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Onda de assaltos assusta Coimbra: pelo menos duas esplanadas ribeirinhas e uma tabacaria assaltadas no distrito

Imagem ilustrativa. © (Photo NR, Rachel Herman)

A noite de quinta para sexta-feira deixou um rasto de prejuízos em várias localidades da Região Centro. De acordo com fontes da GNR, pelo menos duas esplanadas ribeirinhas e um café-quiosque com venda de tabaco foram alvo de arrombamentos quase em simultâneo. Apesar de separados por algumas dezenas de quilómetros, os assaltos exibem um modus operandi semelhante, alimentando a hipótese de uma mesma autoría.

Assaltos na mesma noite

Num dos casos, a porta de entrada foi forçada perto da meia-noite, num espaço sazonal junto a um curso de água. Do interior, os ladrões levaram o fundo de caixa, avaliado em algumas centenas de euros, e ainda uma autocaravana estacionada no parque do estabelecimento. Segundo a GNR, o alerta foi dado por vizinhos que estranharam movimentos fora de hora e notaram danos na fechadura.

Horas mais tarde, noutro ponto da região, um café-quiosque que vende jornais e tabaco acordou com a montra estilhaçada. A gerência inventariou maços de cigarros, raspadinhas e algum numerário em falta, num total ainda por apurar. As patrulhas foram reforçadas ao longo das margens ribeirinhas, onde abrem dezenas de esplanadas de verão.

Um rasto insólito: dezanove chouriços

O episódio mais inusitado foi relatado numa segunda esplanada, do outro lado do rio e a poucos quilómetros de uma área de lazer. Ali, o ou os intrusos ignoraram o sistema de som e o stock de bebidas, levando apenas um butim improvável: “dezanove chouriços”, segundo fonte oficial. O detalhe, pitoresco mas preocupante, mostra uma atuação rápida, quase de oportunidade.

As autoridades abriram diferentes inquéritos e, por ora, não confirmam um vínculo direto entre as ocorrências da mesma madrugada. A linha de investigação avalia imagens de videovigilância, pegadas e eventuais semelhanças nas ferramentas usadas para forçar portas e janelas. Não há, até agora, detidos.

Comerciantes entre a revolta e o pragmatismo

Entre os empresários, o estado de ânimo oscila entre a frustração e a vontade de manter as portas abertas. “Fizeram todas as esplanadas”, desabafou um gerente ribeirinho, pedindo para não ser identificado. “É um aborrecimento, mas não vamos dramatizar: reforçámos a segurança e continuamos a trabalhar.”

Vários proprietários planeiam instalar mais fechos de segurança, sensores de movimento e câmaras visíveis, na esperança de dissuadir tentativas. Entre o custo dos danos e o tempo perdido, contam-se noites mal dormidas e reservas canceladas por clientes mais apreensivos. A época alta, vital para o negócio, está em pleno curso.

O que se sabe até agora

  • Três ocorrências na mesma noite, em pontos distintos da Região Centro.
  • Portas forçadas com recurso a ferramentas, sem sinais de violência sobre pessoas.
  • Bens furtados incluem dinheiro, tabaco, raspadinhas e uma autocaravana.
  • Num caso, apenas “dezanove chouriços” foram levados, sem outros danos relevantes.
  • A GNR recolhe imagens, cruza pistas e mantém patrulhamento reforçado em zonas ribeirinhas.

Investigações e prevenção

A GNR apela à colaboração de quem tenha visto movimentos suspeitos, carros parados a horas tardias ou indivíduos com comportamentos estranhos. Pequenos detalhes — como uma matrícula, uma mala improvisada ou ruídos metálicos — podem ajudar a montar o puzzle. A partilha de vídeos de CCTV entre vizinhos tem sido incentivada, respeitando as regras de privacidade.

Para os espaços sazonais, os especialistas aconselham rotinas de fecho mais rigorosas e a guarda de valores em locais seguros fora do estabelecimento. Controlos aleatórios de polícia, iluminação exterior e maior visibilidade do staff durante a noite são outras medidas de dissuasão. A articulação entre empresários e autoridades tem sido descrita como “muito próxima”.

Um verão de cautelas

Fenómenos deste tipo tendem a aumentar nas férias, quando esplanadas, quiosques e festas de verão atraem grandes fluxos de público. A conjugação de horários alargados, caixas com mais dinheiro e espaços ao ar livre cria condições propícias a oportunismos. Ainda assim, muitas autarquias reforçaram as rondas da polícia e o apoio logístico aos comerciantes.

A região ribeirinha vive do seu encanto e da animação ao cair da tarde, e a expectativa é de um regresso rápido à normalidade. “O público tem sido solidário, e isso dá-nos ânimo para seguir em frente”, resume um responsável de esplanada. Enquanto as investigações avançam, a prioridade é clara: proteger o que é essencial sem perder o espírito acolhedor que marca o verão português.

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