Patrick Vieira (50 anos) não chega ao banco dos Leões do Senegal de mãos vazias. Ele chega com um currículo e, sobretudo, uma estatística: 328 jogos dirigidos em clubes, todas as competições somadas, com 120 vitórias, 88 empates e 120 derrotas. Ou seja, um índice de vitórias de 36,58%.
O balanço do novo comando dos Leões permanece claramente mitigado. Será necessário analisá-lo posição por posição, mantendo em mente uma das principais lições dos últimos anos: as realidades do futebol de clubes nem sempre se transmitem para a seleção nacional.
Cinco clubes, um fio condutor
New York City FC permanece como a sua melhor experiência estatística: neste clube satélite do Manchester City, Vieira disputou 90 jogos, 40 vitórias, 44,44% de aproveitamento, e sobretudo um título de campeão da MLS em 2021, sua primeira experiência ao banco. Em seguida vem o OGC Nice (89 jogos, 35 vitórias, 39,32%), depois uma passagem mais conturbada pelo Crystal Palace (74 jogos, 22 vitórias, apenas 29,73%), onde Vieira herdou um elenco limitado e um projeto em reconstrução. O RC Strasbourg, onde permaneceu apenas alguns meses, registra 34,21% de vitórias em 38 jogos. A passagem mais curta e mais áspera continua sendo a de Gênova, na Serie A: 37 jogos, apenas 27,02% de vitórias, e um clube que já lutava para se manter.
A curva é clara: quanto maior a exigência por resultados imediatos, menor o percentual de vitórias de Vieira. Em Nova York, ele construiu e conquistou um título. Na Europa, em projetos sob tensão (Nice em reconstrução, Palace em dificuldade financeira, Strasbourg em crise, Gênova lutando para a permanência), a mecânica trava ainda mais.
O que valem esses números, afinal?
Um terço de vitórias, um terço de empates, um terço de derrotas: é exatamente a definição de um balanço equilibrado, não dominante. Isso não transforma Vieira em treinador fracassado, mas também não o coloca entre Guardiola, Zidane ou Klopp. O seu perfil é mais o de um técnico capaz de estruturar um projeto a longo prazo (Nova York, Nice) mas que mais frequentemente herdou casas a reformar do que catedrais já erguidas. Um ponto a reter para o Senegal: a Federação não lhe confia uma seleção em crise, mas um conjunto de jogadores internacionais já calejado que, no entanto, precisará ser regenerado, com alguns pilares já em declínio.
Antes de julgar Vieira a partir de seu passado nos clubes, é preciso lembrar um precedente local: o de Pape Thiaw. Demitido do ASC Niarry Tally em fevereiro de 2021 por insuficiência de resultados, parecia então longe de qualquer ápice. Nomeado pouco depois para liderar a equipe local do Senegal, ele classificou os Leões ao CHAN 2023 após várias eliminações consecutivas de seus antecessores, e então foi buscar o troféu em Argel diante do país anfitrião, a Argélia. Promovido, então, ao comando da equipe A em dezembro de 2024, levou o Senegal até a final da CAN 2025, vencida em 18 de janeiro de 2026 diante do Marrocos, tornando-se o primeiro técnico a conquistar o bicampeonato CHAN-CAN. O ensinamento a reter é que um histórico complicado em clubes não antecipa absolutamente nada sobre uma carreira na seleção. Os dois mundos obedecem a lógicas distintas.
Um novo ciclo a iniciar
É aqui que se encontra o eixo de reflexão mais importante. Um treinador de clube convive com seu grupo no dia a dia: ele molda um coletivo, corrige nos treinos, gerencia um mercado de transferências, encara a pressão do calendário a cada semana. Já um selecionador herda um conjunto de talentos já formados pelos clubes europeus, dispõe de convocações curtas e raras, e precisa produzir coesão coletiva em um mínimo de sessões. A relação de forças se inverte: não é mais a capacidade de construir ao longo do tempo que predomina, mas a aptidão para ler o adversário, tomar as decisões certas em um ciclo de três ou quatro jogos decisivos, e gerir egos internacionais já instalados.
Vieira atende a várias réguas úteis para esse novo desafio: uma leitura tática reconhecida, experiência adquirida em vários campeonatos (MLS, Ligue 1, Premier League, Serie A), mas também uma imagem de agregador forjada ao longo de sua carreira de jogador no Arsenal e com a seleção francesa. Pape Thiaw conseguiu transformar esse viveiro de talentos em um verdadeiro coletivo de torneio na CAN, mas falhou completamente no último Mundial, especialmente diante do dilema entre continuar confiando em jogadores veteranos ou conceder mais espaço à juventude. É precisamente aqui que Patrick Vieira é esperado. Uma nova redistribuição de cartas parece necessária para iniciar um novo ciclo, insuflar uma nova dinâmica e construir uma equipe capaz de recuperar ambição e coesão com vistas a 2030.
Por Cheikh Gora DIOP
