Por meio de um discurso direto, por vezes sem rodeios, o chefe do governo dirigiu-se à representação nacional, no âmbito de sua Declaração de Política Geral (DPG). Da sua intervenção emanava, ao mesmo tempo, a rigidez do técnico, a lucidez do economista e o domínio de um homem acostumado aos mecanismos das finanças públicas e às realidades dos mercados.
Racionalização dos gastos públicos, reforma dos subsídios, tratamento da dívida, fortalecimento da soberania econômica e energética: o Primeiro-Ministro, Al Aminou Lo, que apresentava na terça-feira o fio condutor de seu governo, diante da representação nacional, não foi por meio de rodeios.
À frente dos deputados, o chefe do governo expôs, ponto a ponto, os principais mecanismos sobre os quais a sua equipa pretende apoiar-se para materializar a visão do presidente da República, Bassirou Diomaye Faye. «O rumo permanece», insistiu desde já, referindo-se às diretrizes do programa que levou o chefe de Estado ao poder, sustentado pela confiança dos eleitores.
À luz da atualidade, o ex-secretário-geral do governo, que se tornou Primeiro-Ministro, dedicou-se também a esclarecer o alcance do programa acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo ele, as grandes diretrizes escolhidas enquadram-se na continuidade dos compromissos anteriores do Estado.
Referindo-se à necessidade de o Senegal se abrir mais e de se adaptar às realidades do momento, Al Aminou Lo enfatizou uma evidência: nenhum Estado pode hoje viver em autarquia. «Essa época já passou», afirmou ele, lembrando que a interdependência entre as economias constitui agora uma condição essencial da governança pública.
O Primeiro-Ministro também quis tranquilizar sobre o acompanhamento do Senegal pelo FMI e pelos demais parceiros multilaterais. Este, afirmou ele, não deve pôr em risco a preservação dos interesses das populações, especialmente daqueles mais vulneráveis. O realinhamento, nessa perspectiva, não deveria significar o abandono da proteção social.
Outro tema sensível abordado diante dos deputados: a deterioração da nota financeira do Senegal. Al Aminou Lo sustenta que isso reflete, acima de tudo, uma prudência dos mercados em relação à situação financeira nacional. Ainda assim, o Primeiro-Ministro procura tranquilizar: não haveria perigo iminente. O momento, segundo ele, é de restauração gradual da confiança.
Uma maneira, para Al Aminou Lo, de colocar o debate sem rodeios: a restrição financeira é real, mas não poderia, aos seus olhos, pôr em xeque o rumo político fixado pelo chefe de Estado.
O.BA
