Em Kidira, pescadores, agricultores e criadores assistem, impotentes, à lenta agonia de um rio outrora alimentador.
Uma árvore ergue-se tristemente na margem. Levemente inclinada sobre a água, parece observar, impassível, o drama silencioso que se desenrola sob seus galhos. Sacos plásticos estão pendurados nela, os últimos vestígios deixados pelas cheias do ano passado.
Naquela época, o rio subira tanto que quase engolira seu tronco. Hoje, o contraste é marcante. A jusante, a Falémé corre lentamente, sem brilho, como um moribundo em seu leito de morte.
Três pirogas estão imobilizadas na margem, presas por cordas. Não é possível saber há quanto tempo não cortam mais as águas. Seu suave balançar confere ao cenário, já carregado de tristeza, um toque de poesia. Sob a ponte que funciona como fronteira entre o Senegal e o Mali, ligando as cidades gêmeas de Kidira e Diboli, a tristeza do rio mistura-se com a morosidade econômica que predomina.
Algumas motos e veículos continuam a atravessar a fronteira. Outras pessoas caminham. «Antes, havia aqui uma fila de caminhões de um quilômetro», explica um morador de Kidira. Hoje, a cidade tornou-se a sua sombra. Em Bosso, no bairro dos pescadores de Kidira, logo atrás do rio, o silêncio substituiu a agitação de outrora.
«Faz um mês que não vou pescar», confidencia Abdoulaye Kissa. Com quase cinquenta anos, ele só conheceu um ofício: a pesca fluvial. Hoje, ele encara seu rio com resignação. «Houve um tempo em que duas horas eram suficientes para encher uma piroga. Agora, após um dia inteiro, voltamos às vezes com apenas dois quilos de peixe.»
A pesca já não alimenta seu homem. Essa frase retorna como um refrão na boca dos pescadores de Kidira. Para sobreviver, Abdoulaye mudou-se para a costura. Uma mudança de vida imposta pelo desaparecimento progressivo dos recursos hereús. Em 29 de julho de 2026, o encontramos abrigado sob a cabana montada na praça pública do bairro Bosso, junto com outros membros do Comitê de Vigilância e Alerta da Falémé.
«Agora passamos os nossos dias sentados sob essa cabana, porque não temos mais nada para fazer», conta Harouna Tigampo, presidente da Associação de Pescadores de Kidira e do Comitê de Vigilância e Alerta da Falémé. «Só nos chamam quando é preciso resgatar uma pessoa que se afogou no rio.»
O coordenador do referido comitê, Moctar Ba, compartilha a mesma constatação alarmante. «Toda a nossa vida girava em torno da Falémé. Bebíamos a sua água, fazíamos a lavagem ali, cultivávamos graças à seca das cheias. Hoje, tudo isso pertence ao passado», acrescenta, com tom nostálgico.
Mesmo os raros peixes ainda capturados suscitam desconfiança. Os habitantes temem agora consumi-los tanto quanto a poluição do rio preocupa.
Boundou, um dom da Falémé
Dizem que o Egito é um don du Nil. Aqui, no Boundou, as populações gostam de lembrar que seu território é um presente da Falémé. Este afluente, que representa quase um quarto das contribuições do rio Sénégal, alimentava milhares de famílias dos dois lados da fronteira entre Senegal e Mali.
Ainda não faz muito tempo, o visitante era recebido pelo aroma característico do peixe defumado. As desovas animavam as margens da manhã à noite. Hoje, esse cheiro desapareceu. Assim como no restante da cidade de Kidira, cuja atividade econômica está totalmente paralisada por causa da crise de segurança que persiste do outro lado da fronteira, o ambiente em Bosso é sombrio.
Aqui, os moradores são atingidos por uma dupla crise: a de segurança e a poluição da Falémé, que era sua principal fonte de renda. Hoje, os jovens abandonaram a pesca para outras atividades. Os mais velhos, eles, permanecem presos a um ofício que não alimenta mais.
«Os jovens podem aprender outra coisa. Nós, já passamos da idade de mudar de profissão», sussurra Harouna Tigampo com voz triste. O estalo ocorreu em 2019. Nesse ano, pescadores, agricultores e criadores senegaleses e malienses criaram um comitê de vigilância para entender as perturbações observadas no rio.
