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Polémica em Setúbal: chegada inesperada de dezenas de caravanas itinerantes agita a cidade

ATUALIZAÇÃO 18/06: As autoridades evacuaram o estádio municipal de Vendas Novas. As caravanas foram encaminhadas para uma área de acolhimento temporário nos arredores de Montemor‑o‑Novo.

Fim de semana particularmente agitado em Vendas Novas, no Alentejo. No sábado, dezenas de caravanas de famílias itinerantes instalaram‑se à força no estádio municipal, interrompendo atividades desportivas e gerando forte tensão com a autarquia. O município fala em ocupação ilegal e denuncia riscos para a segurança pública.

H2: Caravanas ocupam o estádio municipal

Foi já no final da manhã, pouco depois do treino da escola de rugby, que os primeiros veículos entraram no recinto desportivo. Segundo o presidente da câmara, o grupo terá forçado o portão principal, cortando o cadeado e empurrando funcionários municipais que tentavam travar a entrada. “Eu próprio me interpus no acesso e fui afastado com violência”, relatou o autarca em comunicado partilhado com a população.

Testemunhas descrevem momentos de grande confusão, com treinadores a tentarem proteger as crianças e viaturas a circularem sobre o relvado natural. Um dos técnicos terá sido projetado contra o capô de um carro, sem ferimentos graves mas com grande susto.

H2: Alternativas recusadas a poucos quilómetros

A GNR foi rápida a responder, reforçando o dispositivo e limitando a circulação na zona. Um técnico intermunicipal deslocou‑se ao local para propor duas alternativas livres a poucos quilómetros, em parques preparados para autocaravanas e com ligações a água e eletricidade. A proposta, contudo, foi recusada, com representantes das famílias a preferirem o relvado do estádio por ser “mais apto” para permanecer alguns dias.

A autarquia recorda que o concelho e a comunidade intermunicipal dispõem de áreas de acolhimento temporário, inscritas no plano local e com regras claras de utilização. Esses espaços existem “para compatibilizar direitos” e evitar ocupações não autorizadas de equipamentos públicos.

H2: Tensão cresce e acessos ficam bloqueados

Com o recuo de uma viatura da GNR para libertar a via, a Polícia Municipal colocou uma carrinha da câmara junto ao portão principal para dissuadir novas entradas. Em reação, vários membros do grupo bloquearam um dos acessos à cidade, criando longas filas de trânsito na EN252. A situação agravou‑se quando cerca de trinta homens levantaram a viatura municipal para desimpedir a passagem e permitir a entrada das últimas caravanas.

Perante a escalada, o município optou por uma solução prudente, permitindo a entrada controlada para evitar feridos e danos mais graves. “Com poucos agentes no terreno e crianças por perto, a prioridade foi a integridade física de todos”, assinalou a presidência da câmara.

Caravanas estacionadas no relvado do estádio municipal, já totalmente ocupado.
Caravanas no interior do estádio **municipal** após um sábado **tenso**. (©DR)

H2: “Escalada de violência” e críticas ao Estado

O executivo municipal admite sentir‑se “impotente” numa tarde de “escalada de violência”. Em nota oficial, o presidente sublinha que a autarquia apresentou participação às autoridades e pediu celeridade na reposição da legalidade. “Um presidente empurrado, educadores bafejados, uma cidade bloqueada e um equipamento público violado. Esperamos uma resposta firme dentro do Estado de direito”, afirmou.

“Respeitamos os direitos de quem viaja, mas também os de quem usa os campos e paga os seus impostos. Há regras para todos e devem ser cumpridas”, acrescentou o autarca.

H2: Notificação para desocupação e intervenção da tutela

No próprio sábado, a GNR notificou o grupo para desocupar o recinto no prazo de 24 horas, sob pena de remoção coerciva. Na manhã de segunda‑feira, porém, parte das caravanas ainda se encontrava no local, obrigando a manter um dispositivo de segurança e a cancelar treinos desportivos.

Fonte do Ministério da Administração Interna garantiu “total disponibilidade” para apoiar as forças no terreno e mediar soluções. O município informou, entretanto, que estão acionados os mecanismos legais junto do tribunal administrativo para proteção de bens públicos e aplicação de coimas previstas no regulamento.

H2: O que está em causa

  • Ocupação à força de um estádio municipal por dezenas de caravanas.
  • Propostas de alternativas de acolhimento recusadas pelos itinerantes.
  • Bloqueio parcial de acessos e filas de trânsito na cidade.
  • Notificação para desocupação em 24 horas e possível remoção coerciva.
  • Ativação de planos municipais e apoio do Ministério da Administração Interna.

A câmara apela à calma e pede respeito pelos “direitos de todos”, lembrando que há áreas designadas para estadias temporárias, com condições de higiene e regras de convivência. Associações locais sublinham que a mediação comunitária é essencial para evitar conflitos e proteger tanto os utilizadores dos equipamentos como quem está de passagem.

“Quando o diálogo é precoce, evitam‑se mal‑entendidos e excessos”, nota uma mediadora social que acompanha estas situações no Alentejo. “É preciso garantir dignidade nas alternativas e firmeza na lei, ao mesmo tempo.”

Enquanto as autoridades finalizam os procedimentos, o município prepara a recuperação do relvado, avalia danos em infraestruturas e reorganiza o calendário desportivo. A expectativa é que a normalidade regresse rapidamente, com uma solução que respeite a lei e salvaguarde a segurança de todos.

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