Ibrahim é um francês de 18 anos. Encontra-se detido neste momento e corre o risco de passar o resto da vida na prisão em Hong Kong por tráfico de drogas.
Como muitos jovens da sua faixa etária, ele frequenta as redes sociais. Ao responder a um anúncio tentador no Snapchat, ele, sem saber, abriu a caixa de Pandora.
O anuncio prometia uma viagem de uma semana, com todas as despesas pagas, entre a Tailândia e a Inglaterra. Em troca, ele deveria transportar uma mala supostamente cheia de iPhones. Ao final, uma remuneração atrativa.
O jovem aceitou a oferta e embarcou para a Tailândia sem avisar a família. Ao chegar ao destino, dúvidas passaram a dominá-lo e ele desejou voltar atrás. Foi justamente nesse momento que a situação se complicou. Um dos membros da rede confiscou-lhe o passaporte e passou a exercer pressões sobre ele.
No dia 14 de julho de 2026, ele dirigiu-se ao aeroporto, ainda sob estreita vigilância. Após uma escala em Hong Kong, foi detido e colocado em prisão preventiva.
Como era de esperar, a mala não continha iPhones, mas sim 16,8 kg de cannabis. Hoje ele corre o risco de cumprir prisão perpétua, mesmo afirmando a sua inocência. Aos olhos da justiça, ele é considerado uma «mula», isto é, uma pessoa utilizada para transportar ilegalmente entorpecentes, escondidos nas bagagens ou, por vezes, mesmo dentro do corpo.
A família dele, e em especial a mãe, está devastada. Ela lançou uma vaquinha online (GoFundMe) para financiar as despesas de advogado e poder viajar até Hong Kong para visitá-lo.
Ibrahim não é um caso isolado. Este fenómeno está em pleno crescimento. Muitos franceses, bem como cidadãos de outros países, caíram na armadilha destes anúncios tentadores, que se revelam fraudes usadas como cobertura para redes de tráfico de droga.
As autoridades costumam alertar regularmente sobre este tipo de propostas. Por trás de promessas de «férias gratuitas» escondem-se frequentemente organizações criminosas especializadas no tráfico internacional de entorpecentes.
Em 2024, a Tailândia reviu a sua política de descriminalização da cannabis, proibindo novamente o uso recreativo.
Em vários países da Ásia, as infrações relativas ao tráfico de drogas são punidas de forma severa. Dependendo da natureza e da quantidade das substâncias transportadas, as penas podem chegar à reclusão perpétua e, em certos estados e para determinadas drogas duras como heroína ou metanfetamina, à pena de morte.
Tia DIAGNE