«Constatamos que a água mudou de cor», explica Moctar Ba, coordenador do comitê. «Tornou-se ocre e lamacenta, enquanto antes isso ocorria apenas na época de cheia.» As investigações levaram rapidamente aos locais de garimpo instalados a montante, na região maliana de Kéniéba.
«Descobrimos que dragas operavam diretamente no leito do rio, despejando produtos nocivos», explica Moctar Ba. Segundo os membros do Comitê de Vigilância e Alerta da Falémé, a mineração artesanal existia há muito tempo sem provocar danos maiores.
A virada teria ocorrido a partir de 2015 com a chegada de dragas mecânicas e o uso maciço de produtos químicos destinados à extração do ouro. A corrida pelo metal precioso atraiu então milhares de garimpeiros vindos do Senegal, do Mali, do Burkina Faso e até da China.
«Organizamos um grande encontro em Kidira com cerca de cinquenta aldeias senegalesas e malienses, bem como as autoridades administrativas. Alertamos todo mundo. Batemos em todas as portas. Mas nada conseguiu deter a poluição», lamenta Harouna Tigampo.
As consequências vão muito além da pesca. Agricultor ele mesmo, Moctar Ba vê seus rendimentos diminuírem ano após ano. «Nossas produções caíram drasticamente. As colheitas apodrecem rapidamente», constatou.
Antigamente conhecida por suas culturas de decrue, o vale da Falémé abastecia os mercados de Dakar. «Em Nayes, o centro de agrupamento recebia dezenas de caminhões vindos carregar batatas-doces destinadas a Dakar», lembra o Sr. Ba.
Hoje, diz ele, tornou-se impossível produzir essa cultura. «As estacas não crescem mais ou quase não dão nada». Para ele, os produtos químicos usados nos locais de garimpo modificationaram profundamente os solos e as águas de irrigação.
A criação não ficou imune. Segundo o Comitê de Vigilância, vários episódios de mortalidade significativa do rebanho foram registrados nos últimos anos após o abastecimento de animais no rio. «As populações que vivem ao longo da Falémé sofreram um impacto terrível», afirma Moctar Ba.
As pessoas não se atrevem mais a se banhar no rio nem a lavar suas roupas nele, com medo de coceiras. A isso soma-se o desaparecimento progressivo da biodiversidade. «Quase não há mais rãs. As aves são cada vez mais raras. As máquinas destroem as margens e os produtos químicos destroem todo o ecossistema», sustenta Moctar Ba.
A tentação de partir
Amostragens feitas nas águas da Falémé evidenciaram níveis de poluição considerados preocupantes pelos atores locais. Mesmo assim, os membros do comitê avaliam que as respostas continuam insuficientes.
O governo do Senegal proibiu o garimpo em um raio de 500 metros ao redor do rio por três anos. E segundo o comandante da zona militar nº 4 (que abrange as regiões administrativas de Tambacounda e Kedougou), o coronel Simon Sarr, as forças de defesa e segurança desbarataram recentemente 200 locais de garimpo clandestinos.
Uma decisão elogiada, mas amplamente considerada insuficiente. «Essas pequenas medidas não resolvem o problema de fundo», analisa Moctar Ba. «É preciso, recomenda ele, regulamentar de fato a atividade, controlar os produtos usados e coordenar as ações com os demais Estados membros da Organização para a Valorização do Rio Senegal. Se a Falémé está poluída, é todo o rio Senegal que está impactado», diz.
Em Bosso, o desânimo é palpável. «Estamos completamente desesperados», solta Abdoulaye Kissa. «Não sentimos nenhum apoio do Estado», acrescenta Harouna Tigampo. O projeto de desenvolvimento da piscicultura anunciado pela Agência Nacional de Aquicultura (ANA) para oferecer uma alternativa econômica nunca nasceu.
Nesta região do Senegal oriental, onde a emigração faz parte da história das famílias, os pescadores ainda não abandonaram suas pirogas para rumar às estradas do exílio. Mas uma pergunta retorna em todas as conversas, como um aviso: por quanto tempo ainda poderão resistir se a Falémé continuar morrendo? «Se eu tivesse um pouco de recursos, eu partiria», confessa um jovem pescador.
De nossos enviados especiais a Kidira, Seydou KA (texto) e Cheikh Tidiane NDIAYE (fotos)
