Uma rápida visão geral das obras escritas por diplomatas e antigos embaixadores do Senegal já aposentados mostra que a maioria se propõe a restituir sua experiência na forma de memórias, mesmo que anexem a análise de temas que tenham captado o interesse do autor ao longo de sua carreira. O livro de Oumar Demba Ba, objeto desta nota e publicado pela editora L’Harmattan em 2026, insere-se mais bem numa literatura pós-carreira emergente que aborda questões mais específicas.
Isso tem, nesse sentido, um interesse imediato: as contingências de uma carreira por si só não asseguram um fio narrativo convincente; o retorno de experiência é aqui organizado em torno do discurso (suas categorias, seus gêneros, seus contextos de enunciação) e de sua relação com o mundo e com a diplomacia. É sobre as contribuições práticas e teóricas dessa contribuição que se apoia esta nota.
Precisemos, para evitar mal-entendidos, que o qualificativo « teórico » não deve fazer os leitores acadêmicos esperarem o trabalho sistemático de referências e citações ao qual estão habituados: o autor não se impõe um cânone acadêmico de escrita, e um mínimo de reflexividade sobre a nossa própria prática convida a reconhecer que ela não passa de uma forma cultural entre outras, cuja preponderância depende menos de sua natureza intrínseca do que de uma política de escrita. Dito isso, apresentemos brevemente a organização da obra para evidenciar seu interesse prático (essencialmente didático), antes de abordar seus aspectos teóricos.
O interesse didático da obra
Organizada em sete capítulos, a obra começa com dois capítulos introdutórios que delimitam a matéria por meio de algumas definições e categorias, e retornam, entre outros, às práticas discursivas que permitem descolonizar a ideia de origem das trocas epistolares na diplomacia: aprende-se que a África não foi meramente consumidora nesse campo, mas que conheceu um « estilo protocolaire et épistolaire raffiné », próprio das interações entre reinos.
Os capítulos três e quatro entram diretamente no tema da redação de discursos (speechwriting), ao mesmo tempo retorno de experiência do autor e demonstração de uma cultura geral sólida. O leitor encontrará ali conselhos úteis para redatores de discursos, ainda que Ba tenha cuidado em lembrar que não existe um mantra universal nessa área. O capítulo quatro também oferece uma síntese útil dos méritos e limites da atuação solo versus trabalho em equipe. A relação com o orador retorna várias vezes, com uma inversão de perspectiva: às vezes o orador é apresentado como o último intérprete do discurso escrito, noutras o redator como o intérprete da « visão » do orador ao transferi-la para o papel. Talvez isso seja apenas o caráter inexorável de todo trabalho de tradução, tanto de pensamento quanto de palavras.
O caráter específico do trabalho diplomático fica mais claro nos capítulos cinco e seis, que submetem as palavras ao teste da prática bilateral e, depois, multilateral. De um capítulo ao outro, o leitor perceberá o salto que se faz ao passar do formalismo bilateral, « o exercício de finesse, que busca persuadir sem apressar, dissuadir sem ameaçar (…) », para os « duelos verbais mais ou menos contidos, onde o discurso, muitas vezes sutil, pode igualmente deslizar para antagonismos latentes ou abertos », próprios às negociações multilaterais. Poder-se-ia nuance mais a oposição entre essas duas práticas, mas a forma como o autor as trata dá a impressão de uma diferença de grau mais do que de natureza.
O último capítulo aborda de forma útil a questão tecnológica e a maneira pela qual ela transforma a prática diplomática tradicional. Abordando por exemplo o recurso às reuniões virtuais, o autor não hesita em reconhecer os méritos, ao mesmo tempo em que é franco sobre o fato de que o virtual « desincorpora os intercâmbios e enfraque a densidade relacional inerente à diplomacia ». Esse olhar crítico reforça o interesse didático da obra, oferecendo às novas gerações de diplomatas (e a um público mais amplo) um retorno de experiência que não cai nem no conservadorismo estagnado nem no progressismo ingênuo.
