Digitalização, privatização, novas exigências médicas, melhoria dos serviços e recorde de participação. Para o delegado-geral da peregrinação, o general Mamadou Gaye, o Hajj de 2026 representa uma virada significativa na organização da peregrinação senegalesa. Ele acredita que o Senegal conseguiu adaptar-se às profundas transformações iniciadas pela Arábia Saudita.
Mesmo que os últimos peregrinos senegaleses ainda não tenham deixado a Arábia Saudita, o olhar já se volta para o Hajj de 2027. Sem dúvida, é uma das grandes lições desta edição de 2026, resumidas pelo delegado-geral Mamadou Gaye numa fórmula: «a peregrinação não é mais uma atividade sazonal. Agora, mal termina uma edição, já começa a seguinte». Desde 31 de maio, as rotas aéreas vão trazendo os fiéis de volta ao Senegal aos poucos. Vinte e cinco voos estão programados até 11 de junho, data em que todos os peregrinos deverão ter retornado ao país. Ao fazer o balanço, o delegado-geral não esconde a satisfação. Os primeiros relatos dos peregrinos são encorajadores. Os parceiros sauditas também expressam satisfação. Os relatos dos observadores e dos serviços de controle apontam na mesma direção. No entanto, ele ressalta que «nenhuma organização humana é perfeita».
Melhorias são necessárias, e as pesquisas de satisfação distribuídas aos peregrinos permitirão identificar os pontos a corrigir. Esta edição ocorreu num contexto peculiar. Além das preocupações ligadas à situação geopolítica no Médio Oriente, o principal desafio residia na adaptação às reformas promovidas pela Arábia Saudita dentro de sua Visão 2030. O objetivo é ambicioso: acolher, a termo, trinta milhões de visitantes para o Hajj e a Omra. Para alcançar essa meta, Riad está transformando profundamente o modelo de organização da peregrinação. A primeira revolução é digital. Agora, tudo passa pela plataforma Nusuk. Pagamentos, autorizações, formalidades administrativas e acompanhamento das operações estão totalmente digitalizados. Mesmo as trocas entre as delegações nacionais e as autoridades sauditas passam por essa plataforma. Diante dessa mutação, o Senegal desenvolveu a sua própria plataforma nacional, ehaj.org.
Cela permite centralizar os dados administrativos e médicos dos peregrinos e assegurar uma coordenação mais eficaz entre os diferentes serviços envolvidos na organização. A segunda transformação refere-se à privatização total dos serviços. Os países não lidam mais diretamente com os hotéis, com os restaurantes ou com as transportadoras. Agora devem passar por empresas sauditas credenciadas que atuam como intermediárias. Segundo o general Gaye, essa evolução reduz consideravelmente a margem de manobra que as delegações nacionais detinham antes.
Quota cheia
Terceira mudança importante: a antecipação. No dia da conclusão do Hajj 2026, as autoridades sauditas reuniram as delegações de todo o mundo para apresentar o calendário do Hajj 2027. Um calendário considerado particularmente exigente. «Assim que voltarmos, já precisamos preparar o próximo ano», explica, de forma resumida, o responsável senegalês.
A escolha de parceiros, compromissos financeiros, reservas e contratos precisam, doravante, ser fechados com antecedência. A saúde também constitui um eixo central das novas reformas. Insuficiência renal, insuficiência cardíaca, tuberculose, certos tipos de câncer ou tratamentos pesados figuram entre as patologias incompatíveis com a realização do peregrínio. Para responder a essas exigências, exames complementares foram sistematizados e estruturas especializadas foram associadas ao dispositivo. Uma rigidez assumida pelo general Gaye, que lembra que «cada visto validado envolve diretamente a responsabilidade das autoridades organizadoras». Os resultados parecem convincentes. Este ano foram registrados três óbitos, contra seis na edição anterior. Diante dessas mudanças, o Senegal iniciou a sua própria reforma com a descentralização dos procedimentos. Postos únicos foram abertos especialmente em Ziguinchor, Tambacounda, Diourbel, Touba e Kaolack. Essa organização evita longas deslocações dos peregrinos até a capital.
Ela também reduz as congestões e acelera consideravelmente os trâmites administrativos. Hoje, assegura o delegado-geral, «todo o percurso administrativo de um peregrino pode ser concluído em poucas horas». A melhoria das condições de estadia constitui outro motivo de satisfação. Em Medina, bem como em Meca, os hotéis selecionados oferecem mais conforto e proximidade com os lugares santos. Shuttles permanentes facilitam os deslocamentos. A alimentação, há muito criticada, também passou por uma evolução notável.
Acompanhamento reforçado
Com o acordo dos parceiros sauditas, cozinheiros senegaleses foram associados à preparação das refeições. Uma iniciativa muito apreciada pelos peregrinos. O acompanhamento também foi fortalecido. Cada grupo passa a ser acompanhado por um delegado de apoio ao voo, encarregado de informar, orientar e assistir os peregrinos desde a inscrição até o retorno ao Senegal. Além disso, existem escritórios permanentes de informação instalados nos hotéis. Mas a inovação que mais marcou esta edição é sem dúvida a iniciativa « Tariq Makkah ».
Graças a esse dispositivo, os trâmites de imigração sauditas passam a ser realizados em Dakar antes da partida. A preparação espiritual não foi esquecida. A Escola do Peregrinato continuou a crescer em potência. Sessões de formação permitiram aos futuros peregrinos compreender melhor os ritos, as obrigações e as diferentes formas do Hajj. Os missionários também beneficiaram de uma preparação específica destinada a fortalecer a coesão e a eficácia do acompanhamento. Em Mina e nos demais locais santos, as melhorias também são visíveis. Ar condicionado reforçado, melhores instalações sanitárias, alimentação mais regular e um ambiente mais confortável contribuíram para melhorar as condições de estadia. Por fim, o Hajj de 2026 ficará inesquecível como um recorde histórico. Pela primeira vez, o Senegal utilizou a totalidade de sua quota de 12.860 peregrinos.
Um desempenho que pode fortalecer o pedido senegalês de aumento da quota nacional junto às autoridades sauditas. Ao ouvir o general Gaye, uma certeza se impõe: o peregrino entra em uma nova era. Uma época em que a antecipação, a tecnologia, a qualidade dos serviços e o rigor organizacional se tornam condições indispensáveis ao sucesso.
Por El Hadj Sidy Diop (Enviado Especial)
