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Inacreditável em Viseu: idoso de 80 anos queria ir ao médico e acaba na Croácia

Uma ida rotineira que virou odisseia

O que era para ser uma visita ao médico transformou-se numa viagem improvável através da Europa. Um octogenário de São João da Madeira, de 85 anos, saiu de casa na manhã de terça-feira para uma consulta em Santa Maria da Feira, a pouco mais de 10 quilómetros, e acabou por dar consigo num hotel na Croácia. Segundo os familiares, o homem, conhecido pelo seu quotidiano metódico, não aparecera nem atendeu chamadas durante grande parte do dia. A apreensão cresceu quando vizinhos, que o veem diariamente, estranharam a ausência e deram o alerta. Felizmente, a história teve um desfecho tranquilo, mas deixou muitas perguntas.

O alerta e a mobilização local

Perante a preocupação, membros de uma associação local de que o idoso faz parte, notaram que ele não se apresentou a uma atividade onde costuma ser pontual. Foram esses conhecidos, juntamente com vizinhos, quem contactou as autoridades e os bombeiros. Chegados a casa, os operacionais encontraram a habitação fechada e sem sinais de arrombamento, mas claramente vazia. O telemóvel do senhor foi então localizado e, para alívio de todos, acabou por ser atendido. Do outro lado da linha, o próprio explicou que estava num hotel na Croácia, depois de mais de 20 horas ao volante.

“Não percebo como isto aconteceu”

Ao telefone, o octogenário mostrou-se lúcido e calmo, confirmando que se encontrava bem de saúde. Disse apenas ter saído para “ir ao meu médico” e, a certa altura, ter seguido “o caminho que o GPS indicava” sem notar a distância que ia sendo engolida pela estrada. “Saí para uma consulta e, quando dei por mim, estava a centenas de quilómetros; não percebo como isto aconteceu”, terá dito, incrédulo. Os familiares reforçam que o homem nunca apresentou problemas de desorientação, nem quaisquer sinais de declínio cognitivo. Descrito como independente e ativo, conduz apenas em trajetos conhecidos, raramente ultrapassando os limites do concelho.

Entre o GPS e a rotina

As autoridades admitem que uma combinação de rotinas, sinalética desconhecida e uma eventual configuração errada do navegador poderá ter desencadeado o desvio. Um simples toque no ecra ou um comando de voz mal interpretado pode transformar “Airvault” em “Zagreb” — ou, neste caso, Santa Maria da Feira em um destino muito mais distante. Ao entrar em autoestradas principais, a condução contínua e as paragens ocasionais em áreas de serviço podem ter diluído a noção de tempo e de percurso. A ausência de trânsito noturno e a confiança cega nas instruções do dispositivo terão feito o resto. Quando percebeu que estava demasiado longe, preferiu parar num hotel e descansar antes de pedir ajuda.

Comunidade unida, final feliz

A resposta rápida de vizinhos e amigos, aliada à coordenação entre bombeiros e forças de segurança, foi decisiva para acalmar a família. Assim que confirmada a localização, iniciaram-se contactos com as autoridades croatas, bem como com o próprio hotel, para garantir que o senhor estivesse seguro e devidamente acompanhado. A família prepara-se agora para o regresso, ponderando voar até um aeroporto próximo e trazer o octogenário de volta por via aérea, deixando o carro para recolha posterior. O importante, sublinham, é que ele está bem e em condição física e emocional estável. O episódio serviu também para reforçar laços de vizinhança e a importância de redes de proximidade.

O que fica por aprender

Casos assim são raros, mas lembram a necessidade de prevenção e de pequenos cuidados no dia a dia, sobretudo quando a tecnologia se torna intermediária das nossas decisões. Especialistas em mobilidade sénior sugerem medidas simples, pouco intrusivas, mas eficazes para evitar desvios e para acelerar o socorro quando necessário.

  • Partilhar o itinerário com um familiar antes de sair, indicando hora prevista de regresso.
  • Ativar o “partilhar localização” no telemóvel, com consentimento e limites claros.
  • Definir destinos “favoritos” no GPS e evitar inserir moradas sob pressão.
  • Programar pausas regulares e usar alertas de fadiga quando disponíveis.
  • Manter uma pequena ficha com contactos de emergência no porta-luvas.
  • Rever, com o médico, a aptidão para conduzir e possíveis interações com medicação.

Segurança, autonomia e confiança

A autonomia ao volante é, para muitos idosos, um símbolo de liberdade e de continuidade de vida ativa. Este episódio, apesar de invulgar, mostra que com vigilância comunitária, tecnologia bem usada e canais de comunicação abertos, é possível conciliar segurança e independência. A família sublinha que não pretende retirar-lhe a carta, mas sim encontrar formas de reforçar a confiança e reduzir riscos, com percursos mais curtos e maior acompanhamento quando necessário. Ao fim de um susto que ninguém esquece, fica a certeza de que a proximidade entre pessoas é o melhor GPS de todos. E que, mesmo quando o destino parece absurdo, o mais importante é chegar bem e poder contar a história.

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