Dimensões teóricas da obra
A promessa de um recíproco moldar de palavras e do mundo desperta desde já o interesse, tanto pelo objeto anunciado quanto pela abordagem que ela antecipa. À leitura, porém, o fio da análise se articula menos em torno do discurso propriamente dito do que entre uma noção ampla de discurso e o trabalho de redação de discursos (speechwriting). A nomenclatura proposta na abertura (narrativo, argumentativo, explicativo, poético, laudativo, polémico e injuntivo — ou prescritivo —) não é muito retomada nos desenvolvimentos subsequentes, e vê-se, algumas páginas depois, surgir um « discurso reivindicativo » que não estava ali.
Mais amplamente, a relação entre teoria e material empírico se distende ao longo dos capítulos. No primeiro, cerca de uma dezena de páginas é dedicada à defesa de Senghor diante de acusações de proximidade com o Ocidente, passagem cujo interesse biográfico é indiscutível, mas cuja relação com o poder das palavras, objeto mesmo do capítulo, permanece ténue. O mesmo desvio aparece, ampliado, no último capítulo: o leitor encontra cerca de quarenta páginas (de 130 a 172) dedicadas aos limites e vantagens comparativas do sistema multilateral, onde, por exemplo, a Convenção de Montego Bay é invocada sem que a tese do poder das palavras encontre um apoio distintivo, a natureza jurídica do instrumento basta para explicar seus efeitos.
Essa grande variedade de exemplos mobilizados pelo autor talvez se deva ao fato de que o trabalho de conceptualização do discurso não é levado além das definições de dicionário apresentadas na abertura. A opção de não se apoiar em teorias de referência (os atos de linguagem de Austin ou a abordagem das formações discursivas de Foucault) pode ter privado a obra da base conceitual que lhe permitiria restringir mais o conjunto de ilustrações.
Em termos de comparação, Charlotte Epstein, em The Power of Words in International Relations, mobiliza a grelha foucaultiana para mostrar como o discurso fez passar a caça à baleia de uma prática normal para uma prática desnormalizada: ela identifica, em cada regime discursivo, as regularidades enunciativas, e depois as rupturas que permitem explicar a mudança. No caso de Ba, a mesma linha de raciocínio é dificultada pelo tratamento ambivalente da noção de discurso: os exemplos, escolhidos ao acaso, nem sempre permitem discernir se permanecem na continuidade de um mesmo discurso, nem identificar as descontinuidades a partir das quais construir uma análise de mudança.
Pode também notar-se o caráter finalista bastante marcado da definição adotada: o discurso « tende geralmente a informar, convencer, agradar ou comover ». Essa abordagem é adequada aos discursos oficiais, ligados a um autor (pessoa ou instituição), mas deixa de lado as formações discursivas anônimas, como o « discurso sobre a loucura » em Foucault ou o « discurso sobre o desenvolvimento sustentável »: estas se definem por posições (o médico, o governo, a ONG, o consumidor) em vez de autores, e se produzem efeitos reais, pode perguntar-se se atribuir-lhes uma finalidade predeterminada é plenamente compatível com uma abordagem positivista.
Uma definição mais restrita de discurso teria sem dúvida permitido fundamentar mais, com exemplos, o argumento central da obra segundo o qual as palavras moldam o mundo, ao menos situando historicamente mudanças que ocorrem em um discurso dado, e, em seguida, ligando-as a dinâmicas políticas precisas. Sobre a reforma da arquitetura financeira internacional, por exemplo, o texto aponta justamente as injustiças do sistema, sem sempre indicar o momento de ruptura em que o mundo começou a pôr em discurso as desigualdades globais, nem os efeitos políticos ou as dinâmicas de poder associadas, isto é, as regularidades enunciativas que permitiriam estabelecer a existência de um discurso como sequência de eventos enunciativos ligados entre si, enunciados por atores que ocupam papéis eles próprios moldados pelo discurso, sobre um objeto problematizado ou objetivado pelo próprio discurso.
Essas reservas teóricas não retiram nada ao interesse prático da obra para quem procura conselhos de redação de discursos oficiais, nem ao interesse mais geral que ela oferece a quem se interessa pela diplomacia e por sua relação com o discurso, uma relação que, no entanto, teria sido desejável ver mais explorada.
El Hadji Cheikh Diop
Diplomata em disponibilidade e doutorando em ciências políticas e sociais
