O setor de microfinanças no Senegal confirma sua resiliência e seu enraizamento no tecido econômico nacional. Segundo o último boletim trimestral da Direção-Geral do Setor Financeiro (DGSF), vinculada ao Ministério da Economia, das Finanças e do Plano, os indicadores de atividade das Instituições de Microfinanças (IMF) apresentam um crescimento sólido ao final do quarto trimestre de 2025, impulsionado sobretudo pela forte demanda por financiamentos no fim do ano.
O panorama da microfinança ganhou um novo ator nos últimos meses de 2025. O número total de IMF em atividade passou a 129, contra 128 no trimestre anterior, após a chegada da Bouchra Microfinance SA.
Essa rede, que hoje atende mais de 4,7 milhões de membros e clientes (aumento de 4,7% ao longo de um ano) através de 1.009 pontos de atendimento, baseia-se em uma estrutura diversificada. Conta com 10 uniões mutualistas (federando 169 instituições de poupança e crédito afiliadas), 106 instituições não afiliadas, 11 sociedades comerciais e 2 associações. Prova dessa solidez financeira, os recursos próprios do setor atingiram 230,6 bilhões de FCFA ao fim de 2025, representando um aumento de 5,1% em relação ao ano anterior.
O boom dos créditos de fim de ano
Um dos aspectos marcantes deste relatório trimestral reside no dinamismo da concessão de crédito. No decorrer do único quarto trimestre de 2025, as IMF injetaram 262,7 bilhões de FCFA na economia, o que representa um salto espetacular de 21,4% em relação ao trimestre anterior. Em comparação com o ano de 2024, a produção de créditos melhorou em 38 bilhões de FCFA (+16,9%).
Essa aceleração explica-se principalmente por fatores sazonais. As festas de fim de ano costumam provocar uma intensificação das atividades comerciais. Diante do aumento das necessidades de financiamento, tanto entre as famílias quanto entre os microempreendedores, as IMF souberam cumprir seu papel de eixo da inclusão financeira.
Ao fim do exercício 2025, o saldo global de créditos estabilizou-se em 849,9 bilhões de FCFA (+9,8% em relação ao ano anterior). Essa dinâmica está apoiada por uma boa mobilização de poupança, já que o saldo de depósitos atingiu 634,7 bilhões de FCFA, com alta de 9,5% em relação ao fim de 2024.
O imperativo da recuperação: a meta de 3% no radar
Se o acompanhamento financeiro dos atores econômicos está em bom estado, o setor de microfinanças continua diante do desafio crucial da qualidade de seu portfólio de crédito.
No fim de 2025, o montante de créditos em atraso ascendia a 51,1 bilhões de FCFA, representando 6,0% do saldo total de crédito. Embora esse nível tenha apresentado uma melhoria evidente com uma queda encorajadora de 30,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025, o esforço ainda não terminou. As instituições do setor deverão manter e intensificar suas ações de recuperação nos próximos meses, a fim de convergir para a norma comunitária da BCEAO, rigidamente fixada em 3%.
Num contexto em que o total do balanço setorial soma 1 063,5 bilhões de FCFA (com leve alta de 0,8% em relação ao ano anterior), a gestão do risco de crédito continua a ser a garantia de um crescimento saudável e sustentável para a microfinança senegalesa.
Djibril DIAO
