O aumento do combustível não deve provocar uma nova alta nas tarifas de transporte. Esta é a posição defendida por Gora Khouma, presidente da União dos Caminhoneiros do Senegal, que convoca os profissionais do setor a manterem os preços praticados até o momento, para não agravar ainda mais as despesas dos usuários.
O líder sindical pediu aos envolvidos do setor que demonstrem responsabilidade. Ele descreveu a subida dos preços na bomba como «uma má notícia», admitindo, contudo, que as tensões na região do Golfo podem explicar essa tendência nos mercados internacionais. Este reajuste ocorre num contexto de forte pressão sobre as contas públicas. Em 3 de agosto, o preço do barril estava em torno de 88 dólares, frente aos 64 dólares previstos originalmente.
Para atenuar o impacto sobre os consumidores, o governo destinou 729 bilhões de FCfa para subsídios energéticos em 2026, comparado a 412 bilhões de FCfa em 2025, e realocou 687,2 bilhões de FCfa para manter estáveis os preços nos postos de combustível. Segundo Gora Khouma, as famílias já não conseguem absorver mais esse encargo. «As populações não podem acompanhar esse ritmo», afirmou, acrescentando que não devem «arcar com os prejuízos». Assim, os autocarros rápidos, os Ndiaga Ndiaye e os táxis amarelos ficam no centro das preocupações. Qualquer repercussão dos aumentos de combustível sobre as tarifas poderia tornar ainda mais onerosos os deslocamentos diários. No entanto, o responsável sindical assegura que os transportadores não vão cruzar esse limite.
«Nós, os operadores rodoviários, não responderemos a esse aumento elevando os preços do transporte, o que não faremos», afirmou. Uma posição também defendida por Momar Ndao, presidente da Ascosen, que avisa que «nenhuma elevação das tarifas de transporte será tolerada». Ele lembra que a associação dele já havia pedido uma redução das tarifas em dezembro de 2025, proposta contra a qual os sindicatos se opuseram. Por ora, mantém-se o status quo. Um cessar-fogo que protege os usuários, mas coloca os transportadores diante de uma equação mais delicada, entre o agravamento de seus encargos e a necessidade de preservar suas margens.
P. NIANG
