Romancista, editor e empreendedor cultural, El Hadji Omar Massaly não se contenta em apenas publicar livros. À frente das Edições Elma, ele persegue uma ambição mais ampla: contribuir para o surgimento de uma indústria editorial verdadeiramente africana, capaz de revelar os talentos do continente, gerar valor e transformar o Senegal em um polo central da economia criativa.
Em um continente onde o livro permanece um setor de alto potencial, porém ainda pouco estruturado, El Hadji Omar Massaly escolheu agir. Com uma escrita engajada e um espírito empreendedor sólido, ele personifica uma nova geração de agentes culturais determinados a fazer da edição um motor de desenvolvimento econômico e de projeção cultural. Através das Edições Elma, ele une literatura, inovação e empreendedorismo para promover autores africanos, criar oportunidades econômicas e contribuir para transformar o Senegal em referência na indústria do livro.
Uma vocação assumida
Na manhã de 16 de junho, ele nos recebe em seu escritório adaptado dentro de seu apartamento, na Cité Sipres de Dakar. O sorriso é franco, o olhar voltado para o futuro. Nesse espaço sóbrio, dominado por uma biblioteca cuidadosamente organizada, cada obra parece contar uma etapa de sua trajetória. Elegantemente trajado, ele exibe uma aparência cuidadosa que traduz a seriedade com que encara cada encontro. «Meu trabalho de memória versa sobre as indústrias culturais e criativas», ele esclarece, como para enfatizar a coerência entre sua formação universitária e seu projeto profissional.
Logo cedo, ele se distingue por uma escrita atenta às realidades sociais, políticas e culturais da África contemporânea. Em 2019, publica «Escrever para agir», uma reflexão sobre a responsabilidade do escritor na transformação da sociedade. No ano seguinte surge «Diário de um confinado», relato pessoal sobre as perturbações provocadas pela pandemia de Covid-19.
Essas duas obras já delineiam os contornos de uma convicção profunda: a literatura não se limita a uma expressão artística; ela também representa uma ferramenta de reflexão, transmissão e transformação social. Contudo, El Hadji Omar Massaly não se vê apenas como escritor.
Enquanto muitos de seus colegas optam pela docência após a licenciatura, ele escolhe trilhar outro caminho. «Poderia ter me tornado professor de Letras Modernas. Cheguei a montar meu dossiê de candidatura. Mas, ao chegar a poucos passos do local de entrega, entendi que não era meu caminho», confidencia.
Essa escolha revela um temperamento independente, convicto de que a sua contribuição para o desenvolvimento do país passaria mais pelo empreendedorismo cultural.
Construir uma indústria editorial africana
É assim que funda a Elma, uma casa editorial panafricana que, em apenas alguns anos, publicou mais de sessenta obras cobrindo áreas tão diversas quanto romance, ensaio, ciências sociais, educação ou pesquisa. A ambição dele é clara. «Nós queremos edificar uma verdadeira indústria editorial africana. Nosso objetivo é sermos líderes do setor, não apenas pelo volume de produção, mas também pela nossa capacidade de criar valor e estruturar toda a cadeia do livro.» Essa visão começa a dar frutos.
As Edições Elma foram especialmente reconhecidas pelo Fundo Africano de Garantia e Cooperação Econômica (Fagace) pela sua contribuição à promoção de inovações culturais e intelectuais.
Em 2024, elas também venceram o Prêmio Mila do livro francófono graças à obra «Mudanças climáticas, a pesada ameaça à África», de Mbaye Hadj. Para El Hadji Omar Massaly, esses reconhecimentos representam menos um ponto final do que um convite para continuar o esforço.
Segundo um estudo prospectivo do gabinete BearingPoint, o mercado do livro francófono na África Ocidental pode alcançar 123 bilhões de euros até 2030 e gerar mais de 100.000 empregos. Aos olhos dele, o Senegal dispõe de todas as ferramentas para tornar-se um dos principais polos dessa dinâmica. «A África precisa de ferramentas capazes de sustentar uma verdadeira economia criativa baseada na indústria do livro. Através da Elma, quero contribuir para esse objetivo», sustenta.
S’inspirer du monde pour construire l’Afrique
Curioso e aberto ao mundo, El Hadji Omar Massaly não hesita em observar experiências estrangeiras. Durante uma estadia em Nova York, ele se interessa pelo funcionamento do mercado americano de edição. «Em Manhattan, na Broadway, reencontrei esse hábito que me fascina: entrar numa livraria. As pessoas circulam por ali como em um mercado, prova da importância que se atribui ao livro e ao saber na construção de um capital intelectual.»
Essa imersão reforça sua convicção: a África tem um potencial imenso, desde que se invista mais na estruturação de seu ecossistema editorial. Para ele, a presença das grandes casas internacionais não representa uma ameaça. «A concorrência estimula a inovação. Em todo o mundo, são frequentemente as jovens empresas e os empresários audazes que transformam os setores de atividade», afirma com veemência.
Além da publicação de obras, El Hadji Omar Massaly defende uma visão global da economia criativa. O livro é, para ele, ao mesmo tempo um bem cultural, um vetor de identidade e um motor de crescimento. «O futuro do livro na África dependerá da nossa capacidade de investir, de profissionalizar o setor e de construir empresas sólidas. Os desafios são muitos, mas as perspectivas também são promissoras.»
Hoje, as Edições Elma desenvolvem-se essencialmente graças aos seus recursos próprios. O fundador diz estar, no entanto, pronto para estabelecer parcerias com atores que compartilham essa mesma visão. «Nossa ambição não é depender exclusivamente do Estado. Queremos construir um ecossistema real onde o livro se torne um pilar da economia criativa africana.»
Romancista, empreendedor e estrategista, El Hadji Omar Massaly personifica uma geração que se recusa a ver cultura e economia como oposições. Seu objetivo é demonstrar que a edição pode ser, ao mesmo tempo, um espaço de criação, uma ferramenta de soberania cultural e um motor de desenvolvimento. «Empreender é uma vocação para mim», resume ele.
Uma fórmula simples, à imagem de um homem que escolheu traçar seu próprio caminho e que, livro após livro, busca erguer as bases de uma indústria editorial africana ambiciosa.
Por Abdoulaye Dembélé
