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Pânico em Lisboa: Estação do Oriente parcialmente evacuada após explosão de máquina de fazer água com gás no interior de uma mala

A meio da tarde de segunda‑feira, a movimentada Estação do Oriente, em Lisboa, foi parcialmente evacuada após uma forte explosão vinda de um bagageiro. A autoridade confirmou que a origem do estampido foi o cilindro de CO2 de uma máquina de fazer soda, guardado dentro da mala de um passageiro. Não houve feridos, mas o episódio gerou um curto momento de pânico entre centenas de viajantes em plena época de Natal. A CP adiantou que o impacto nas circulações foi “mínimo” e de curta duração.

Evacuação parcial e resposta imediata

Por volta das 11h45, uma detonação ecoou pelo átrio principal, interrompendo o fluxo de quem seguia para partidas internacionais e regionais. O bagageiro onde estava o equipamento ficou rasgado, com objetos espalhados junto a uma zona de espera muito concorrida. Uma patrulha da PSP que se encontrava nas imediações ativou de imediato o procedimento de evacuação parcial. Foi montado um perímetro de segurança e a Equipa de Inativação de Engenhos Explosivos da PSP, acompanhada por um binómio canino, foi chamada ao local. O objetivo foi garantir que não havia riscos adicionais e afastar curiosos da área com destroços.

Correria e bagagens deixadas para trás

A súbita explosão gerou sobressalto e alguns passageiros interpretaram o ruído como possível ameaça. Seguiram‑se alguns momentos de correria, com quedas evitadas pela rápida intervenção de agentes e vigilantes. Vários viajantes, em particular famílias com crianças, abandonaram mochilas e trolleys no chão para sair mais depressa. Minutos depois, o proprietário do bagageiro apresentou‑se às autoridades e explicou que transportava uma máquina doméstica de gaseificar água, com garrafa de dióxido de carbono. Os peritos procederam à inspeção do conteúdo, bem como de bagagens largadas por engano durante a fuga.

No interior da mala que explodiu, foram identificados:

  • Uma máquina doméstica de fazer soda e respetivo cilindro de CO2
  • Uma garrafa de vinho bem protegida em plástico
  • Peças de roupa e um chinelo de borracha
  • Um adaptador de tomada e um pequeno saco de higiene

Verificações concluídas e circulação retomada

Pelas 12h30, as equipas ainda estavam a “levantar dúvidas”, garantindo que nenhum outro objeto oferecia perigo. Cerca de quinze minutos depois, a PSP deu como segura a zona afetada e o perímetro foi retirado, normalizando o acesso ao átrio. “Não há feridos a registar e o impacto na circulação foi mínimo”, afirmou fonte oficial da CP, sublinhando que as partidas foram retomadas com ligeiros atrasos.

Segundo dados preliminares, alguns comboios sofreram atrasos entre 10 e 20 minutos, sobretudo nas ligações do Norte e no serviço urbano que cruza o Oriente. As plataformas mais próximas do local isolado receberam temporariamente menos passageiros, para manter a fluidez e evitar aglomerações. O serviço de informação aos clientes privilegiou mensagens sonoras e painéis de alerta, para evitar rumores e reencaminhar quem precisava de assistência.

O que terá provocado a explosão

A hipótese mais provável, segundo fontes próximas da investigação, é a rutura súbita da válvula do cilindro devido a sobrepressão. O compartimento do bagageiro, forrado e fechado, poderá ter aumentado a acumulação de calor, embora a análise final dependa de perícia técnica. As máquinas de gaseificação usam CO2 comprimido, um gás inofensivo mas potencialmente perigoso se o recipiente for danificado, mal instalado ou exposto a temperaturas elevadas. O dono colaborou com as autoridades e apresentou fatura de compra do equipamento, que é legal e de uso doméstico.

Recomendações para quem viaja

As entidades deixaram um lembrete prático para reduzir o risco de incidentes semelhantes. Quem viajar com equipamentos sob pressão deve confirmar:

  • Se o cilindro está devidamente fixo e sem fugas
  • Se o manual desaconselha transporte montado na máquina de soda
  • Se existe limite de temperatura e de choque mecânico
  • Se a bagagem não ficará exposta a sol direto por longos períodos

Lições de um susto num dia cheio

Em época de férias, as grandes estações concentram fluxos muito elevados, exigindo respostas rápidas e claras. A coordenação entre PSP, equipa de desativação de explosivos e operadores ferroviários foi decisiva para evitar pânico prolongado. Ao mesmo tempo, a comunicação célere com o público ajudou a travar a propagação de boatos, frequente em momentos de tensão. O episódio terminou sem danos humanos, mas deixa um aviso simples: objetos de uso comum, quando pressurizados, exigem cuidados de transporte e informação adequada a quem vai viajar.

Com a circulação já estabilizada, o final da tarde decorreu sem sobressaltos. As equipas de limpeza removeram pequenos destroços, e os serviços voltaram a operação normal. Para muitos, ficou apenas a memória de um susto num dia de partidas, enquanto o Oriente retomava o seu vaivém habitual de malas, chegadas e abraços.

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