Em viagem a Paris para seu show marcado para este sábado, 8 de agosto de 2026, no Cabaret Sauvage, Dip Doundou Guiss apresentou seu novo EP “Mayko Loolou”. Através desse projeto de quatro faixas, o rapper senegalês aposta em uma mistura de rap, de mbalax e de sonoridades locais para oferecer uma nova identidade musical ao público senegalês e à diáspora.
O rapper senegalês Dip Doundou Guiss apresentou seu novo projeto musical durante uma entrevista concedida à TV5 Monde, a partir de Paris, onde se apresentará neste sábado no Cabaret Sauvage. Figura marcante do rap senegalês, o artista explicou a filosofia de “Mayko Loolou”, um EP de quatro faixas que, segundo ele, marca um retorno do rap com uma abordagem renovada.
O título significa em wolof “oferece‑lhe”. Mas para o artista, trata‑se sobretudo de um conceito que deve se prolongar no tempo. “São projetos de quatro faixas que vão sair a cada mês ou a cada dois meses para agradar o público”, explicou Dip Doundou Guiss, anunciando já outras estreias na mesma dinâmica.
Com esse EP, o rapper afirma querer levar o encontro entre hip‑hop e música senegalesa ainda mais além. Ele defende a utilização de sonoridades de mbalax, africanas e locais, mantendo, segundo suas palavras, “uma verdadeira identidade hip‑hop”. Ele resume essa abordagem pelo termo popular “Niogmanté”, isto é temperar ou misturar, para ilustrar sua vontade de criar um rap enraizado na cultura senegalesa sem renunciar aos códigos da música urbana contemporânea. “Eu queria mostrar que é possível fazer essa mescla mantendo-se realmente hip‑hop”, insistiu.
Essa orientação inscreve‑se na continuidade da evolução artística iniciada com seus projetos anteriores, nomeadamente “Loo Ñeme Ñakk” e “LFLF”, que contribuíram para ampliar seu público além do Senegal. O artista acumula hoje dezenas de milhões de streams nas plataformas de streaming e mais de 150 milhões de visualizações no YouTube.
Questionado sobre seus quinze anos de carreira, Dip Doundou Guiss garante estar longe de ter atingido seus limites. Após um período de relativa discrição de três a quatro anos, ele diz sentir a necessidade de encadear projetos, de trazer novas cores ao rap senegalês e de oferecer mais opções à jovem geração. “Não quero refazer as mesmas músicas ou as mesmas sonoridades. Quero levar a nova geração comigo para que ela tenha opções”, afirmou.
Segundo ele, o Senegal não pode contentar‑se em reproduzir o que se faz nos Estados Unidos, na França ou em Londres. O artista acredita que o rap senegalês possui um imenso potencial, mas ainda é freado por determinadas mentalidades conservadoras. Lamenta que as fusões entre rap e mbalax sejam por vezes vistas como um afastamento do hip‑hop.
“Se não entendermos que a música urbana precisa ser aberta e livre, não vamos avançar”, sustentou. Dip Doundou Guiss vai ainda mais longe ao afirmar que o Senegal pode tornar‑se um dos polos de influência do rap africano, à imagem da Nigéria ou da Costa do Marfim. “Muitas pessoas já o fazem na Costa do Marfim ou na Nigéria, então por que não no Senegal?”, lançou o rapper.
O artista continua também a defender o wolof como língua de criação internacional. Segundo ele, a música ultrapassa fronteiras linguísticas e são, sobretudo, as melodias, a energia e as vibrações que tocam o público.
“O mais importante não são as palavras, mas as melodias, as sensações, a energia e as vibrações que transmitimos”, explicou, citando o exemplo de artistas africanos que cantam em suas línguas nacionais e, mesmo assim, alcançam sucesso mundial.
O show previsto neste sábado no Cabaret Sauvage representa uma etapa importante em sua trajetória internacional. O artista o vê como um verdadeiro desafio e espera que abra caminho para salas maiores nos anos vindouros. “Espero que o Cabaret Sauvage seja uma transição para salas maiores no futuro”, confidenciou Dip Doundou Guiss. O espetáculo deverá mesclar faixas de “Mayko Loolou” com seus temas mais conhecidos.
O rapper também voltou a falar sobre sua nomeação como embaixador dos Jogos Olímpicos da Juventude de Dakar 2026. Ele vê nisso uma honra e uma oportunidade de contribuir para o alcance internacional do Senegal, de sua cultura, de seu esporte e de sua juventude. “Isso me permite fazer parte de quem vai fazer brilhar Dakar, o Senegal, nossa cultura, nosso esporte e nossa juventude ao redor do mundo”, concluiu.
Com “Mayko Loolou”, Dip Doundou Guiss parece assim abrir um novo capítulo de sua carreira: o de um rap senegalês mais consciente de suas raízes, mais livre em suas formas e mais ambicioso em seu alcance internacional.
Cheikh Tidiane NDIAYE
