Porto fixa prazo de dezembro para projeto do Metrobus após meses de atrasos
O presidente da Câmara do Porto emitiu um prazo firme para o projeto do Metrobus, há muito adiado: conclusão até 31 de dezembro de 2024. A mudança surge na sequência do fracasso do empreiteiro em cumprir a meta original de outubro, provocando frustração entre os residentes que dependem da nova linha de trânsito para ligar centros importantes como a Casa da Música, a estação de Campanhã e o centro da cidade.
O sistema Metrobus movido a hidrogénio foi concebido como um divisor de águas para a mobilidade urbana sustentável. Mas meses de contratempos na construção – incluindo problemas na cadeia de abastecimento e atrasos nas autorizações – deixaram os passageiros à espera mais tempo do que o esperado. As autoridades municipais alertam agora que quaisquer atrasos adicionais poderão provocar sanções financeiras.
Infraestrutura para ciclismo ainda atrasada
Embora o Metrobus seja manchete, muitos residentes do Porto dizem que o plano mais amplo de mobilidade da cidade permanece incompleto. Apesar dos compromissos assumidos em 2023, apenas 12% das ciclovias planeadas foram construídas, deixando os ciclistas a circular em estradas movimentadas sem alternativas seguras.
“Disseram-nos para usarmos transportes públicos, mas não há forma segura de chegar à paragem de autocarro”, disse Maria Silva, uma estudante em Aldoar. “A cidade fala em mobilidade verde, mas só constrói o que fica bem nos cartazes.”
Terminal de Campanhã: um sistema em crise
O principal nó de transporte da cidade, Campanhã, continua a ser afectado por sinalização inadequada, longos tempos de espera e más acessibilidades. Muitos passageiros chegam para sua conexão Metrobus apenas para encontrar plataformas superlotadas e sem atualizações em tempo real.
O grupo de defesa local Porto em Movimento apelou a uma auditoria urgente à infra-estrutura do terminal, chamando-o de um “gargalo” que mina toda a rede de transporte público.
Caos da Trotinette e lacunas regulatórias
Para agravar o problema, as scooters elétricas continuam a inundar as calçadas devido à fraca fiscalização local. Apesar de um decreto municipal de 2023 exigir o uso de capacete e limites de velocidade, poucos controles estão em vigor – e as multas são raras.
“É perigoso”, disse João Ribeiro, entregador. “Agora os pedestres e as scooters compartilham o mesmo espaço. A cidade precisa agir, não apenas aprovar leis.”
Aumento do uso do transporte público – mas a confiança está caindo
Segundo dados do Metro do Porto, o número de passageiros nos transportes públicos cresceu 18% desde o ano passado, impulsionado pelos elevados preços dos combustíveis e pela consciência ambiental. No entanto, a confiança no sistema diminuiu, com 61% dos inquiridos num recente inquérito municipal a dizer que o serviço não é fiável ou é mal mantido.
À medida que dezembro se aproxima, todos os olhos estão voltados para o Metrobus. Mas os moradores são claros: um único projeto não consertará um sistema quebrado. Exigem uma revisão da mobilidade coordenada e equitativa – e não apenas mais um compromisso adiado.
