No seu livro « Profissão docente, o itinerário de um camponês que se tornou professor », Youssoupha Ndiaye, que galgou todas as etapas até tornar-se diretor, traça uma trajetória marcada por provações, perseverança e fidelidade à escola. Apresentado no último sábado em Dakar, a obra de 229 páginas busca ser ao mesmo tempo um relato de vida, um testemunho sobre a profissão e um legado para as novas gerações.
Ele poderia ter ficado no vilarejo e tornar-se camponês. Mas o destino de Youssoupha Ndiaye tomou outro rumo. Nascido em Thiaré Langhem, no Saloum, na região de Kaolack, o antigo diretor do Lycée Seydou Nourou Tall, professor de história-geografia e sociólogo, fez da escola o caminho de uma transformação pessoal e social. O estalo da escrita surgiu com seus alunos. Alguns tinham dificuldade em imaginar que seu professor, de aparência asseada, pudesse ter crescido num vilarejo. Uma aluna do 6º ano chegou a perguntar, após uma aula sobre o mundo rural, se ele já tinha visto uma aldeia. Outros, ao ouvi-lo falar wolof, estranhavam a sua maîtrise dessa língua, convencidos de que ele teria vivido bastante tempo na Europa. Essas percepções o levaram a escrever para fazer « a distinção entre o aparato e a realidade ». Por trás do professor está uma criança do vilarejo que conheceu o esforço e as privações. « Profissão docente » torna-se assim uma memória viva. O autor narra a sua infância, o apego a Thiaré, os anos de aprendizagem, as estadias em Kaolack e os momentos em que o abandono poderia tê-lo vencido.
Ele aborda especialmente um período difícil vivido numa família que não era a dele e onde ele viu « de tudo um pouco ». Mantém-se firme, retorna então junto de seus entes queridos e reencontra um quadro que lhe permite continuar os estudos. Os anos universitários também foram duros. Youssoupha Ndiaye recorda esses dias em que não dispunha de bilhete para comer na cantina universitária. Um colega, Matar Dramé, guardava-lhe então o pão, que ele comia com algumas sementes de amendoim. A mãe dele não sabia de nada. « Se ela soubesse, viria me buscar », confessa. Essas cenas não pedem queixa nem compaixão. Elas ilustram um valor central de sua trajetória, a resiliência. O autor volta à sua orientação universitária. Admitido numa área que não correspondia ao seu projeto, ele luta para entrar no departamento de História e Geografia. Bom aluno em árabe, ele não se via com a desenvoltura oral necessária para seguir esse caminho. Sua admissão em História-Geografia será vivida como uma libertação e moldará toda a sua carreira. O livro, apresentado no último sábado, pelas Édições L’Harmatan Senegal, carrega também a marca de uma época em que a escola francesa ainda suscitava desconfianças. Youssoupha Ndiaye relata a surpresa de um parente ao descobrir que ele poderia ler e traduzir uma carta em árabe, bem como passagens do Alcorão. O episódio torna-se o símbolo de um diálogo possível entre a escola moderna e os legados culturais. Mas a obra não se limita ao relato de uma ascensão. Trata também de uma reflexão sobre a profissão de professor.
Outra concepção da profissão de docente
Para Youssoupha Ndiaye, transmitir conhecimentos pressupõe, antes de tudo, criar as condições para a sua recepção. « Não se pode comunicar conhecimentos em uma atmosfera opressiva », afirma. Em suas aulas, ele recorre regularmente ao jogo, à dramatização, à imitação e ao humor para despertar a atenção. Ele encena, interpreta personagens, transforma certas sequências da aula em pequenas cenas, convencido de que uma noção retida com um sorriso pode firmar-se de maneira duradoura na memória. Essa concepção da profissão vem acompanhada de uma exigência ética. O ex-diretor deplora os professores que negligenciam suas obrigações no espaço público para privilegiar cursos no privado. Não condena o acúmulo de funções, mas pede que seja exercido « na deontologia e na dignidade ». Aos seus olhos, entrar numa sala não basta para tornar alguém professor. Alguns descobrem a vocação e tornam-se verdadeiros educadores. Outros, lamenta ele, permanecem no « camuflamento », em detrimento dos alunos. Prefaciador da obra, Dr. El Hadj Habib Camara vê neste relato muito mais do que uma autobiografia. Segundo ele, trata-se « de uma lição de sociologia, de sucesso e de pedagogia ativa ». A obra, ressalta, dirige-se sobretudo aos ex-alunos do autor e aos jovens docentes. Os primeiros encontram ali um convite para alcançar o sucesso sem renunciar às suas origens, para permanecer ligados à família e aos valores de seu meio. Os segundos podem nele extrair uma concepção rigorosa, ética e viva da profissão.
O senhor Camara insiste sobretudo no humor que confere ao livro o seu tom particular. As anedotas permitem ao autor revisitar os momentos felizes assim como os momentos mais difíceis. Dr. Habib Camara vê nele, por sua vez, uma ferramenta pedagógica, uma forma de autocrítica, uma cimentação dos laços e um meio de resistir à adversidade. Os « beignets cor-de-rosa », a geleia confundida com açúcar na cantina universitária ou as lembranças de sala dão ao relato a sua leveza sem apagar a profundidade. O humor também serve para denunciar as falhas da profissão. Através da história de um professor que abandona a sua turma na escola pública para lecionar na privada ou de um docente surpreendido por um inspetor, Youssoupha Ndiaye pratica uma sátira sem raiva excessiva. « Através de cada anedota, seja ela trágica, divertida ou pedagógica, ele mostra que a própria vida é a maior das escolas », resume o prefaciador. Além da carreira, « Profissão docente, o itinerário de um camponês que se tornou professor » é, por fim, um livro de fidelidade. Fidelidade a um vilarejo, a uma família, aos companheiros de caminho e àqueles que tornaram possível a ascensão.
O autor não esconde o seu apego a Thiaré Langhem, ao ponto de desejar um dia repousar ali. « Esta terra continua a ser a matriz de sua identidade », escreveu ele. Do menino pouco afeito aos campos ao professor, do jovem estudante que passou fome ao educador, a sua trajetória carrega uma convicção: a origem não condena o destino, desde que se trabalhe, se resista e se guarde na memória o caminho percorrido.
Daouda DIOUF
