo. Mouraz Lopes acrescentou que as escolas podem ir mais longe, funcionando como motor para desenvolver mecanismos que combatam os riscos de corrupção.
O presidente do MENAC pretende dizer aos estudantes que Portugal “não é um país corrupto” e que o cargo político decorre do dever cívico e não de interesses financeiros obscuros. “É o exercício da cidadania, representando o melhor que queremos para o país”, afirmou.
Da ‘cunha’ à dinâmica de sala de aula: tornando a ética prática
O programa não foge de tópicos culturalmente carregados. As discussões podem começar com o que Homem Cristo chamou a cultura da ‘cunha’, favoritismo ou nepotismo. Os professores podem usar técnicas simples de sala de aula — como organizar uma loteria justa — para mostrar aos alunos como preconceitos naturais podem distorcer decisões, mesmo quando não intencionais.
“Os professores tentam garantir que todos tenham as mesmas oportunidades e, por vezes, há formas de fazer sorteios ou de mostrar que existem preconceitos que são naturais e não mal intencionados, mas que devem ser evitados na tomada de decisões”, explicou Homem Cristo.
Mouraz Lopes observou que as pessoas tomam decisões desde a escola primária até ao fim da vida, por isso uma cultura de integridade deve abranger todos os níveis de educação. O MENAC fornecerá materiais pedagógicos online para apoiar os professores na continuação destas conversas muito depois da saída dos oradores convidados.
Um primeiro passo em direção a uma mudança cultural de longo prazo
A iniciativa enquadra-se no Cidadania e Desenvolvimento currículo, especificamente a dimensão Democracia e Instituições Políticas. O objetivo é desenvolver a alfabetização em transparência e valores cívicos.
Esta semana marca apenas o começo, segundo os organizadores. “Isto é a prevenção da corrupção através do aprofundamento do que são integridade e ética – algo que leva tempo a construir”, disse Mouraz Lopes. “Este princípio é fundamental: começando a construir uma cultura para todas as escolas, para todas as idades isso obviamente se desenvolverá nos próximos anos.”
Para pais e alunos, a mensagem é clara: a tomada de decisões éticas não cabe apenas aos políticos ou juízes, mas é uma prática diária que molda o modo como o país funciona.
