Em uma entrevista concedida ao Soleil, o diretor da Modernização dos Equipamentos Rurais, Bounama Dièye, retoma a ambição do Senegal de desenvolver uma indústria local de montagem de tratores e equipamentos agrícolas, com o objetivo de reduzir a dependência de importações e fortalecer a soberania alimentar.
O Senegal pretende ir além da simples modernização das explorações agrícolas. As autoridades já apresentam uma visão industrial: criar uma verdadeira cadeia local de montagem de tratores, de colheitadeiras e de outros equipamentos agrícolas motorizados. Segundo Bounama Dièye, o tecido industrial nacional permanece relativamente limitado nesse setor. “Exceto pela Sismar e alguns artesãos especializados na confecção de equipamentos agrícolas, ainda importamos a maior parte dos equipamentos motorizados”, explica ele.
Para alterar essa situação, várias empresas senegalesas como Emg, Sismar, Ccbm, Oumou Group e Dias Industries uniram-se no Consórcio Cosias. Este grupo já participa do projeto “Suñu Allo Tracteurs” e trabalha na criação de unidades locais de montagem de equipamentos agrícolas.
O consórcio também firmou parcerias com empresas estrangeiras, nomeadamente Albayrak (Turquia) e Feder Unacoma (Itália), com vistas à transferência de tecnologias e competências. Para o diretor da Modernização dos Equipamentos Rurais, essa iniciativa ainda está em fase de consolidação, mas pode abrir caminho para uma maior autonomia técnica do Senegal.
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O objetivo é reduzir progressivamente a dependência do país em relação às importações de máquinas agrícolas, frequentemente caras e difíceis de manter em meio rural. A estratégia prevê também o desenvolvimento de um ecossistema local que inclua a fabricação de determinadas peças, a manutenção, o serviço pós-venda e a formação de técnicos.
Para além do mercado nacional, as autoridades vislumbram uma posição regional. Se o projeto der certo, o Senegal poderia tornar-se um fornecedor de referência de equipamentos agrícolas para os países da CEDEAO e da UEMOA. Esta orientação está alinhada com a “Visão Senegal 2050”, que coloca a transformação estrutural da economia e a soberania alimentar entre as prioridades nacionais.
No entanto, Bounama Dièye insiste que a política de mecanização não se limita a grandes tratores. Os pequenos produtores, que constituem a maioria no país, também precisam de equipamentos atrelados, como semeadoras, enxadas Sine e carroças. Para facilitar o acesso a esses equipamentos, o Ministério da Agricultura decidiu ceder, a crédito subsidiado, o material atrelado, com o reembolso diluído ao longo de duas campanhas agrícolas seguintes.
O responsável pela mecanização vê nessas reformas uma mudança profunda na governança. A nova abordagem enfatiza a coerência da ação pública, a participação dos atores locais e a sustentabilidade dos investimentos. Segundo ele, não se trata apenas de ajustar a política agrícola, mas de “uma mudança de método na coerência institucional e na ação governamental”, desejada no mais alto nível do Estado.
