No dia 18 de janeiro passado, ele foi elevado ao pináculo. No inferno de Rabat, ele levou o Senegal ao topo da África. Mas o futebol não se alimenta apenas de conquistas e do passado. Após a consagração continental, Pape Thiaw era esperado para confirmar seu valor no cenário mundial. Mas não conseguiu desferir o grande golpe que o convenceria e colocaria todo o Senegal aos seus pés. Após uma fase de grupos complicada, com duas derrotas para a França (3-1) e a Noruega (3-2), e uma classificação milagrosa para as oitavas de final, os Leões não sobreviveram à fase seguinte diante dos Diabos Vermelhos. Eles não conseguiram gerenciar a sua vantagem de dois gols que parecia, no entanto, suficiente para assegurar a passagem às oitavas de final. Mal lhes saiu, pois a Bélgica soube explorar suas fraquezas para voltar ao placar e vencer nos instantes finais da prorrogação (3-2). Essa eliminação corre o risco de pesar no futuro de Pape Thiaw à frente da seleção. Essa eliminação lembra uma verdade fundamental do futebol de alto nível: as grandes competições se ganham tanto pela gestão das emoções quanto pela qualidade do jogo. Pape Thiaw não deveria sair ileso deste colapso. Ele deveria ingressar na lista de treinadores que pagaram pelos seus maus desempenhos neste Mundial: Sabri Lamouchi (Tunísia), Hong Myung-Bo (Coreia do Sul), Steve Clarke (Escócia), Miroslav Koubek (República Tcheca), Marcelo Bielsa (Uruguai), Sebastián Beccacece (Equador), Ronald Koeman (Holanda), Julian Naggelsman (Alemanha).
Por ora, o selecionador dos Leões, muito criticado e considerado responsável por essa falha, ainda não cogita deixar o cargo. Seu futuro está pendurado à decisão da Federação Senegalesa de Futebol (FSF). A entidade federativa permaneceu em silêncio ensurdecedor e ainda não se pronunciou sobre o futuro do treinador. Depois desse naufrágio tático que trouxe ao Senegal uma das maiores desilusões da sua história futebolística, os Leões retornarão à luta em dois meses com as eliminatórias da Copa das Nações Africanas de 2027. Duas partidas estão no cardápio: 23 de setembro contra Moçambique e 27 de setembro contra a Etiópia. Pape Thiaw vai partir ou não? A pergunta volta incessantemente desde o pesadelo americano. Por ora, é total incerteza. A Federação, sob pressão, é muito aguardada para confirmar ou não a saída dele e da sua equipe antes das próximas partidas que se avizinham no horizonte. E, se necessário, designar o seu substituto.
Por Samba Oumar FALL
